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Marinho Pinto acusado de criar tensão entre Conselhos Distritais. Antigo bastonário afirma que Ordem perdeu prestígio e respeito. Marinho acusado de ganhar dinheiro com a Ordem dos Advogados. A Ordem dos Advogados (OA) “perdeu prestígio, capacidade negocial, não
é respeitada, não lidera o combate pela justiça, nem houve um único
acto legislativo que tivesse conseguido influenciar. Está entregue nas
mãos de um populista que autoritariamente comanda tudo e todos e que
entrou em conflito aberto com os conselhos distritais, o que não augura
nada de bom”.
Estas duras críticas foram ontem feitas pelo ex-bastonário José Miguel
Júdice, que num encontro de advogados, em Faro, voltou a atacar a acção
do actual bastonário, Marinho Pinto.
“Não me lembro de algum bastonário ter criado alguma situação de tanta
tensão com os conselhos distritais da Ordem dos Advogados. Quando o
poder é pessoalizado, quando não existe descentralização, quando não há
uma partilha de responsabilidades, não se verifica uma participação
democrática, pois decide tudo completamente sozinho, os fermentos do
processo ditadorial estão lá”, sublinhou, já no final, ao DN, José
Miguel Júdice. Marinho Pinto “foi, creio, o único bastonário que ganhou
dinheiro a trabalhar com verbas da Ordem dos Advogados”, denunciou.
Júdice aproveitou para enaltecer o papel do antigo bastonário Pires de
Lima por ter contribuído para “a unidade da profissão”.
No tocante ao trabalho que considera ser necessário levar a efeito na
advocacia para enfrentar os novos desafios numa sociedade em mudança, o
antigo bastonário da OA destacou, nomeadamente, a criação de um código
de conduta, o regime do segredo profissional de justiça, o regime
especial para os profissionais que trabalham em sociedades de
advogados, a descentralização das competências, medidas de apoio ao
associativismo, a alteração do regime de controlo disciplinar e a
formação contínua obrigatória. Foi, de resto, nesta matéria em que
Júdice insistiu com especial ênfase durante a sua intervenção no Clube
Farense, a convite do Conselho Distrital de Faro da Ordem dos
Advogados.
“Não se pode dizer que vamos aumentar o grau de exigência
para os que entram na profissão, enquanto que para os que cá estão não
há nenhuma exigência”, observou.“Nenhum advogado, se não investir na sua formação, consegue, ao fim de
cinco ou dez anos, estar actualizado e capaz de manter um serviço de
adequado aos clientes”, alertou Júdice. A falta de condições de
trabalho de muitos jovens advogados foi igualmente apontada.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 21.05.2008
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