Não estamos imunes ao crime violento
25-Out-2008
ImageMário Mendes, secretário-geral do Sistema de Segurança Interna.
Na primeira entrevista, o homem escolhido para coordenar todas as polícias, defende que estas deviam ter uma só tutela governamental e assume que o seu cargo é uma "solução de estudo".
Reconhece que o Estado "perdeu autoridade" e que a polícia tem de "recuperar a rua".


Sente-se um 'super-polícia'?
Não. De forma alguma. Nunca fui super-nada. Não entendo as minhas competências com esse alcance.

Mas tem poderes que nunca antes estiveram reunidos numa só pessoa...Não há dúvida nenhuma. E isso acentua-se principalmente nas situações de crise, onde tenho poder de comando operacional. Todas as restantes competências, a coordenação, direcção e controlo que me estão atribuídas na lei de segurança interna são funções de mediação. No meu entender, este cargo deve ser visto em duas vertentes. Primeiro é que, dada a natureza da organização policial no nosso país, e preciso que haja uma entidade que coordene. A segunda vertente é a necessidade de racionalização dos meios que existem. Não somos um país que possa desperdiçar os recursos que tem. Uma duplicação de recursos para uma mesma situação é irracional, quer do ponto de vista da actuação, quer do ponto de vista financeiro.

É isso que acontece? Não há coordenação nem racionalização?
Já estivemos muito pior que agora. Está muito enraizada esta natureza estanque das competências de cada um, do território de cada um... somos um país disto, um país de quintinhas. Mas não é um 'privilégio' só das polícias.

Como é que vai acabar com isso? Não basta uma lei...
Não será fácil. Mas o que notei nestes primeiros dias é que o ambiente é bastante melhor que há uns anos atrás. Compete-me a mim consolidar esse sentimento de cooperação. Há um dever legal de colaboração e não tenho dúvida que a nível dos comandos isso está interiorizado.

Seria mais fácil com uma tutela única para todas as polícias?
Era outra solução. Sou adepto da tutela única. Mas não da polícia única.

Essa opinião contraria a política que foi definida pelo Governo...
E entendo que nesta fase de transição esta é uma solução equilibrada. Se resultar é óptimo. Salvaguarda a identidade própria de cada polícia. Lembro que, nos anos 50, fomos copiar o modelo francês, igual ao que temos agora: uma polícia judiciária, uma polícia de ordem pública e uma 'gendarmerie'. Na altura tinha uma lógica. Vivia-se num quadro de Estado de polícia. A partir dos anos 80 o sistema francês evoluiu para uma polícia nacional com duas vertentes, a de ordem pública e a judiciária, e a 'gendarmerie'. Com tutela única. Os espanhóis fizeram um percurso idêntico.

E o que falta em Portugal para se dar esse passo?
Não sei. É uma opção.

Vê este seu cargo como uma solução transitória para esse cenário?
É uma solução de estudo.

Uma questão controversa, que preocupou o Sr. Procurador-Geral da República PGR), tem a ver com a sua competência de poder dar orientações genéricas aos órgãos de polícia criminal. Como é que pode fazer isso sem ter acesso aos inquéritos em concreto e ao que está a ser tratado, entrando assim no campo de intervenção do Ministério Público?
Há toda uma actividade policial pura, existente a montante do inquérito, ainda na investigação, na qual é legítimo dar orientações sobre o modo de actuação. Neste caso, as orientações concretas partem das hierarquias das próprias forças. O MP entra quando o inquérito é criado e a partir daí eu já não tenho nada a ver com as orientações dadas.

Que tipo de relação vai ter com o PGR?
Muito pouca. São actividades completamente distintas. No entanto, sempre que o MP necessitar do apoio da actividade policial estarei sempre disponível.

Outra das suas competências é dirimir conflitos de competências entre forças de segurança. Estão identificados os principais focos de conflitualidade?
Onde podem surgir mais conflitos de competências é entre a PJ e a PSP. Há situações em que as duas forças policiais andam a investigar o mesmo caso e uma não sabe da outra. Acontece com frequência no tráfico de droga, por exemplo...

Por vezes tem havido também nos assaltos a bancos com sequestros, como aconteceu em Almada há um ano. No caso deste Verão, do BES, o que teria sido diferente se já estivesse em funções?
Esse é um caso típico de intervenção da PSP. É uma situação de ordem pública. A minha intervenção só seria necessária se gerasse um conflito de competências entre a PSP e a PJ. Mas nestes casos a PJ só intervém depois da situação de ordem pública resolvida. Na fase de investigação.

Este assalto tão violento fê-lo concluir que já não estava num país de brandos costumes?
Tinha a percepção que mais tarde ou mais cedo aquele tipo de crime ia aparecer. Chocou-me um bocado aquele 'directo'. A realidade está lá na mesma, mas o 'directo' amplifica os medos. Um cidadão comum sente-se chocado com aquilo. A realidade choca.

Mas aquele caso foi uma sucessão de vários, igualmente violentos que tinham começado no início do Verão, o duplo-homicídio, a bomba do avião...
Uma das coisas que já pedi que se fizesse é saber a causa dessa situação que ocorreu no Verão. A percepção que há é que houve um pico de casos violentos que quebra em meados de Setembro. É preciso estudar bem esse fenómeno. Porque é que aquele tipo de criminalidade acontece mais naquela altura. Não foi só este ano. Embora se tenha agravado.

Acha que os 'snipers' que atingiram os assaltantes do BES devem ser alvo de um inquérito?
Não. Aquela é uma situação limite entre a vida de um cidadão inocente e a vida de quem está a praticar o crime. Se for possível salvar a situação sem ser através de um meio letal, sem dúvida que devia ser. Mas não era o caso.

Teria dado a mesma ordem?
Provavelmente sim.

Em que é que o 'Verão quente' de crimes poderia ter sido diferente se o Sr. Secretário-geral já estivesse neste cargo?
Provavelmente teria sido igual. O que posso garantir é se aquilo voltar a acontecer assumirei as minhas responsabilidades decorrentes do cargo que tenho.

E o que é que vai passar ser diferente nestes casos?
Há uma componente essencial, que é o efeito dissuasor, demonstrado pelas medidas que já começaram a ser tomadas, que são as operações policiais de prevenção. Tem que se apostar muito na prevenção. A polícia tem que tentar, de alguma forma, recuperar a rua.

A polícia perdeu o contacto com a rua?
Esse contacto foi diminuindo. O cidadão tem de voltar a ter consciência e a visibilidade da presença da polícia.

Mas não se pode ter um polícia em cada esquina?
Há processos de patrulhamento perfeitamente possíveis com os meios existentes. Podem até incluir as polícias municipais, que, eventualmente, podiam ter as suas competências alargadas.

Acha que há falta de polícias no país?
Temos um ratio muito bom de polícias por habitante. Mas há ocupação das polícias com um conjunto de tarefas burocráticas e administrativas que não lhes permitem que exerçam as suas funções de facto...

Mas há áreas críticas em que esse ratio não é assim tão bom...
É necessário um reforço de gestão. É perfeitamente possível em situações pontuais fazer deslocar meios...

Os militares podem ser uma ajuda também? Houve críticas de altas patentes pelo facto das forças armadas não terem ficado com um papel mais definido no sistema de segurança interna, como acontece nos mais importantes países europeus. Podemos prescindir destes recursos?
O país não pode prescindir dos meios militares. Na lei de segurança interna está prevista essa colaboração. Entendo que o legislador não clarificou mais a intervenção porque a quis remeter para a lei de defesa nacional.

Não o chocaria, como acontece, por exemplo em Paris, ver militares nas ruas ao lado de polícias, em acções de prevenção, quando há ameaças terroristas?
Não, não me choca. Aceito-o naturalmente.

Na intervenção que fez no parlamento falou em novos riscos na criminalidade. Quais são as ameaças emergentes?
Há riscos emergentes que provém da sociedade em que estamos inseridos, que é uma sociedade mais violenta. Não podemos escamotear que há conflitualidade social grave e há um conjunto de riscos que é necessário ponderar e prever. Provêm da nova sociedade global que temos, sem fronteiras e devem ser encarados com a cooperação entre todas as forças policiais europeias. Não pode ser apenas a nível nacional.

E a tendência é para piorar, caminhar para uma criminalidade cada vez mais violenta e espectacular?
Tem-se notado isso de forma preocupante. Embora, no caso de Portugal, salvo raras excepções, não haja ainda a chamada 'violência gratuita'. Podemos caminhar para aí, sim. Essa criminalidade chegou até a países 'limpos' e calmos como os nórdicos. Ninguém está imune. Nós também não.

Tem cuidados especiais quando sai à noite?
Em certas zonas sim. Evito até. Há zonas da cidade que são mais complicadas.

Como interpreta o aumento das agressões a polícias?
Há uma perda de autoridade por parte do Estado em si. As polícias são a face mais visível. Mas isto sucede também com os funcionários das Finanças, dos tribunais, com os próprios magistrados... Existia uma simbologia que o cidadão respeitava e que está a deixar de respeitar.

Porque se sentem impunes?
Há algum sentimento de impunidade. O cidadão interiorizou enfraquecimento em algumas funções do Estado.

E as leis penais não estão muito brandas?
Não.

Como juiz o que acha das notícias recorrentes "polícia prende, tribunal liberta'?
Fui juiz de instrução criminal em 1980 e dizia-se exactamente a mesma coisa. Depois a seguir veio o discurso do excesso de prisão preventiva...

Mas são os polícias que prendem mal ou os juízes que soltam mal?
Haverá, com certeza, responsabilidades dos dois lados.

Mas as pessoas ficam confusas. Não percebem o que está a falhar ..
Pois não e eu também não. Tem que se conhecer os casos em concreto. Uma situação paradigmática foi aquela do individuo que disparou sobre outro numa esquadra em Portimão. O juiz deixou-o em liberdade o que fez confusão a muita gente. Mas pergunto: aquele indivíduo vai voltar a cometer um crime?

Uma questão que foi levantada com a criação desta estrutura, na dependência do primeiro-ministro (com competências delegadas no MAI) é o da governamentalização da segurança e de um excesso de poder político sobre as polícias. Sente-se de mãos atadas ou sente-se um homem livre?
Sinto-me livre.

E vai servir primeiro os interesses dos cidadãos que os interesses do Governo?
O meu campo de actuação está muito no crime violento. Não em determinadas categorias de crime que possam ter algum impacto social ou político. No entanto, não parto do princípio que as pessoas que ocupam cargos políticos, por esse facto, não sejam sérias. Não parto também do princípio que anteriormente o poder político não possa ter tentado influenciar alguma decisão em funções desta natureza. Não acredito que o faça agora.

Mas essa influência pode ser exercida em pequenas coisas, como ordens para divulgar ou esconder determinadas estatísticas...
Pode crer que não vai ocorrer. Há planos que têm de ser bem definidos. O executivo tem responsabilidade na orientação da política criminal do país. As estatísticas enquanto eu aqui estiver são para divulgar.

Mesmo que contrarie o Governo?
Não vai ser preciso contrariar.

Quais são as suas prioridades neste momento?
Apresentei ao Ministro esta semana o Plano de Acçção para 2008 e 2009. A minha prioridade principal vai ser a questão da interoperabilidade dos sistemas de informação das polícias. Não é a criação de uma base de dados gigante. É por em rede as bases de dados existentes, com a possibilidade de cada força e serviço de segurança, na tutela do MAI, aceder à informação os outros.

Mas ninguém quer dar informação à 'quinta' do lado...
Terei que resolver esse problema.

O que leva um magistrado do Supremo Tribunal de Justiça, no topo da carreira, uma vida à partida pacífica, a aceitar um cargo destes onde os riscos que corre provavelmente são maiores dos que os benefícios
O meu percurso enquanto magistrado fugiu um bocadinho á regra. Saí da PJ em 1989, depois fui para Bruxelas e a seguir para o Centro de Estudos Judiciários. A certa altura decidi que devia parar e regressar á magistratura. Foi uma opção puramente profissional. Pretendia demonstrar, como acho que demonstrei, que após 15 anos de ausência, era capaz de fazer o trabalho. Não deixei nenhum processo em atraso no Tribunal de Relação de Coimbra nem no STJ.

Porque aceitei? Talvez porque estivesse fora do meu estado normal. Estava na praia, talvez fosse sol a mais... Foi o Sr. Primeiro-ministro que me telefonou directamente. Só tinha estado com ele uma vez na vida, em Bruxelas, quando ele ainda era Ministro do Ambiente. Foi uma surpresa. Ponderei os prós e contras e acho que foi um bocadinho pelo desafio que isto significava. Uma coisa é uma pessoa ser convidada para um cargo de algum risco aos 40 anos, outra coisa é ter este desafio aos 60. Achei interessante. Num país que não é para velhos, estar perante um desafio destes aos 60 anos merece que se veja do que sou capaz.

Participei em alguns trabalhos do grupo do professor Severiano Teixeira, quando ele estava no Instituto Português de Relações Internacionais, sobre os modelos do sistema de segurança interna e ao aceitar este posto quis ver se era possível por alguma daquelas ideias em prática, algum desafio profissional. Desde há muitos anos que vinha defendendo a necessidade de uma coordenação nas polícias. Desde que estive na PJ e já saí de lá há 13 anos.

E quer ficar na história como a pessoa que conseguiu por todas as polícias sob o mesmo comando ?
Seria uma boa razão. Mas, não quero ficar na história. Mas seria um motivo de satisfação pessoal muito grande e seria bom para a sociedade em geral que esse objectivo fosse conseguido.

EXPRESSO | 25.10.2008

Comentarios
... : Mendes de Bragança
Este juiz esteve 15 anos fora dos tribunais.
Há que alterar rapidamente o EMJ para evitar situações destas.
26.Outubro.2008
... : SxZ-Zeta
--pois há q recuperar a rua...mas:
-----n é com procuradores que estejam nos gabinetes a cuidar das custas...
-----n é com leizinhas que importam ao suspeito a gargalhada...
----n é com exigências probatórias dos srs. juizes que é como ir buscar o anel a Saturno.
----n é com presunções da treta porque nem sequer chegam ao facto conhecido...
26.Outubro.2008
... : McData-23Com
Dizem-me aqui ao lado que há policias sem boné....
... pessoal...e que tal uma comissãozita? Até ia bem....não era o primeiro...e assim, lá se ia a dor na consciência...bora lá para a Comissão dos D. H. M.L. T. A..; eu irei também: ao lado é a dos SubPrimers...está cá uma crise...mais um carrito à minha espera...e à sua também.Divirta-se! Eu quero preto para dar o ar de soberano. Assim, tipo volvo, bmw mercedes ou audi e nada de carrinhas que parece logo que ando nos hipers com os filhotes...nem jeeps porque um urbano não anda de jeep...apesar de darem pica!
Está uma crise do caneco...e despachar processos ...
26.Outubro.2008
... : Alberto

Reconhece que o Estado "perdeu autoridade" e que a polícia tem de "recuperar a rua".

E quem pôs o Estado sem autoridade...?
vá lá, um caramelo...
... ...
Exacto! Acertou, e vai levar um vale de compras...no ...no....
E votou? Então...Enganou-se, foi não foi...? Engana-se muitas vezes....reze. Vem lá de cima, a sério...um esforço.
Também a crise...é o Estado que tem de apoiar...um Estado-bombeiro; um deus-bombeiro, o PM.bombeiro, é um país de bombeiros...


26.Outubro.2008
... : Sidharta
E o boné?
26.Outubro.2008
... : BenYoussiri
Claro que é preciso a polícia única!
Assim há menos bonés...
Assim, rapadinhos...está frio .tudo bem..mas como o petroleo vai subir: sem bonés. É tempo de contenção.
Policia é policia. Não há policias...A policia. O boné.
26.Outubro.2008
... : JovemSempreJovem
"Primeiro é que, dada a natureza da organização policial no nosso país, e preciso que haja uma entidade que coordene. A segunda vertente é a necessidade de racionalização dos meios que existem. Não somos um país que possa desperdiçar os recursos que tem. "

Este país tem coordenadores a mais e menos coordenação. Tem muitos bonés como bem se diz.
O que este país faz é desperdiçar. Absoluto.Ponto. Vai um estudozinho?!
26.Outubro.2008
... : Rosário Marques
Mas. Senores! se acabam com os coordenadores (e as Empresas Municipais e afins) como justificam depois os honorários??

É que Policia é o que trabalha, o que precisa...
26.Outubro.2008
... : zé pobo
Deixai o homem trabalhar.
O que diz, não é importante porque não tem a função de dizer "algo". Já foi tempo de o nomeado dizer "algo", agora é coordenador.
26.Outubro.2008
... : Imunes-só-agora
Não estamos...ao crime violento.
Que evidência espantosa ...
Só agora. Agora é que há crime violento.Buuuuuuu.....casper....casper...onde ´tás tu?
Caim, onde foste parar? Agora é o teu único momento. Só agora.
... ... é preciso um estudo...para se definir "violento".
Aqui, o de cima, rei dos estudos, neo-con, também coordenador dos estudos de impacto social e cíclica de Kondratieff, ex-membro do comité de evolução social e económica para a reforma da luta, ex ex-membro da organização da recolha das superestruturas de influencia nefasta à Ordem Social criada pelo Grande Verão, ex ex ex membro da Liga dos Amigos da Família, Fado e Futebol, ex ex ex ex membro da escola primária de S. Benevides da Touca OFERECE-Se....só 24 Euros à página, letra 11, e margens 3x3x3x3.sem recibo por causa do TC (o de contas...).
26.Outubro.2008
... : Orlando
Senhor Dr. Mário Mendes

Antes de agir nas novas funções não se esqueça de MUDAR a MENTALIDADE das hierarquias na PSP/GNR ou então terá problemas como os seus colegas tiveram na PSP. É que os "senhores" oficiais da PSP, ao que parece agora querem ser directores disto e daquilo, funcionam por quintas e quintais e aprova disso é o Comando do Porto onde há dois serviços de informações a funcionar no mesmo piso só por questões de ego de alguém!!! E muitas outras coisas...
26.Outubro.2008
... : Orlando
E mais senhor Dr., não se pode exigir a pessoas completamente desmotivadas e sem apoio algum das hierarquias!!
Os "senhores oficiais" da PSP não acompanham os seus colegas agentes em lado nenhum e isso tem que mudar como tudo o resto.
Como vê tem muito trabalho pela frente, se é que quer MUDAR realmente alguma coisa!!
26.Outubro.2008
... : Mizé
eu cá só queria ser secretária...de segurança. Mas a vida ... foi feliz para mim... já me contento com despachar processos.
27.Outubro.2008
... : Baltasar
Bonés há muitos...
Ah! Eram chapéus... peço desculpa. Às vezes precipito-me.
27.Outubro.2008
... : Barracuda
Já me tinha passado pela cabeça que os métodos do melhor português de sempre haveriam de criar émulos e vir de novo a ser modernos. É preciso dizer assim pois tudo o que tem mais de 10 anos é retrógado e ou vira progresso ou fica retrógrado. Conheci o tal, o maior, conheci é um pouco de presunção já que nem sequer me era dado abrir-lhe a porta do carro, mas conheci-o na minha insignificância, de ontem, como a de hoje aliàs. Sabia, por ver, que tinha o mau feitio de enviar um cartãozinho escrito com pena de pato ao encontro dos seus instrumentos de poder e que nele se limitava a agradecer os bons e leais serviços prestados. Resultado, quando os destinatários estavam a corar ao sol na praia e aparecia uma espécie de cangalheiro fardado e com sapatos calçados pela praia fora, o servidor titulado ficava logo a tremer: lá vem o cartão de despedimento... Claro que sol a mais nâo aquecia nem arrefecia. Era rua e bico calado. Agora contrata-se por telemóvel e aceita-se após madura reflexão, com o sol a bater na cabeça e o outro com a técla de attente premida. Só falta o cangalheiro praia fora, mas lá que há semelhamças há.
No mais não me atrevo a comentar. Há um fosso entre o que o Sr. Conselheiro diz e o que eu penso e como é ele o coordenador a ele a palavra mas, cá para mim, a recuparação da rua pela polícia cheora-me a esturro. E se for a polícia a ser recuperada pela rua? Eu pensava que toda a recuperação passava pela Escola e depois pelo trabalho dignamente remunerado, mas enfim.
Ficam-me umas dúvidazinhas sobre quando a sua intervenção real embraia, porque razão um juíz vai coordenar polícias em fase de actuação técnica e quem tem a chave de contacto para que a coordenação arranque em termos oparacionais, i.e, quando passa de espectador a interventor.
O resto, como de costume: agitação e acalmia. O povo é sereno.
27.Outubro.2008
... : Suum Cuique Tribuere
Sobre o Sr Polícia agora nomeado devo dizer o seguinte, em jeito de troco ao Caro Mendes de Bragança: ouvi falar de uma exm,ª Colega (melhor, li nos jornais de então...) que foi promovida à Relação (no caso, a de Lisboa), tendo, por junto, 2/3 anos de trabalho efectivo na 1.ª instância. outro caramelo a quem adivinhar quem é a Senhora. daí que deste Colendo Conselheiro se pode dizer que se fartou de trabalhar como juiz, ou não?
27.Outubro.2008
... : A.Silva
As pessoas estão confusas porque as confundem.Falou o Sr.Juíz no caso de Portimão,não sei se reparou mas o assunto foi noticia de abertura de alguns noticiários televisivos durante todo o dia,mas não explicaram nada do que o Sr.diz agora.Nunca como agora a falta de respeito pelas decisões dos juízes foi tão evidente.Se preciso for até anunciam de vespera que no Tribunal tal se vai dar no dia seguinte o julgamento de A ou de B,para que ajuntamento á porta do Tribunal renda audiencias,depois discute-se com qualquer comentador de trazer por casa as decisões proferidas pelos juízes,explicando melhor os juízes julgam os reus e os comentadores televisivos julgam os juízes nos noticiários.Portanto não sei realmente o que se pode fazer para que as autoridades sejam policiais ou judiciais sejam respeitadas.Se os meninos batem nos professores vem logo uma comitiva de criançologos por a mão por cima dos meninos,crescem batem nos policias e batem nos juízes como já tem acontecido.
27.Outubro.2008
"Portanto não sei realmente o que se pode fazer para que as autoridades sejam policiais ou judiciais sejam respeitadas."

Sr. A.Silva, a questão é muito simples. Talvez demasiado complexa para quem esteja no alto do seu pedestal, e tenha dificuldade em observar ao seu redor :

" DAR-SE AO RESPEITO, PARA SER RESPEITADO ".

É bem simples.

No "blog" supra mencionado, pode verificar o que não se deve fazer a um cidadão, para que ele não perca o respeito.

Porque quando passamos por uma experiência destas, quase apetece generalizar que : " todo o sistema judiciário, polícias, advogados e juízes é tudo a mesma . . . . . "coisa" ".

Só não generalizo, porque neste percurso de 16 anos de tribunais, também encontrei 3 SENHORES, no STJ, e só por ELES, eu não generalizo, porque seria uma tremenda injustiça.

Aconteceu-me de tudo, o pior que consiga imaginar, aconteceu-me !
A seu tempo o divulgarei, porque de facto há situações INACREDITÁVEIS !

Além disso, ainda acredito, que na justiça também há mais gente séria e competente.

E refiro-me concretamente a uma dúzia (12) magistrados, cujo trabalho, em minha opinião, foi simplesmente deplorável, para não dizer desprezível. E acredite que estou a ser moderado nesta apreciação.

RP.

27.Outubro.2008
... : A.Silva
Sr.Romão deve estar confundido quando fala do pedestal porque não tenho nenhum,não sou juíza nem procuradora nem advogada.Sou técnica de contas e estou já reformada.Portanto sou uma cidadã comum e preocupa-me ver que o desrespeito começa nos bancos da escola e em muitos casos vai-se agravando á medida que os miudos vão crescendo.Vivemos numa sociedade em que os valores se vão perdendo e cada um faz pela sua "vidinha"
27.Outubro.2008
... : Mendes de Bragança
Suum Cuique Tribuere :
Sei muito bem quem é essa Senhora Desembargadora que refere no seu comentário.
É por essas e por outras que o EMJ deveria ser alterado no sentido de apenas permitir aos juízes a colocação em comissões de natureza judicial.
Comissões de natureza não judicial, ou seja, políticas, deveriam ser proibidas para os juízes.
A regra deveria ser esta: quem quer ser juiz não pode andar em comissões de serviço. Deve fazer a sua carreira só nos tribunais. É lá que eles fazem falta e não nos gabinetes ministeriais ou na UE.
Estamos entendidos?
28.Outubro.2008
... : Baltasar
Parece-me que o Mendes de Bragança tem razão.
Os juízes fazem falta nos tribunais. É para isso que são juízes. Foi para isso que foram formados e receberam formação. Foi para isso que prestaram os respectivos compromissos de honra.
Não foi para fazer fretes a um primeiro ministro néscio e intelectualmente limitado que quis salvar e apaziguar as àguas que se levantaram aquando da criação de um cargo totlitário e fascista como este... que vergonhosamente um juiz foi ocupar.
Um juiz não faz fretes.

28.Outubro.2008
Senhora Dª. A.Silva, antes de mais, as minhas desculpas por a ter tratado por Sr. .

Quanto ao pedestal, quase tinha a certeza que não lhe seria aplicável, mas o comentário não lhe era expressamente dirigido.

Mas que a situação existe, disso não tenho a menor dúvida, e essas pessoas , têm dificuldade em olhar para baixo, provavelmente porque ainda não repararam que existe "gente" ao seu redor, ou então, coitados, devem sofrer de vertigens.

Na nossa sociedade há duas enfermidades flagrantes :

1- A questão da escola, onde me parece estarmos de acordo.

Porque as "criancinhas", são o futuro de qualquer sociedade, e quando esses alicerces nascem com as limitações que todos conhecemos, é óbvio, que não se conseguem edificar grandes "construções", nessas "fundações".
Porque é na escola, que se começa a desenhar o caracter e personalidade, e a inculcar as regras da vida em sociedade.

2- A questão da responsabilidade.

No nosso quotidiano, é vulgar encontrarmos as mais diversas irresponsabilidades, cometidas por quem quer que seja, pessoas e/ou instituições.
A resposta é uma constante; desta ou daquela maneira, a impunidade é a regra.

Para quem ainda tenha uma "pinga" de decência, é o convite à desobidiência e inevitável falta de respeito, sobretudo quando quem de direito, porque não pode ou porque não quer, fica quedo.

RP.
28.Outubro.2008
... : Rosário Marques
Cito. " Romão :
(...) porque neste percurso de 16 anos de tribunais (...)".

16 anos? Só??

Então, imagine eu que ando lá, sempre com o mesmo caso e variantes, desde 1981/82. Já são quantos anos??

Mas olhe, em beneficio da minha sanidade mental, nem me dei ao trabalho de contar quantos Juízes ou julgamentos já foram, ou os que ainda estão pendentes.

Mais, veja, já lá vão TANTOS anos, que os Magistrados que apanhei na 1.ª Instancia, estou agora a encontrá-los no Supremo. Irónico, não é?

Mais ainda, não ganhei um só processo na primeira instancia.. todos conheciam demasiado bem a outra parte... as decisões ficaram a meu favor, SÓ, quando saí daquele Tribunal.

Sabe.... é TODA a minha vida adulta!
28.Outubro.2008
Sra. Dª Rosário Marques, não conheço o seu caso e por isso seria arbitrária qualquer opinião que manifestasse.
Contudo, 26 anos numa acção, parece-me manifestamente exagerado, seja qual for a situação.

No meu caso, que pode consultar no blog supra mencionado, vou-lhe de entre várias, mencionar apenas duas situações.

-1-
O conflito roda em torno de um r/c, composto por duas lojas independentes, direita e esquerda, como foi esclarecido em resposta a quesito específico, nesta questão.

Eu ocupava o nº26, que é uma dessas lojas.Matéria assente.

Em resposta a dois quesitos, ficou provado que:
- a loja esquerda, estava fechada e em estado de abandono há mais de 3 anos.
- o nº 26 não corresponde à loja direita.

Será a Srª capaz de me explicar onde se situa o nº26, e a que loja corresponde?

Porque o tribunal não conseguiu, aliás, nem sequer tentou fazê-lo !
Mas decidiu assim, o que normalmente se designa por um absurdo. Isto apesar dos recursos junto do TRL e STJ.

-2-
A autora pede duas indemnizações, das quais não pediu juros de mora, até ao final da discussão na 1ª instância.

O TRL, no meu recurso, absolveu-me desse pagamento, precisamente com esse fundamento, pois a 1ª intância tinha-me condenado ao pagamento daqueles. Além disso, a autora conformou-se com esta decisão, não recorrendo dela.

Uns anos depois, na segunda volta pelos tribunais, a autora junto TRL, reclama os juros, que foram concedidos e posteriormente confirmados pelo STJ.
Numa aclaração junto do STJ, este respondeu que a decisão tinha sido clara, e por isso nada havia a esclarecer.

Esta questão é absolutamente académica, qualquer caloiro de direito aprende nos primeiros anos de faculdade, a doutrina nesta matéria.

Por favor, comentem, as decisões, e também se são necessários 16 anos para decidir sobre estas questões !

RP.
28.Outubro.2008
... : Rosário Marques
Ora, ora Romão... então para o caso dos outros, acha 26 anos manifetsamente exagerado! Masno seu caso, ja acha 16 anos, por duas lojas, um tempo normal.

Não se trata de dois pesos e duas medidas, pois não? ;-)

Como digo, mantenho a minha sanidade mental, não pensando nisso...

Apesar de ter partido de uma questão perfeitamente académica, que qualquer caloiro aprende nos primeiros anos de faculdade... tal como eu aprendi.
29.Outubro.2008
... : Mário Rama da Silva
Lá me irão acusar de querer introduzir regras onde o Sr. Administrador da Revista o não faz e de ser adepto de censura, lápis azul, e outras similitudes, mas continuo a não perceber porque é que os comentadores se não cingem à matéria do artigo a comentar e persistem em fazer propaganda dos seus blogues e da matéria que aí tratam, arrastando outros comentadores e transformando esta revista num mixto de blogue e de chat-room que, manifestamente, não devia ser.
Já sei, porque alguém me disse aqui, que se não gosto não devo comentar, donde concluí que só deveria comentar o que gosto, mas, de facto, não gosto de abrir um artigo sobre um determinado tema e ver metade do espaço de comentários dedicado a temas totalmente diferentes, questões personalizadas relativas a outros assuntos, ou simples propaganda de causas e blogues pessoais.
Parece-me falta de respeito pelos outros leitores e comentadores obrigá-los a ler bugalhos em artigos que tratam de alhos.
Mas talvez não... talvez agora me respondam "se não gosta mude-se" porque a liberdade é cada um escrever o que lhe apetece, quando lhe apetece e onde lhe apetece... assim como o grafitti.

Resposta do Administrador:
Dr. Mário Rama da Silva: tenho, de facto, procurado evitar não publicar comentários, porém tenho que o secundar e reiterar para que os comentários se restrinjam ao objecto do item publicado, evitando que versem sobre questões de natureza pessoal ou sobre processos concretos. Obrigado.

29.Outubro.2008
... : Rosário Marques
Mário Rama da Silva

Sei que não precisa que eu lhe dê razão, mas... tem razão. Penitencio-me.
(O que não quer dizer que não volte a cair no mesmo, mas...)
29.Outubro.2008
... : Mário Rama da Silva
Cara Colega Dra. Rosário Marques,
Obviamente o comentário não lhe era dirigido mas aos bloguistas de causas que aproveitam este espaço para as promover, e induzindo-nos, muitas vezes e a todos, a passar a comentar os temas que introduzem sem ligação com os assuntos tratados.
É que, de facto, as causas, muitas vezes justas, atraem-nos a todos e a tentação de passar a falar de outros temas é, por vezes, irresistível.
29.Outubro.2008
Sr. Mário Rama da Silva, aceito e respeito os comentários do Sr. Administrador, sendo este espaço da sua "propriedade" e responsabilidade.
E por consequência reconheço-lhe toda a legitimidade para determinar os princípios que regem a utilização deste "ponto de encontro", independentemente do que por ele seja estabelecido.

Com todo o respeito que o Sr. me merece, e aos seus comentários, cuja pertinência me parece ajustada, permita-me lembrar-lhe que não passa de um simples "visitante" como eu, e portanto com um estatuto semelhante.

As minhas desculpas se estiver enganado.

Ao tecer esses comentários incorreu no mesmo erro que me imputa, perante terceiros. Cumprimentos.
29.Outubro.2008

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