Crise é a salvação dos políticos falhados
17-Out-2008
Vasco Pulido Valente escreve na sua crónica habitual do jornal Público sobre os «mistérios da crise», defendendo a tese de que «a crise acabou por se tornar a salvação dos políticos falhados».


Segundo o historiador, os políticos andam numa roda viva de reuniões e cimeiras, passando a ideia de que alguma coisa depende deles. «Sarkozy, que andava há meses pelas ruas da amargura, resplandece em reuniões sobre reuniões, como se dele (ou delas) dependesse alguma coisa».

Para Pulito Valente, os exemplos atravessam os países da Europa à América e, por isso, Portugal também se inclui. «Em Portugal, Sócrates, muito apertado, e em risco de perder a maioria, emergiu de repente como uma espécie de "pai da pátria", tranquilizante e forte. Em Inglaterra, Gordon Brown, em vésperas de uma derrota histórica, produziu um plano "salvador", convenceu a "Europa", impressiou a América e passa agora (desconfio que por dias) pelo génio providencial do Ocidente».
 
PORTUGAL DIÁRIO | 17.10.2008
Comentarios
... : tomo s
Na mouche.....
17.Outubro.2008
... : Rosário Marques
É sim...
17.Outubro.2008
... : muito magoada com o sistema
Notícia muito importante. Falta um Tribunal para os assuntos de Saúde.
A gestão errada mata nos hospitais. Mas os magistrados carecem de outros recursos, mais especializados para julgar a negligência hospitalar, que nem sempre é da responsabilidade do médico. Grata pela atenção. Assunto que me é muito caro. O preço de ter perdido o meu Pai, recentemente, devido à má prestação de cuidados de saúde, num Hospital (E.P.E.). Não me conformo. Foi intentado processo. Mas sei que não vou conseguir nada. A Magistrada avisou-me. A negligência é difícil de provar, tendo em conta os meios de que dispôem. Apenas os peritos da OM para dar parecer. É curto. Muito Grata.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1346462&idCanal=59


Bebé nasceu com paralisia cerebral e incapacidade de 95 por cento

Tribunal de Mirandela não leva a julgamento médica e enfermeira suspeitas de negligência em parto

17.10.2008 - 16h18 Lusa

O Tribunal de Mirandela anunciou hoje que a obstetra e a enfermeira envolvidas no parto de um bebé que nasceu com lesões irreversíveis em 2003 não vão ser levadas em julgamento.

O caso remonta a Fevereiro de 2003, à maternidade de Mirandela, quando nasceu Gonçalo, um parto que se viria a revelar polémico. No dia do nascimento, estava apenas uma médica obstetra na unidade, que se terá ausentado no decurso do parto para ir comer. O bebé acabou por nascer com paralisia cerebral e incapacidade de 95 por cento. Pouco tempo depois a Inspecção-Geral de Saúde decidiu suspender por 90 dias a médica.

Este caso seria utilizado como exemplo pelo então ministro da Saúde Correia de Campos para determinar o encerramento da maternidade.

Hoje, o tribunal local decidiu não levar a julgamento a obstetra e a enfermeira envolvidas no parto. Em relação à obstetra, o juiz afastou qualquer possibilidade de acusação por omissão ou acção dolosa, decidindo pela sua não pronúncia, já que não existem indícios criminais que justificassem um julgamento. Em relação à enfermeira, António Pereira explicou que esta não será pronunciada por ter entendido que a profissional violou o dever objectivo de cuidado.

O tribunal concluiu que não existem provas para que em julgamento seja possível fazer um juízo sobre o nexo de causalidade da sua conduta e das consequências para o recém-nascido.

O juiz explicou que, citando pareceres de especialistas, as circunstâncias deste parto e as contracções da mãe requeriam outro tipo de actuação, nomeadamente a redução de um medicamento que estava a ser administrado, a Oxitocina. A regularidade cardíaca do feto indicaria também que a situação não seria normal como entendeu a enfermeira, pelo que seria sua responsabilidade alertar a médica para a situação.

Porém, os mesmos especialistas concluíram que as consequências para a criança são desproporcionais a estes episódios, pelo que apesar de provável, não ficou claro o nexo de causalidade.

As duas mulheres não irão a julgamento com base nestes argumentos, mas o juiz de instrução António Pereira dirigiu uma advertência às duas mulheres, bem como aos responsáveis e gestores da saúde. "Um médico tem a obrigação profissional de deixar de comer, se for necessário, para salvar vidas", começou por sustentar o magistrado, que considerou mais censurável que a ausência da obstetra para ir jantar a postura dos responsáveis na unidade que permitem este tipo de procedimentos. "Fala-se da vida de uma forma banal. Estou a referir-me às pessoas que gerem aquele hospital", reforçou o juiz.

Apesar de assumir a decisão de não levar as duas mulheres a julgamento, o magistrado incentivou os pais da criança, actualmente com cinco anos, a recorrerem da decisão que proferiu, a pedirem uma indemnização e a processarem o Estado por entender que "muita gente lida com a saúde sem lhe dar a importância que ela tem".

No final da sessão, os pais de Gonçalo, Isabel Bragada e Mário Damasceno, afirmaram que vão prosseguir com o caso nos tribunais, recorrendo da decisão de hoje para a Relação do Porto, e que vai ser pedida uma indemnização ao Estado e uma pensão vitalícia para o filho.

O advogado da médica, António Lourenço, considerou que a decisão se junta a outras no mesmo sentido, nomeadamente ao processo já anteriormente arquivado pelo Ministério Público e pela Ordem dos Médicos. O causídico observou ainda que, apesar da decisão da inspecção estar ainda em recurso no Tribunal Administrativo de Mirandela, o comportamento da médica foi considerado "exemplar" ao nível das práticas médicas e não foi estabelecido um nexo de causalidade entre a ausência por que foi punida e as lesões da criança.



comentários 1 a 2 de um total de 2 Escrever comentário

17.10.2008 - 18h52 - josé, Lisboa
APLAUDO DE PÉ ESTE MAGISTRADO PELAS PALAVRAS QUE PROFERIU. APESAR DO POUCO SUCESSO NA PROVA DA NEGLIGÊNCIA, É PRECISO QUE SE SAIBA QUE ESTA NEGLIGÊNCIA OCORRE DEVIDO ÁS DECISÕES POLÍTICAS E NÃO TANTO POR INCOMPETÊNCIA MÉDICA OU DE ENFERMAGEM. HÁ POLÍTICAS CRIMINOSAS QUE SE ESTÃO A PRATICAR EM PORTUGAL. É URGENTE A CRIAÇÃO DE UM TRIBUNAL ESPECÍFICO PARA ESTES CASOS DE SAÚDE. UM TRIBUNAL MUNIDO DE ESPECIALISTAS E MEIOS PARA AFERIR, SE HOUVE OU NÃO NEGLIGÊNCIA, QUAIS AS RAZÕES QUE ESTÃO NA ORIGEM DESSA NEGLIGÊNCIA E A QUEM DEVEM SER IMPUTADAS AS RESPONSABILIDADES. OS MÉDICOS E OS ENFERMEIROS QUE NÃO SE CALEM, POR FAVOR. E QUE DENUNCIEM O QUE SE PASSA. COMO ESTÃO A SER GERIDOS OS HOSPITAIS. SIM, PORQUE OS TÉCNICOS DE SAÚDE TAMBÉM SÃO VÍTIMAS DESTA GESTÃO. EMBORA NÓS, FAMILIARES É QUE SOFREMOS MAIS COM A PERDA DOS NOSSOS MUITO QUERIDOS FAMILIARES QUE MORREM, E NÃO DEVIAM TER MORRIDO.

17.10.2008 - 16h58 - Laura, País onde a justiça (não) funciona...
Epá...a sério? Não estava nada à espera qua as absolvessem! No nosso país esta é uma decisão completamente inédita! Raio do puto q decidiu nascer logo quando a larica já apertava à Sô Dôtoura!...A culpa é do miúdo, pois claro!...


17.Outubro.2008
É-me incompreensível como em 2008, século XXI, as ditas "Democracias Ocidentais", continuam a depositar quase todo o poder, neste caso político, nas "mãos" de um "Salvador da Nação", chamando este, posteriormente os seus "Acólitos".

Quando temos maiorias absolutas, então normalmente caímos em evidentes "ditaduras democráticas", e que se invocam representantes da vontade popular, para se permitirem a todo o tipo de arbitrariedades.

Isto seria tolerável, quando o nível de formação das populações era muito baixa, e a capacidade de intervenção também o era. Mas hoje, haver um único indivíduo que decide e governa, quase a seu belo prazer . . . ., a democracia que conhecemos, em minha opinião, está enferma . . .

Talvez a crise financeira universal a que hoje assistimos, seja a primeira pedra, para algumas modificações que se adivinham.
17.Outubro.2008
... : Suum Cuique Tribuere
VPV é um pessimista chapado, é certo (gostrá da música dos Joy Division, como eu?), mas o problema é que o pessimismo que (d)escreve é fotocópia do mundo real em que vivemos de há mais de 30 anos a esta parte. A prová-lo, mais este certeiro artigo. Por isso, aguado ansiosamente pela 6.ª feira, para começar a leitura do Público... sempre pela última página (chateia-me soberanamente as duas semanas anuais em que o não posso fazer... por ele ir de férias).

17.Outubro.2008
... : Rodolfo Massimo
Não sei se estes políticos da era contemporânea são incompetentes, ou se mentem com todos os dentes. O que verdadeiramente sei é que nunca se imaginaria, há quinze anos atrás, que as capacidades intelectuais e morais dos detentores de cargos políticos chegariam a um nível tão baixo.

Deste modo só me apetece dizer:

Neste país amaldiçoado / A incompetência é bem paga / Os falhados são eleitos / E o povo não tem nada.

RM

18.Outubro.2008
... : Joao Sumelha
Romão: o que está bem para si? Um pastelzinho de nata em Belém...
Falta-lhe concretizar "ditadura democrática". Um governo é eleito para decidir! se decide mal, tem o voto...Se acha que merece melhor, candidate-se!
Rodolfo: o povo nao vai votar de pistola apontada...Ou qd os politicos eram competentes não dizia a mesma coisa...Parece que sim!

Estamos na era do vazio. Vazio de discurso. Vazio de serenidade. Vazio de valores/virtude.
Claro que agora se arrebanhaam os profetas anticapitalistas, a proclamar vitória. Ridículo! Andavam derrotados e escondidos, e até faziam favores textuais à direita fútil, enfim a patetice da má-fé intelectual. Nada que o Ocidente não desconheça.
A crise de agora só é crise com a ridicula intervenção estatal de garantir tudo...A Economia Futura demonstrará a falibilidade destas garantias. Água em areia fina...A crise demorará o tempo que os Estados derem na intervenção.
Também há uma oferta e uma procura no Tempo.
18.Outubro.2008
... : Rodolfo Massimo
Chegou mais um que ainda vive na era das trevas, no entanto, pelo que se observa, defensor da máxima, a mim ninguém me dá lições, nem de ética, nem de moral e muito menos de política. A esquerda modernaça no seu melhor, que nada diz no seu discurso, como nunca disse no passado, senão arrogar-se de uma intelectualidade que nunca teve. Ou antes, bastava um deles ser intelectual para todos os outros trazerem a si esse mesmo estatuto, coisas fúteis que os seus escritos bem demonstravam, e melhor demonstram agora. Estamos na era . . . , pois estamos, na era da incompetência dos engenheiros formadas na universidade das novas oportunidades, e dos seus oportunistas acólitos, como diz o Romão, e bem, que mais não fazem do que puro ilusionismo económico-financeiro. Claro que o povo não vai votar de pistola, há muitas formas de ser coagido ou enganado, algo que pelos vistos o Sumelha ainda não percebeu.

RM
19.Outubro.2008
João Sumelha: a minha vida rege-se pelo princípio " Máxima liberdade, Máxima responsabilidade".

É demagogia, é utopia, ...., olhe que não, é bem fácil !

Desde há trinta anos, SEMPRE, trabalhei por conta própria, e por consequência nunca tive patrão, e sempre fui avaliado e pago, pelas reais prestações que desenvolvo.

Uma das minhas grandes preocupações, entre outras, é avaliar continuamente, se mereço o dinheiro que me pagam.

Talvez por consequência, sou extremamente, qui çá, suficientemente exigente, naquilo que faço. E exijo dos outros, um comportamento semelhante. Apesar disso, os meus colaboradores, pouco se alteraram nestes 30 anos, talvez por terem entendido, que é a postura correcta, ou pelo menos, a desejável.

As questões que indirectamente coloquei, são simples :

Será que seremos (nós cidadãos), menos competentes que muitos dos governantes?

Faz algum sentido, que um país seja "quase" dirigido por uma única pessoa, que decide sobre questões, de que está mal informado, ou mesmo desconhece?

Será que, e são os próprios políticos que o reclamam, não é desejável muito mais poder local, o que implicitamente obriga a uma maior participação das bases?

Será que não é legítimo deixar, às populações resolverem os seus próprios problemas, que melhor conhecem que ninguém?

Terá que ser "o salvador", através de Regulamentação, Despachos,......, a miraculosamente resolver as questões?

Seguidamente, apresenta-se outro "salvador", que chega e por razões diversas, altera tudo.

É que a solução da Madeira, pode não servir aos Açores !

Discordo profundamente, quando ouço, "porque na Alemanha é...", "porque em França, a experiência ......", a nossa realidade é diferente. E cada caso é um caso distinto, talvez totalmente diferente.

Será que o João Sumelha, não se sente com competência e capacidade suficientes, para resolver muitos dos seus problemas?
Precisa que alguém os decida por si?

Pense no novo aeroporto de Lisboa, no novo Casino de Lisboa, quanto é que pagámos inutilmente, por causa das decisões dos tais "salvadores"?

Não será mais sensato, deixar essas decisões, a técnicos permanentemente nesses domínios, e que desde sempre conheceram as realidades aplicáveis a cada caso.

No caso da justiça, área onde não pertenço, não seria mais equilibrado, ser "um qualquer colégio de juízes, com N elementos", a criar as "ferramentas", que os seus pares vão ter que utilizar no seu quotidiano. Alguém melhor que eles conhece a realidade, e toda a problemática, que envolve a sua actividade?

Será razoável, colocar um licenciado em direito, à frente do ministério da saúde?

É óbvio, que tem que haver "alguém" que administre, e faça a gestão da sociedade. Agora a capacidade decisória pertence a esta, sustento eu, através de "N representantes permanentes, eventualmente elegíveis pelos seus pares".......

A filosofia é de criar colégios que decidam o que fazer, quando e como!
A concretização, essa não me exija a solução, não por ela ser inviável, mas apenas pela complexidade.

Seguramente a corrupção e tráfico de influências, ficaria bem mais dificultada.

Espero ter sido explícito, cumprimentos, continuação de bom fim de semana.

19.Outubro.2008
João Sumelha, só um esclarecimento.

Pessoalmente, nada tenho contra o actual regime político ou democracias ocidentais, antes pelo contrário.

Simplesmente acho que podemos e devemos fazer bastante melhor, porque temos condições para tal.

Sou um perfeccionista, talvez! Sou um apaixonado pelo voo, e creia que aí, normalmente, as irresponsabilidades só se cometem uma vez, e não é necessário que ninguém nos venha pedir explicações por tal, para respondermos por elas.
19.Outubro.2008
... : João Sumelha
até troquei os olhos com os textos: em nada sintéticos.
Como não me elevo à abstracção do "cidadão"...não uso o vago.
A repetição gigantesca. É vago, mas existe nos textos.A modificação da gramática do texto. Talvez, incompreensível. As sucessivas igualdades na criação de raciocínios generalistas.É péssimo porque falseia o discurso.

Uma coisa é corrupção, outra tráfico p. ex.. Mas concordo consigo na síntese q consegui fazer.

Por ultimo, eu não percebo: "Claro que o povo não vai votar de pistola, há muitas formas de ser coagido ou enganado, ..." Que formas? óbvio q n percebo...

Curiosidade: na literatura italiana, "vago" implica doçura...Doces!

19.Outubro.2008
... : Maria Rita
Caro João Sumelha

Com todo o respeito, julgo que estamos simplesmente a trocar comentários e fomentar pontos de vista,

não seja tão severo consigo próprio...
no fundo, todos temos um ponto de vista sob determinada matéria, até que nos mostrem que por A B, se poderá ver a situação com outros olhos.

Será mais fácil, para quem lê, obter uma explicação, ao invés de ficar completamente estonteada com tamanha troca de quase "insultos".

Até porque não me parece nada que tamanha capacidade de expressão, tenha tido dificuldade em compreender o comentário do EXMO sr Romão.

Já agora, mi piacchi Italiano per tutto lei vago.

mas fiquei na dúvida...é que não consegui encontar uma única vez a palavra vago, descrita no comentário do "colega", além disso, crio que o discuso foi proferido em português, julgo eu..

Um Abraço
23.Outubro.2008

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