| «Pressões» envolvem meios «poderosos» |
| 15-Fev-2009 | |
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Os delegados do Sindicato dos Magistrados do
Ministério Público (SMMP) consideram que «as pressões e intimidações»
sobre os magistrados titulares de «processos ou investigações
delicados» envolvem «poderosos meios de contra-informação só
disponíveis, por norma, aos serviços de 'inteligence'».
Reunidos hoje em Tomar para analisar a questão do estatuto do Ministério Público mas também as repercussões para a instituição dos mais recentes casos mediáticos, os delegados sindicais do SMMP aprovaram uma moção em que manifestam apoio aos magistrados titulares desses processos e exigem que sejam colocados à sua disposição «todos os meios necessários ao prosseguimento, sem constrangimentos, das investigações em curso, que se exigem sérias e exaustivas». «Nos últimos tempos, mais uma vez o Ministério Público e os seus magistrados têm sido alvo das habituais e recorrentes campanhas que acontecem sempre que estão em causa processos ou investigações delicados em função das matérias ou dos visados», afirma a moção. «As pressões e intimidações que têm recaído sobre os magistrados titulares desses inquéritos, com o intuito de os atemorizar e diminuir na sua acção e capacidade de determinação na condução das investigações, e bem assim de condicionar os que com a Justiça querem colaborar, têm várias origens e envolvem poderosos meios de contra-informação só disponíveis, por norma, aos serviços de 'inteligence'», acrescenta.
Para os delegados sindicais do SMMP, «intimidar, desacreditar e ao
mesmo tempo distrair as atenções do essencial e desviá-las para o
acessório é uma velha estratégia, a que as desenvolvidas e elaboradas
técnicas de comunicação e contra-informação, tão em voga entre nós, dão
suporte e expressão».
No seu entender, a «insinuação das famigeradas relações com a comunicação social», para «desacreditar quem investiga», esquece que «a investigação criminal está neste momento, entre nós, infelizmente, limitada, condicionada, muitas vezes paralisada, sem meios humanos e materiais, com condicionamentos legais e operacionais de toda a ordem, que o SMMP tem vindo a denunciar publicamente há muito tempo».
Por isso, acrescenta a moção, «é a investigação jornalística,
porventura com meios financeiros mais poderosos, agindo com »timings«
próprios, diversos dos da justiça, e desenvolvendo o papel fundamental
que lhe cabe em qualquer democracia, que vai à frente».
Os delegados sindicais do SMMP afirmam ainda que «as fugas vêm muitas vezes donde menos se espera, donde não seria suposto, lançadas pelos visados, numa tentativa de controle e minimização dos danos próprios, por um lado, de desacreditação da investigação e da justiça, por outro, e, finalmente, de tentativa de desviar a atenção do essencial para o acessório». «Entretanto, investigar o que verdadeiramente interessa e responsabilizar quem tiver que ser responsabilizado, dá lugar à tentativa de publicamente fazer querer que o que importa é a investigação da própria investigação e de quem com ela colabora, num jogo de desconfianças prejudicial à Democracia, à Justiça e ao Estado de Direito. Que outros o façam, percebe-se. Que no seio do Ministério Público haja quem colabore, ainda que por inércia, já não é admissível«, acrescentam.A moção exige que os apoios a disponibilizar aos magistrados titulares desses inquéritos incluam o recurso, »sem quaisquer reservas, aos mecanismos de cooperação judiciária internacional considerados necessários pelos investigadores, devendo exigir-se ao Governo a disponibilização dos meios ou autorizações necessárias e que as circunstâncias imponham. Por outro lado, pedem o «reforço da confiança entre magistrados e órgão de policia criminal envolvido, exigindo-se da tutela da Polícia Judiciária, da mesma forma, a criação de todas as condições e meios necessários às investigações, por forma a reforçar a imagem de isenção e competência profissional da instituição e dos seus elementos».«É igualmente urgente que se alerte a Procuradoria-Geral da República para as consequências negativas que as posições públicas podem assumir para o Ministério Publico e todos os seus magistrados, sobretudo quando elas são susceptíveis de revelarem protagonismos exacerbados, falta de isenção e de rigor, e importam, como já aconteceu, a desresponsabilização pública ou prognósticos quanto ao desfecho de processos e investigações ainda em curso«, lê-se ainda na moção. A direcção do sindicato foi mandatada pelos cerca de 50 delegados sindicais hoje presentes em Tomar para solicitar junto do Presidente da República a »intervenção considerada necessária e ajustada à salvaguarda plena do verdadeiro Estado de Direito». DIÁRIO DIGITAL / LUSA | 15.02.2009 Comentarios
... : Hi-Hi-no-Havai
País perigoso. Se a investigação do Freeport estivesse digitalizada, por hipótese, no abençoado CITIUS, estes meios efectivamente poderosos, destinados ao terrorismo e a outros fenómenos similares, varriam-na (à investigação criminal) como a uma simples palha. Quando o maravilhoso CITIUS caminhar alegremente para os processos crime é o que vai acontecer. No Civil só lá não vão porque não interessa. Quem tem dúvidas disto? Ass.: um Velho do Restelo que não focifera.
15.Fevereiro.2009
... : Hi-Hi-no-Havai
Em cima, "vocifera", como é evidente. Fica a rectificação. Mas acrescento: a matéria cível serve, neste caso, para esgotar a problemática. Quando o CITIUS ou algo parecido chegar ao crime já não há argumentos, ou estão gastos, ou os críticos estão cansados. A perigosa estratégia é global.
15.Fevereiro.2009
... : Hi-Hi-no-Havai
É deveras extraordinário! O item (de longe - a meu ver, modesto comentador) mais importante que por aqui tem passado nos últimos tempos, pelo pedrigo que representa para o judicial, e só eu (sozinho, na minha longa solidão...) é que comento. Se calhar sou o único que ando a ler Michael Walzer, sei lá.
16.Fevereiro.2009
... : cabelos em pé!
Era bom que o SMMP, que tanto tem criticado o Bastonário da O. A. por fazer declarações abstractas e não concretizar, não usasse o mesmo método, e concretizasse em que processsos, de onde e de quem vêm as pressões, para se poder aquilatar se realmente se lhes pode chamar pressões ou se este incómodo não passa de má convivência dos magistrados com a crítica que se abateu sobre diversas investigações em curso.
É que, de "suspeita em suspeita", qualquer dia o ambiente torna-se irrespirável. Afinal, vivemos num estado de Direito e ninguém pode ser sancionado ou prejudicado por fazer afirmações verdadeiras a denunciar manobras ou atitudes anti-democráticas. 17.Fevereiro.2009
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