 O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho Pinto, está livre do
processo disciplinar que lhe foi instaurado depois de ter dito na
televisão que o processo Casa Pia era uma "invenção, uma aberração
jurídica" que visou "decapitar o Partido Socialista", afirmações que
deram origem a uma participação das vítimas de pedofilia.
A decisão foi tomada por maioria, pelo Conselho
Superior da Ordem, presidido por José António Barreiros, que também já
defendeu as vítimas da Casa Pia e que votou pelo arquivamento do
processo. Houve dois votos de vencido.
Apesar do
órgão jurisdicional da Ordem ter contrariado a maioria dos argumentos
apresentados pelo bastonário – o primeiro a ser processado no exercício
de funções – o Conselho acabou por arquivar o processo, por entender
que Marinho Pinto não violou o artigo do Estatuto que impede a
discussão pública de questões profissionais. Ainda assim, no parecer a
que o CM teve acesso, os conselheiros recomendam "contenção verbal para
que a Ordem seja respeitada".
Na resposta à
participação das vítimas, Marinho Pinto alegou que, enquanto
bastonário, "tem o direito e dever de se pronunciar sobre todos os
processos, se tal se mostrar necessário". O advogado acrescentou que
falou apenas como bastonário e que não se referia ao processo que está
ainda em julgamento, mas sim a outra fase, que tinha tido como arguido
Paulo Pedroso. O Conselho concordou com o bastonário e decidiu encerrar
o caso.
PORMENORES
CONTENÇÃO VERBAL
O
Conselho Superior da Ordem dos Advogados avisa que o bastonário tem
"responsabilidades acrescidas" no que diz respeito ao comportamento
público e aconselha reserva e "contenção verbal para que a Ordem seja
respeitada".
OPINIÃO DE BASTONÁRIO
"Não
existe uma actuação como bastonário dissociável da actuação como
advogado", responde o Conselho a Marinho – que alegou ter falado apenas
como bastonário – acrescentando ainda que os deveres de lealdade
impõem-se a todos.
CORREIO DA MANHÃ | 02.07.2008
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