
Não foi só um, mas sim dois. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem
dos Advogados entre 2001 e 2004, já tinha entrado para a história da
instituição como o único ex-bastonário a ser alvo de um processo
disciplinar.
Depois de ontem ter feito declarações acesas, mais uma
vez, relativas ao ainda bastonário Rogério Alves e ao recém-eleito
Marinho Pinto, o Conselho Superior da Ordem dos Advogados decidiu, pela
segunda vez, instaurar um processo disciplinar contra o advogado.
Em causa estão as declarações de Júdice, nas quais este sustentou que
Rogério Alves, seu sucessor, "foi o fracasso absoluto em todos os
programas e que podia ter evitado a recente eleição de Marinho". E
apontou o dedo a Rogério Alves: "mentiu" e "conspirou".
Júdice afirmou ainda que Rogério Alves tinha utilizado entrevistas
enquanto bastonário para, ao lado dos problemas de Justiça, ter falado
"nos problemas dos seus próprios clientes".
Mas o recém-eleito bastonário também não foi poupado. José Miguel
Júdice comparou Marinho Pinto a Hugo Chávez e Mussolini. "Marinho é um
populista e foi eleito por advogados que, estando na Ordem, não querem
que os outros entrem", defendeu. Em cima disto, Júdice vaticinou ainda
que o novo bastonário, que amanhã se reúne com Rogério Alves para a
passagem da pasta, "vai falhar redondamente".
Em Julho de 2006, Júdice já tinha sido objecto de um processo
disciplinar, em que foi condenado, e prometeu desde então, em múltiplas
declarações públicas, que não entrava mais na Ordem.
Ora, segundo Rogério Alves, quem "não gosta dos titulares de cargos na
Ordem é o juiz menos habilitado a fazer qualquer opinião" sobre ela. E
foi esta a resposta que o ainda bastonário deu, de forma mais
diplomática, a estes últimos episódios. Diplomacia foi também a palavra
de ordem de Marinho Pinto, que há uma semana foi eleito com quase oito
mil votos, resultado histórico na Ordem dos Advogados. "Não me
preocupa, tenho comigo a maioria dos advogados", respondeu.
Rogério Alves mostrou-se disponível para trabalhar com Marinho Pinto,
que em 2004 foi a votos contra si mas perdeu. "Estou disponível para
colaborar com Marinho, e, apesar de não concordar com tudo o que diz,
tem o meu apoio", disse Rogério Alves ao DN.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 09.12.2007
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