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Em Portugal, quando se trata de pequenas dívidas, é mais fácil meter as
mãos ao pescoço do devedor do que levá-lo a juízo", disse António
Marinho Pinto, orador principal num jantar-conferência na Universidade
Lusíada do Porto. O bastonário da Ordem dos Advogados criticava assim o
funcionamento dos tribunais, que afirmou ser pensado "para os que lá
estão e não para os que lá vão".
Marinho Pinto, numa sessão dedicada ao ‘Ensino
Jurídico e formação profissional do Direito’, disse que 'os tribunais
são um paraíso para os caloteiros'. 'As pessoas que vão aos tribunais
por não conseguir cobrar dívidas são maltratadas. Há uma cultura nos
tribunais de desvalorizar o pequeno litígio. Em Portugal, no entanto,
mata-se por um pedaço de terra', justificou.
Perante
uma plateia repleta de estudantes, anunciou não ser 'um mensageiro de
boas novas': 'Há uma massificação na profissão e para se ser advogado é
necessário que o candidato seja rico ou tenha familiares com escritório
já aberto.'
O convidado afirmou ainda que o rácio
de advogados por habitante, em Portugal, é de um por 350 habitantes,
valor muito superior ao um por cada seis mil na Finlândia. Assim, disse
que não sendo o Estado a pôr um travão à massificação da profissão será
a Ordem a impor os limites. 'Actualmente, não basta ter o curso para
exercer', sublinhou.
O quadro é negro para os
futuros advogados, até porque, segundo Marinho Pinto, 'o Governo tem
apostado numa desjudicialização que tem tirado emprego aos advogados'.
O orador deu como exemplo o trabalho feito nos Julgados de Paz que
catalogou como uma 'vergonha'. 'As decisões são sempre a favor dos mais
fortes e dos que têm mais dinheiro', sustentou.
O
bastonário pugnou por uma maior intervenção da Ordem no acesso à
profissão, porque, disse, 'o mercado não pode escolher os melhores, uma
vez que esta é uma profissão em que a ética e a deontologia têm uma
força enorme'.
CORREIO DA MANHÃ | 11.05.2008
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