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António Marinho Pinto, Bastonários da Ordem dos Advogados, continuou
anteontem à noite a sua cruzada contra os sindicatos que representam os
juízes e magistrados do Ministério Público (MP). Para o bastonário, as
estruturas sindicais “só existem para defender os interesses pessoais
da classe, para terem menos trabalho e mais dinheiro ou privilégios”.
O bastonário falou numa reunião promovida pelo Rotary Club de
Ermesinde, perante outros convidados da área da Justiça. Marinho Pinto
voltou a atacar a classe dos juízes e dos procuradores, a quem atribuiu
as maiores culpas pelo “mau funcionamento da Justiça em Portugal”.
Marinho Pinto acusou ainda os juízes de tratarem os utentes dos
tribunais, testemunhas ou arguidos como “servos ou criados”.
“Se eu mandasse, proibia os sindicatos das magistraturas”, afirmou
Marinho Pinto, apontando como contrapartida o aumento salarial dos
magistrados “para não serem aliciados”. Sobre esta matéria, disse que
“temos magistrados, por exemplo no futebol, a receber por baixo da
mesa, através de cartões de crédito”.
As palavras de Marinho Pinto foram ouvidas por um procurador do MP
presente na sala e que reagiu. “Não sou sindicalizado, mas esse é um
direito que me assiste”, esclareceu Paulo Óscar. O procurador criticou
o bastonário por não indicar as soluções para os problemas que atribui
aos magistrados. “É como o Octávio Machado quando estava no Porto, que
dizia: ‘Vocês sabem o que quero dizer’”, referiu.
Respondeu ainda a
Marinho Pinto quando este disse que os magistrados iam fazer os cursos
e depois já mandavam nos tribunais. “Então e os advogados, tiram o
curso, têm a carteira profissional e até podem ser os maiores
tapadinhos”, disse o procurador do MP.
O debate abordou ainda o funcionamento dos tribunais e o novo mapa judiciário.
CORREIO DA MANHÃ | 29.05.2008
Abolir os sindicatos dos magistrados; aumentar salários dos juízes e
procuradores; mudar o sistema de carreiras e criar um único órgão de
gestão e disciplina das magistraturas. Estas quatro medidas são parte
da solução dos problemas da Justiça apresentadas pelo bastonário da
Ordem dos Advogados (OA), anteontem, num jantar debate do Rotary Clube
de Ermesinde, no qual não poupou os magistrados, atacando os seus
alegados privilégios e atitudes arrogantes.
Aumentaria os ordenados dos magistrados para que não haja a mais
pequena tentação de procurarem formas alternativas de ganhar dinheiro
que não as lícitas. Não podem ganhar em outras actividades, como por
exemplo dar aulas. Daí que haja formas encapotadas de remuneração, como
os cartões de crédito ou viagens”, argumentou António Marinho e Pinto.
Num discurso violento - num contexto de ameaça de corte de relações,
por parte da Associação Sindical dos Juízes Portugueses -, o
responsável da OA insistiu na “aberração” da existência dos sindicatos
de magistrados.
“Como é possível existirem sindicatos de órgãos de soberania? Quem é o
patrão? É perverso e antidemocrático. Os sindicatos existem para
interferir nos outros órgãos de soberania, nas decisões políticas. No
entanto, não se vê, por exemplo, o presidente da República a interferir
nas decisões judiciais”, sublinhou, afirmando, até, que o “o poder
soberano de administrar a Justiça foi capturado pelo sindicalismo”.
Já questionado pela assistência, Marinho admitiu vários erros do poder
político, designadamente na reforma da acção executiva “que retirou dos
tribunais a cobrança de dívidas e tirou trabalho aos juízes”. E também
na elaboração das leis: “Já não são feitas por professores de Direito.
Geralmente são por escritórios de advogados, de Lisboa, e por jovens
licenciados oriundos das juventudes partidárias, que enxameiam os
gabinetes ministeriais, assegurou.
A acusação aos magistrados é concretizada pelo advogado sobretudo pela
convicção de que os sindicatos dos magistrados “transformaram a
independência da função e dos tribunais num privilégio de classe,
deixando de ser garantia e direito dos cidadãos, do povo, em nome de
quem a Justiça é administrada”. “Respeito muito os sindicatos dos
operários, mas não os de titulares de órgãos de soberania”, afirmou.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 29.05.2008
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