| Presidente República quer Juízes exemplares |
| 21-Nov-2008 | |
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O Presidente da República, Cavaco Silva,
considera que «é através do exemplo que os juízes podem contribuir para
uma melhor democracia». «A crítica é menos eficaz do que o exemplo»,
afirmou Aníbal Cavaco Silva, citando a escritora Agustina Bessa-Luís,
numa mensagem que enviou ao 8.º Congresso dos Juízes Portugueses, que
começou ontem na Póvoa de Varzim. Cavaco Silva considera que a
magistratura «deve ser respeitada e prestigiada» e defende que «os
juízes, como aplicadores do Direito, devem ser escutados sempre que são
introduzidas alterações profundas no nosso ordenamento jurídico».
Na mensagem, lida na abertura do conclave de juízes, o Chefe de Estado considera «extremamente oportuna» a escolha do tema do congresso: "O poder judicial numa democracia descontente, impasses, desafios e modernização da Justiça". Cavaco Silva considera que a magistratura «deve ser respeitada e prestigiada» e defende que «os juízes, como aplicadores do Direito, devem ser escutados sempre que são introduzidas alterações profundas no nosso ordenamento jurídico». Também na abertura do congresso, o presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM) e do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, defendeu que «a crise económica a que assistimos tem de ser o detonador para extirpar dos tribunais produtos tóxicos que nunca lá deviam ter entrado». É que, ilustrou, metade dos processos que correm em tribunal são acções executivas. No seu discurso, Noronha do Nascimento lamentou que Portugal seja o único país da Europa onde há avaliação de mérito aos juízes, considerando que se trata de uma «janela de intromissão» a «atentar contra a independência» dos magistrados. Sublinhou, por outro lado, que na União Europeia só os juízes gregos ganham menos que os portugueses. O 8.º Congresso dos Juízes Portugueses é uma organização da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que diz representar entre 95 e 98 por cento dos juízes portugueses. A reunião magna dos magistrados encerra amanhã e vai debater, entre outros temas, a hipotética transferência de legitimidade dos poderes legislativo e executivo para o judicial. Este congresso de juízes é o primeiro a ocorrer na região Norte. Governo anuncia mais segurança nos tribunais No mesmo dia em que os juízes reuniam em congresso, o Governo aprovou uma resolução para reforçar a segurança dos tribunais, investimento estimado em 7,7 milhões de euros e que prevê a expansão do sistema de vídeo-vigilância. Em declarações à Lusa, José Conde Rodrigues, secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça, disse que as medidas visam «reforçar a segurança dos tribunais» e assegurar a tranquilidade de magistrados, funcionários judiciais, advogados, solicitadores e todos os cidadãos que se desloquem àqueles órgãos de soberania. O programa integra um conjunto de medidas operacionais, procedimentais e organizacionais, de curto e médio prazo, que teve por base um relatório técnico elaborado por um grupo de trabalho que envolveu magistrados judiciais e do Ministério Público, advogados e elementos das forças de segurança, referiu Conde Rodrigues.
Visando também modernizar a segurança dos
tribunais, o programa inclui soluções novas, como é o caso da
instalação de um botão de emergência em salas de audiências, elaboração
de uma carta de risco dos tribunais, um protocolo de procedimentos de
segurança em cada tribunal e uma estrutura central de segurança dos
tribunais.
Outra das medidas inovadoras, segundo o Governo, é a criação do Conselho de Segurança do Tribunal que junta o juiz presidente, Ministério Público, administrador, secretário do tribunal e o responsável da força de segurança territorial. Conde Rodrigues apontou ainda o reforço de algumas medidas, como sejam o aumento do patrulhamento pelas forças de segurança junto dos tribunais, instalação de sistemas de alarme e instalação e utilização de dispositivos de detecção de metais.Elaboração de uma carta de risco dos tribunais, protocolo de classificação e restrição de acesso dos espaços dos tribunais são outras das vertentes deste programa, sendo que algumas das medidas já estão em curso e outras terão impacto em 2009, mediante um investimento «muito forte», que deverá ter continuidade em anos seguintes.
Questionado sobre as aprovação ontem, em Conselho de
Ministros, do diploma sobre a segurança nos tribunais, o presidente do
CSM considerou «uma medida muito importante», nomeadamente para os
tribunais criminais e de família e menores. Nos tribunais criminais
por causa da grande criminalidade ou até devido aos aspectos que
envolvem questões de reacção pessoal na pequena criminalidade, e nos de
família e menores porque envolvem complexas questões de afectividade e
toda a conflitualidade que daí resulta, por exemplo no divórcio,
regulação do poder paternal ou partilha de bens», disse Noronha do
Nascimento.
Por seu turno, o presidente da Associação Sindical de
Juízes considerou ontem positivas as medidas previstas pelo Ministério
da Justiça para combater a insegurança nos tribunais, mas lamentou que
só agora sejam anunciadas. É positivo o anúncio, mas é pena que não
seja já a concretização, porque foi já em Abril de 2007 que os juízes
divulgaram publicamente um relatório alertando para a necessidade de
serem adoptadas medidas no que respeita à segurança dos tribunais»,
salientou António Martins.«Tudo o que venha em termos de reforço da
segurança dos tribunais é positivo», acentuou, recordando António
Martins que a associação elaborou em 2007 um relatório em que propunha
medidas de combate à insegurança entre as quais a videovigilância.
Também o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, considerou as medidas positivas, mas destacou a implementação de três medidas que considera essenciais. Mais do que pôr comissões a trabalhar ou elencar tribunais que são mais ou menos perigosos, é fundamental que se instalem pórticos de detectores de metais, um sistema de videovigilância e a permanência de forças de segurança nos tribunais durante a hora de funcionamento», sublinhou.
DIÁRIO DO MINHO | 21.11.2008
Comentarios
... : Calimero
Eu, que acredito pouco na república, também queria ter presidentes da dita exemplares.
Não o têm sido. O actual é claramente o mais fraco de todos. É inculto, não entusiasma e move-se mais pela preocupação de garantir a sua reeleição do que outra coisa qualquer. O seu papel na promulgação das leis e na utilização do veto tem deixado muito a desejar, como é o caso recente da promulgação da lei do divórcio em que, apesar dos recados de natureza beato-passadista, ignorou graves falhas dessa mesma lei, na sua componente penal. Cada vez me convenço mais que temos presidentes da república não porque sejam necessários, mas só porque tem que ser. 21.Novembro.2008
também concordo Caro Calimero.
Tendo em conta o que todos nós pagamos ao Presidente da República, na realidade ele trabalha pouco. Mais parece uma Rainha de Inglaterra ...:-) Eu gostaria de ter um Presidente da República com mais poderes de decisão e de intervenção, ao nível do Estado. O que só seria possível com uma alteração na Constituição da República Portuguesa, ou com uma IV República. Porque não ? ... "Vive la France" ... ! 21.Novembro.2008
... : Suum Cuique Tribuere
Calimero, subscrevo o que escreveu.
21.Novembro.2008
... : justo
Se a notícia fosse de "bota a baixo" contra os juízes muitos comentadores teriam vindo daitar achas para a fogueira. Como o Sr Presidente pede que os políticos ouçam os juízes antes de legislarem e os cidadãos respeitem os juizes, é assunto que não interessa ou, então, como se vê dos anteriores comentários, diz-se mal do próprio Presidente da República.
21.Novembro.2008
... : mp
concordo com o pr.
lamentavelmente, o mj respeita pouco os juizes. 22.Novembro.2008
... : Mendes de Bragança
Sou juiz desde 1981 e considero que Cavaco Silva é um homem sério, competente e patriota. Não pertence à elite intelectual de Lisboa, pois é um homem de origens humildes, ao contrário de Soares e Sampaio, que pertencem à alta burguesia da capital. Enquanto Primeiro Ministro, aproveitando os fundos europeus, desenvolveu economicamente Portugal, como nunca se havia visto no nosso país.
O resto são preconceitos ideológicos ultrapassados, sem sentido e que ainda resistem à queda do muro de Berlim. 22.Novembro.2008
... : ohoh
eu quero legisladores exemplares.
22.Novembro.2008
... : Rosário Marques
Caro Calimero, concordo inteiramente consigo.
Não acho nada correcto que o PR faça uma afirmação dessas. Os nossos Juizes são exemplares.... depois há é excepções, como em toda a parte. Agora PR's que permitam, como este PR permitiu, Que aconteça o atropelo da democracia na Madeira, como aconteceu aquando da sua visita, com a sua colaboração por omissão, Leva-me sim, (e por maioria de razão já que PR é só um - não admite excepçoes! - ) a querer PR's exemplares... 24.Novembro.2008
... : Calimero
Mendes de Bragrança só vê política à frente.
Quando criticam alguém das suas cores reage melindrado, tal como um adepto incondicional de um qualquer clube que não tolera que digam mal do desempenho do respectivo defesa direito. Com a clarividência e profundidade que caracterizam os seus comentários, afirma que o p.r. é pessoa séria e de origens humildes. Que bom. Muro de Berlim? Mendes de Bragança deve ter cristalizado na altura da guerra fria e, pelos vistos, a temperatura deve-lhe ter congelado os pensamentos. 24.Novembro.2008
Caro Mendes de Bragança, parece-me que quanto aos Fundos Comunitários não terá sido bem assim, de tanto sucesso, o Período Cavaquista.
O que, não colocando em causa a seriedade do PR, coloca, sim, em causa a seriedade dos candidatos e dos utilizadores dos citados Fundos, bem como a competência dos responsáveis pela gestão pública desses Apoios. É uma longa história que, a meu ver ainda está por fazer, e que foi mais um facto a determinar o pouco desenvolvimento económico do País. Perdemos todos. Alguns ganharam........:-( 24.Novembro.2008
... : Alberto Ruço
Se os juízes forem exemplares a justiça será tida como exemplar.
Sem dúvida que o exemplo é uma das melhores vias para prestigiar a justiça. O exemplo transporta a coerência e a coerência tem a virtude de nos convencer ou, pelo menos, de criar em nós respeito por quem é coerente. Porém, os juízes são pessoas como as outras, geradas no seio da mesma sociedade de onde saíram as demais, com os mesmos defeitos e as mesmas virtudes. E arrisco a dizer, seja qual for o meio social de onde vêem, porque o carácter, os valores, a empatia, o espírito de sacrifício, a qualidade da pessoa humana, não brotam da maior ou menor riqueza material ou cultura das famílias ou mesmo da inteligência. Não se pode exigir a um indigente que seja exemplar, quando tem de furtar para matar a fome. Para se ser exemplar é necessário ter condições para isso e os juízes não fogem a esta regra. Em primeiro lugar, necessitam de um estatuto que os obrigue a serem pessoas com comportamentos adequados e que garanta a liberdade do juiz, de forma a ser sempre totalmente livre na hora de decidir e nas outras. Depois, há que ter condições materiais para se ser exemplar. Se se tem um número desproporcionado de processos que determinam um dia-a-dia infernal; em permanente stress; sem tempo para reflectir, como hoje acontece, é difícil manter a saúde, o cumprimento de horários, os prazos para proferir decisões, a calma, a tolerância... . Nestas condições dificilmente se pode ser exemplar. Estou convencido, embora não possa demonstrar, que muitas das atitudes desajustadas dos juízes, principalmente aquelas de que os advogados se queixam, têm como causa as más condições de trabalho em que os juízes exercem as suas funções e que diariamente os penalizam emocionalmente. 24.Novembro.2008
... : Mendes de Bragança
... : Calimero afirmou:
"Mendes de Bragança só vê política à frente" Tudo o que fazemos na vida tem a ver com política. Quando um juiz, mesmo com grande sacrifício pessoal e familiar, tem o serviço rigorosamente em ordem e em dia, está a fazer política. Quando um juiz não é metódico e atrasa o seu serviço, está a fazer baixa política, dando mau exemplo da classe a que pertence e sem merecer o vencimento que aufere. 24.Novembro.2008
... : Calimero
Muito bem, Mendes de Bragança, parabéns!
Continue assim e certamente vai acabar condecorado pelo seu p.r. de eleição. 25.Novembro.2008
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