A possibilidade de
se iniciar um processo de destituição do bastonário da Ordem dos
Advogados (OA), Marinho Pinto, foi ontem lançada pelo semanário "Sol".
Todavia, apesar de os Conselhos Distritais (CD) da OA estarem
frontalmente contra a actuação do bastonário, e, não obstante uma ou
outra voz poder ter aflorado essa possibilidade, "a destituição nunca
se discutiu", afirmou ao JN uma fonte de um CD.
Se a destituição
nunca esteve em cima da mesa nos encontros entre os vários CD, já as
críticas a Marinho Pinto foram o prato principal. "Actualmente, há uma
total ruptura entre o bastonário e os CD", declarou a mesma fonte.
O
presidente do CD de Lisboa, Carlos Pinto de Abreu, explicou que um dos
principais pontos de discórdia foi o quebrar da tradição de convidar os
CD para o Conselho Geral (CG). "Uma coisa é nós passarmos directamente
a nossa mensagem aos membros do CG, outra é reunirmo-nos com o
bastonário e ele, depois, transmitir a nossa mensagem da forma que
entender", declarou. O advogado disse ainda que Marinho Pinto "falta à
verdade quando diz que as CD não fazem propostas, bastando consultar as
actas da CD de Lisboa que estão na Internet para confirmar as várias
propostas efectuadas". Estas posições dos CD irão ser tornadas públicas
amanhã, através de um comunicado.
Marinho Pinto, confrontado com
estas críticas, disse ao JN que vai "cumprir o programa eleitoral que
foi apresentado e sufragado com a maior votação eleitoral de sempre". O
bastonário reafirmou que nunca viu "uma proposta séria ou a introdução
de um argumento válido por parte da CD". No entanto, Marinho Pinto crê
que o verdadeiro motivo para as críticas que agora vêm a público é o
facto de ele estar a mexer com o modelo de formação dos estagiários.
Pinto de Abreu refuta esta explicação: "esse tema nunca foi discutido
entre nós, portanto, não podemos ser contra uma coisa sobre a qual nem
sabemos qual é a posição do bastonário".
O estilo frontal e
directo de Marinho Pinto é uma das suas imagens de marca e um dos
pontos mais referidos quando se pede um balanço do seu mandato. Apesar
de muitos dos advogados contactados pelo JN terem afirmado que
partilham das ideias do bastonário, não deixam de fazer alguns reparos
ao modo como têm vindo a ser transmitidas.
"Lançou questões que é
urgente serem debatidas mas fê-lo com a habilidade de um elefante numa
loja de porcelana", afirmou Silva Cordeiro. Também Jorge Bacelar
Gouveia partilha desta opinião: "há algumas críticas a fazer, mais em
relação ao estilo do que ao conteúdo, mas quando foi eleito as pessoas
já sabiam como ele era". Fernando Moura disse estar em "solidariedade
total com o bastonário que pode ter um excesso ou outro, mas é um homem
de bem, impoluto e honesto." Castanheira Barros compreende a violência
do discurso, uma vez que "se o discurso, por vezes, não é duro, ele não
passa".
Já Cavaleiro Brandão, que afirmou estar "extremamente
preocupado" com esta situação, mais do que o estilo, critica o
conteúdo. "Tem falado contra a classe e não tem actuado de modo a
garantir a unidade interna dos advogados e da própria Ordem.
O
bastonário disse ao JN que não vai mudar de estilo porque "o que está
em causa são gostos e, se me criticam o estilo, é porque não têm
críticas de substância".
JORNAL DE NOTÍCIAS | 06.07.2008