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Os alvos do Bastonário criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
13-Dez-2007
Se a proposta avançada por Marinho e Pinto, o recém-eleito bastonário da Ordem dos Advogados, vingar, há 40 deputados no Parlamento português que terão de optar entre a sua profissão e a sua condição de legisladores. «Quem participa na administração da justiça não pode participar na feitura das leis. É um princípio sagrado. Quem faz as leis não pode ter clientes privados, pois já houve suspeitas de que se fizeram leis para clientes», avançou o novo líder da OA, ao Público.
Olhando para as bancadas de São Bento, os dois maiores partidos, PS e PSD, seriam os mais atingidos por este estreito regime de incompatibilidade. Nomes fortes do PSD, como Luís Pais Antunes, José Luís Arnaut, José Eduardo Martins, José Pedro Aguiar Branco, Rui Gomes da Silva, Pedro Santana Lopes e Miguel Macedo dividem as suas actividades entre o escritório e o Parlamento. Paes Antunes, por exemplo, integra o maior escritório do País, a sociedade liderada pelo ex-bastonário José Miguel Júdice. A PLMJ, tal como outras grandes sociedades, intervém em negócios com o Estado, ao serviço de privados (como privatizações). Pais Antunes escusou-se a falar sobre o assunto.
Pedro Mota Soares, deputado do CDS-PP, advogado na Mota Soares, Oliveira & Associados e membro do grupo de trabalho que analisa os registos de interesse, na Assembleia da República, entende que o regime de incompatibilidades é suficiente para evitar que alguém legisle em causa própria. «Qualquer pessoa, antes de um debate legislativo, se entender que há uma incompatibilidade pessoal relativamente ao tema que se vai discutir, pode e deve fazer um registo de interesses.»
Além da consciência de cada um, Pedro Mota Soares esclarece que a lei em vigor já estipula uma série de incompatibilidades gerais para a função de deputado.
«Acho que faz sentido, por exemplo, um deputado não poder litigar contra o Estado, mas isso já está no nosso regime de incompatibilidades», assume à VISÃO. «Também há quem defenda que a função parlamentar deve ser exercida em exclusividade. Discordo. Ter no Parlamento pessoas que desconhecem a vida real do País não é bom para ninguém.»

‘Deputado e advogado, não!’

Foi essa a razão principal para a renúncia ao mandato de deputado do socialista António Vitorino, alvo das críticas da oposição, que considerou existir incompatibilidade entre o seu cargo político e o estatuto de sócio da sociedade de advogados Gonçalves Pereira, que representava a Galp nas negociações com o grupo italiano ENI. Na altura, o PCP pediu à Comissão de Ética que analisasse o caso, mas Vitorino suspendeu o mandato, antes de haver uma decisão.

No entanto, sentam-se na bancada da maioria socialista vários outros ilustres causídicos em funções, como José Lamego, Umberto Pacheco, António Ramos Preto e Vitalino Canas.O porta-voz do PS e sócio da Vitalino Canas & Associados é taxativo: «Se houvesse um projecto-lei que envolvesse um cliente meu, declararia, de imediato, o meu impedimento de votar.»

Sobre a afirmação de Marinho e Pinto, Canas passa ao ataque: «Fiquei muito surpreendido com as declarações do novo bastonário, que são de um populismo excessivo. Acho estranho que alguém que acaba de abraçar este cargo tenha como principal desígnio excluir 20 ou 30 colegas da profissão.» E acrescenta que a própria ideia de aumentar as incompatibilidades é «completamente absurda», porque, num parlamento com 230 deputados «de vários partidos», torna-se «impensável» que um parlamentar pudesse «fazer passar uma lei para beneficiar um cliente».

Os advogados representam, tradicionalmente, a principal profissão em que são recrutados os deputados portugueses. No total dos 230 parlamentares, há 77% licenciados em Direito. E regista-se uma clara clivagem entre os que acumulam funções (40) e os que optam por assumir o mandato político (34), suspendendo a inscrição na Ordem, como é o caso de Regina Bastos (PSD), Jorge Machado (PCP) ou Nuno Magalhães (PP).

‘Fiquei muito surpreendido. São declarações de um populismo excessivo’ (Vitalino Canas, advogado e porta-vos do PS)

A intenção de António Marinho e Pinto não passa, por enquanto, de um anúncio genérico. «Estarei em blackout até 8 de Janeiro», data da posse, diz o bastonário à VISÃO. Mas esta medida consta do seu manifesto de candidatura à Ordem dos Advogados. Sob o pictórico título Deputado e advogado, não obrigado!, Marinho e Pinto escreve que «deverá proceder-se o mais rapidamente possível às pertinentes alterações do Estatuto do Deputado e do Estatuto da Ordem dos Advogados, com vista a tornar incompatível o exercício em simultâneo», destas duas funções. Neste contexto, Marinho e Pinto pretende, em breve, expor os seus motivos aos líderes parlamentares, com vista à introdução de uma proposta de lei que leve a Assembleia da República a alterar o Estatuto do Deputado. Essa será, de resto, a única maneira de consagrar esta medida, com efeitos práticos.
 
Além do Parlamento, também os advogados nos Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público estão sob a mira do bastonário.

VISÃO | 13.12.2007
Comentarios (21)add
... : AAD
Pois bem, meus senhores. Fizeram e soltaram a «besta» contra os Juízes, mas deus (é memo para ser com letra minúscula) parece que não dorme. Chegou a vez dos deputados (idem, idem). Quando chegará a dos jornalistas (ibidem)?

13.Dezembro.2007
... : ANÓNIMO
"No total dos 230 parlamentares, há 774 licenciados em Direito."

Como é que é?! smilies/shocked.gif smilies/shocked.gif smilies/shocked.gif
13.Dezembro.2007
... : Administrador In Verbis
Foi lapso de transcrição, já rectificado.
O texto correcto é "77%".
13.Dezembro.2007
... : ANTI_MAÇON PS
Isto é jogo do jornalista-advogado.
É evidente que o bloco central nunca deixará passar tal ideia. E ele sabe-o.
É mais barulho. Para coisa nenhuma a bem de todos.
Mas vai dar alguma coisa a alguns advogados ou pelo menos ao novo bastonário, que, se calhar, esquece que a OA não serve para representar os interesses dos advogados.
A OA é administração pública!
14.Dezembro.2007
... : Zé Ninguém
Para à frente Marinho Pinto! Acaba com os vendilhões do templo.
14.Dezembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Começou o folclore.
Mas não se riam muito que ele já vai bater a outra porta: à porta do costume, àquela onde mora seu ódio de estimação.
14.Dezembro.2007
... : Eça de Queirós Alternativo
Mas nem tudo são desgraças e disparates.
A Assembleia de Nova Jérsia aprovou quinta-feira um projecto de lei que abole a pena de morte neste Estado do Leste dos Estados Unidos.
O texto foi aprovado por 44 votos a favor e 36 contra.
14.Dezembro.2007
... : Mendes de Bragança
Concordo com o anterior comentário. Agora colocou verniz e anda mansinho. Vai ser sol de pouca dura. Quando o verniz estalar volta a disparar contra os juízes. Esperem pelo discurso dele na abertura do ano judicial no STJ. Acham que se vai conter e não vai vomitar ódio contra os juízes? Pois não, é ali que vai ter grande visibilidade e é esse o momento para passar a sua mensagem e as mentiras que o fizeram ganhar as eleições.
14.Dezembro.2007
... : Zé Ninguém
Meus Senhores: Marinho Pinto ganhou porque algo estava mal.Ganhou democraticamente, em todo o país, em todos os conselhos distritais, até em Lisboa, onde estão as grandes sociedades de advogados, cujos métodos ele combate. Ganhou com quase o dobro dos votos do 2º mais votado. Isso tem significado. Os senhores que o combatem já pensaram nisso ou estão simplesmentes perturbados e não conseguem raciocinar ? Os senhores foram eleitos para exercerem as funções públicas que exercem? Pensem nisso. Depois falem. Think about that.
14.Dezembro.2007
... : camarada veiga
Os problemas dos Advogados, dos juízes ,dos funcionários , da Justiça em geral, são tantos e tão diversificados que falando deles especificadamente se podem dizer 99% de asneiras e ás vezes acerta-se. Portanto o dr. Marinho, como o Dr. Júdice, nem tudo o que dizem é asneira. Ás vezes também acertam.
O dr. júdice tem razão quando afirma que a OA não pode estabelecer um numerus clausus para o exercício da Advocacia. E o Dr. marinho tem razão quando diz que não pelo caminho que isto leva não podem estar no mercado 60.000 ou mais advogados.
As soluções dum e doutro é que são disparatadas, ma ás vezes também acertam.
E o Dr. Marinho acertou quando diz que quem produz leis não pode advogar.
Vitalino Canas nunca advogou mas deve ter um escritório próspero. A clientela advem-lhe das provas dadas na barra? Se sim diga em que dia pôs os pés num Tribunal.
É evidente que uma das medidas a tomar é reforçar o elenco das imcompatibilidades, por si ou por testas de ferro. Não resolve mas ajuda.
14.Dezembro.2007
... : Mendes de Bragança
Volta e meia vem o discurso político da falta de legitimação do poder judicial.
Parabéns ao novo Bastonário. Espero que ele continue numa cruzada cega contra os juízes, que os arrase nos seus comentários, para que ninguém o leve a sério.
Vivemos um tempo em que a credibilidade das instituições, mesmo as mais sérias, é completamente destruída. Ninguém escapa à fúria demolidora de tantos frustrados. A sociedade destrói-se alegremente, o nosso tempo consome-se a si próprio.
14.Dezembro.2007
... : ANÓNIMO
O Mendes de Bragança é tão obtuso que vê ataques à Magistratura em todo lado.

O futuro Bastonário da OA não atacou a Magistratura e tudo o que disse, desde a sua eleição, tanto aproveita a Advogados como a Magistrados. Poderia, aliás, ter sido dito pelos representantes dessa classe, se estes não persistissem num silêncio ensurdecedor perante todas as barbaridades que têm sido cometidas contra a sua independência e contra o Estado de Direito em geral.
14.Dezembro.2007
... : Calvin
Sendo o actual Bastonário um ser tão «insignificante», como muitos pretendem fazer crer, não se percebe como é que se lhe está a dar tanta atenção! Até parece que o homem, no fundo, os incomoda! Ou incomodará mesmo?!!!! smilies/grin.gif
14.Dezembro.2007
... : calmaria...meus senhores...
Pode ser um homem de excessos... e é-o, certamente, mas lá no meio desses excessos sempre se vislumbra um não sei quê de verdade quanto a certo tipo de magistrados que quase se cegam de tanto olharem só para o seu umbigo... sejam juizes... sejam MPs...
Nalguns aspectos até é bom ter aparecido este bastonário! Para que as á guas se separem!
A Deus o que é de Deus... a César o que é de César...
ou não será?
Por exemplo, porque é que, como defende este bastonário, não é da exclusiva competência dos advogados o patrocínio oficioso?
Porque é que magistrados o exercem? Afinal o que são? Quase juizes, magistrados ou mais ou menos também advogados oficiosos, mais coisa menos coisa...mas com isenção e tal...sem se ser carne nem peixe... etcetera e tal....
Ai meu Deus! Que mentalidades estas...
Neste aspecto, viva o Dr. Marinho!
14.Dezembro.2007
... : Mário Rama da Silva
Já escrevi, em comentário a outro texto, que era bom que os profissionais forenses deixassem de se atacar, preservando a imagem da justiça que tantos querem enxovalharem vez de ajudarem ao enxovalho.
A crítica é saudável mas o ataque puro e simples é gratuito e só traduz azedume ou ressentimento pessoal.
Os ataques ao Bastonário a que se tem assistido por parte de alguns Juízes, ou de quem aparenta sê-lo, apenas vêm demonstrar que o Bastonário podia ter razão quando proferiu algumas declarações que, quanto a mim, foram excessivas: é que quem não tem serenidade nem tacto nos comentários não pode, nem deve, ser Juiz.
Espremos que seja, apenas, alguém a fazer-se passar por tal.
Quanto à incompatibilidade sugerida pelo Dr.Marinho Pinto ela devia ser óbvia, não sendo admissível deputados em part-time, por pouca utilidade que tenham os que lá estão em exclusividade. Desconheço quantos Advogados terão declarado a sua impossibilidade de votar o regime das incompatibilidades quando da elaboração e aprovação desse regime,mas temo que poucos ou nenhum, apesar de ser manifesto o seu interesse pessoal.
Quanto à ideia de que os deputados devem conhecer a vida real parece excelente. Para isso há duas sugestões:
a) Não poder ser eleito deputado quem nunca tenha exercido efectivamente uma profissão qualquer durante um par de anos, não se contando os meses de funcionário num serviço ou autarquia qualquer para que foram nomeados por favor político e nunca lá puseram os pés (ficavam logo de fora os que desde as juventudes partidárias nunca fizeram outra coisa na vida senão dedicar-se a cargos políticos)
b) A remuneração dos deputados era limitada a dois salários mínimos (ficavam com a efectiva experiência de vida de muitos portugueses e já lhes dava para pensar como é que vivem os que nem isso auferem)
15.Dezembro.2007
... : Maria Antonieta
Pergunto dos "Ilustres causídicos" que estão na A.R. quantos de facto já foram à barra? limitam-se a pertencer a grandes sociedades de advogados cujos clientes são ou o Estado ou grandes empresas muitas delas públicas.
Acabem com a promiscuidade, muitas das intituladas grandes sociedades vivem muito dos estagiários, mas as peças processuais depois são assinadas pelos grandes causidicos.


15.Dezembro.2007
... : CPM
É certo que há magistrados
Que não cumprem a função
Mas esses são castigados
No momento da inspecção


Ninguém é mais sindicado
Nos variados matizes
Do que são os magistrados
As juízas e os juízes


Em todas as profissões
Há ovelhas desgarradas
E as generalizações
São, pois, despropositadas


É isso que se critica
No discurso do Marinho
P´las excepções não se fica
Leva tudo no caminho

Se há dentro dos magistrados
Exemplos a não seguir,
Não há mais advogados
Que não conseguem cumprir ?


E quem os inspecciona
Em actos menos decentes
Bastará que funciona
A crítica dos clientes ?

Por isso o Marinho e Pinto
Deve ter mais contenção
Porque eu não lhe consinto
Que volte à confrontação

Vamos esperar primeiro
P´ra vermos qual o sinal
Inaugurando em Janeiro
O ano Judicial








15.Dezembro.2007
... : Joaquim Maria Cymbron : http://legitimismo.blogspot.com
O debate vai animado como é usual por estas paragens. Estabelecendo um paralelismo com o râguebi (desporto que muito aprecio), aquilo a que assistimos não são formações mais ou menos ordenadas, mas sim autênticas formações espontâneas. Daí, o seu especial atractivo.

Não sendo advogado nem deputado, sempre direi que o assunto é deveras melindroso. Com efeito, se há argumentos que enfraquecem a posição dos contrários à simbiose operada entre advogado e deputado, a verdade é que lhes resta um de muito peso: a situação actual não consegue afastar a suspeição.

E, como em matéria de «salus populi», a regra deve ser a aplicável à mulher de César, concluo pela bondade da iniciativa que se propõe o Sr.Bastonário da OA.
15.Dezembro.2007
... : Maria Antonieta
Caro CPM,
Quem me dera escrever tão bem quadras smilies/smiley.gif
15.Dezembro.2007
... : Mendes de Bragança
Depois do que li hoje no blogue http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com, fico com a ideia reforçada de que os juízes são o alvo prioritário da paranóia do bastonário eleito.
A certa altura diz, o que sempre tem dito, ou seja, mais um disparate: "Há muitos privilégios na justiça, alguns ainda herdados da Idade Média. Quem vai a um tribunal tem de se dirigir a um juiz como se fosse um servo".
E ainda há quem acredite que ele vai moderar o seu discurso. Pelo contrário, agora que entrou no palco do poder pela porta grande da eleição, os disparates vão aumentar e os Advogados vão correr com ele antes de terminar o mandato.
Sabem qual vai ser o futuro dele? Deputado pelo Bloco de esquerda. Assenta-lhe que nem uma luva.

16.Dezembro.2007
... : CPM
Mas não é só o Marinho
Que descasca nos juízes
Na Loja essa tarefa
Tem idênticos matizes

Veja após a entrevista
O teor dos comentários
Feitos tão injustamente
E em tons bem sectários

Acusa aí os juízes
Como se fossem "vilões"
Por serem eles culpados
De todas as podridões

Por "posição dominante"
Do Poder judicial
Diz que abusam os juízes
Em cima do pedestal

Mas esquece o articulista
Em dias pouco felizes
Que o Poder Judicial
Apenas cabe aos juízes

Se é "posição dominante"
É a única também
O Poder Judicial
Não o exerce mais ninguém

É assim a decisão
P´ra nós bem e p´ra ele mal
Que sairá do Ratton
Da parte do Tribunal

E agora a terminar
P´ra que gafe não cometa
Direi muito obrigado
À Maria Antonieta
17.Dezembro.2007
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