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A pacificação dentro da Ordem dos Advogados (OA) parece estar cada vez mais longe. O mais recente episódio de desentendimento interno resultou na demissão em bloco dos dez membros ainda em exercício da Comissão Nacional de Estágio e Formação (CNEF), que deste modo seguiram o exemplo do já demissionário representante dos Açores. A saída registada na última semana, em divergência com o modelo de formação aprovado pelo conselho geral, fez subir para 18 o número de advogados que, já este ano, bateram com a porta ao exercício de funções em órgãos dirigentes ou executivos da Ordem.
A demissão de todos os membros da CNEF, que terá efeito a partir de amanhã, é justificada, em comunicado, com “a profunda discordância quanto ao modelo agora preconizado para o estágio e formação, bem como para o próprio acesso à profissão”. Em causa está o novo Regulamento Nacional de Estágio, aprovado já este mês pelo conselho geral da Ordem, presidido pelo bastonário Marinho e Pinto. O documento em causa entra em vigor a 1 de janeiro de 2010, bem como o também novo Regulamento da Comissão Nacional de Avaliação, responsável directo por outro abandono, também na última semana, do representante do Conselho Distrital do Porto neste último organismo, o advogado Pedro Pinheiro Torres.
Em declarações à Lusa, o presidente do distrital portuense, Guilherme Figueiredo, atribuiu entretanto a Marinho e Pinto a responsabilidade pelas várias demissões. Para o mesmo dirigente, estas saídas vêm demonstrar que “um dos gravíssimos problemas da Ordem é a forma de agir unilateral do bastonário e o facto de o conselho geral estar fechado sobre si próprio”.
Só este ano, Marinho e Pinto assistiu à demissão de cinco elementos do conselho geral, bem como do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem, José Augusto Rocha, que o bastonário indicara para o cargo. Entre as saídas da última semana contam-se os três elementos da CNEF designados pelo actual líder dos advogados para aquela comissão.
António Marinho e Pinto desvalorizou recentemente as saídas dos cinco membros que integravam o conselho geral. O Negócios procurou ouvir o bastonário sobre as demissões mais recentes, embora sem sucesso até à hora de fecho desta edição.
JORNAL DE NEGÓCIOS | 30.12.2009
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