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Sargento não leva a menina a Tomar. O sargento-ajudante Luís Gomes não vai hoje levar a pequena Esmeralda a casa da mãe biológica, em Tomar, ao contrário do que determina o despacho do Tribunal de Torres Novas. Alega não ter condições económicas para cumprir a decisão do Tribunal. Entretanto, o Tribunal vai pedir à tutela do militar que o dispense do serviço para se poder deslocar no futuro.
O despacho da juíza Sílvia Pires é
peremptório se Luís Gomes e Adelina Lagarto (casal que detém a guarda
provisória da menina da Sertã cujo poder paternal é disputado nos
tribunais) não cumprirem a última decisão do Tribunal de Torres Novas -
que estipula visitas semanais nas casas dos progenitores - o sargento
do Exército poderá ver anulada a suspensão da pena de prisão, aplicada
pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), em Janeiro último. "Luís Gomes
terá que se ausentar do seu local de trabalho para cumprimento do ora
determinado, bem como de todas as decisões tomadas e a tomar no
presente processo, em consonância com o dever que lhe foi imposto pelo
STJ para suspensão da execução de pena de prisão, sob pena de, não o
fazendo, a mesma ser revogada", adverte a juíza no seu despacho. O
casal já recorreu da decisão.
Fonte próxima de Luís Gomes explicou que este novo regime de visitas
não segue a decisão do Tribunal da Relação de Coimbra, segundo o qual,
explica, "os encontros devem acontecer em locais determinados em acordo
com o casal". Ora, frisa, Luís Gomes e Adelina Lagarto não podem
concordar com este regime, uma vez que "não têm condições, nem
financeiras, nem anímicas, para levar a menina a fazer tais visitas".
Luís Gomes é, actualmente, o único a trabalhar e a auferir vencimento,
uma vez que Adelina Lagarto - que está para ser julgada por sequestro e
subtracção da menor, Esmeralda - está desempregada. "Ele já tem que se
ausentar do trabalho para levar a menina, semanalmente, às consultas de
pedopsiquiatria, em Coimbra,o que tem custos", explica a fonte,
frisando que, se se somarem as deslocações semanais à Sertã e a Tomar,
a situação económica complica-se.
Por outro lado, questiona ainda a mesma fonte, "como pode o casal- que
foi classificado pelos médicos como 'o porto seguro da menina'-
transportá-la para uma situação que ela teme e não quer que aconteça?".
O casal já recorreu. Mas, enquanto aguarda pela decisão judicial, o
regime de visitas tem que ser cumprido.
E, segundo a juíza do Tribunal de Torres Novas, esses encontros com os
progenitores começam já na primeira semana do mês de Abril. O despacho
da juíza desvaloriza ainda os argumentos invocados pelo casal,
considerando que "o sacrifício de ordem anímica e económico que lhes é
pedido é meramente temporário", uma vez que a menina será entregue ao
pai no final do mês de Abril. E ainda lembra que, neste processo, nem o
pai, Baltazar Nunes, nem a mãe, Aidida Porto, se lamentaram das
deslocações que semanalmente têm feito para visitar a menor, em Torres
Novas.
CORREIO DA MANHÃ E JORNAL DE NOTÍCIAS | 01.04.2008
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