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Marinho Pinto quer salário igual ao do procurador-geral se vencer as eleições. Foi o tema mais animado de um novo debate entre os
candidatos que decorreu no Porto. Marinho Pinto já tinha dito que
pretende usufruir de remuneração se ganhar as eleições e avança agora
os termos salariais de comparação. Garcia Pereira, Menezes Leitão e
Magalhães e Silva não querem um bastonário remunerado.
Marinho Pinto descascou definitivamente a cebola. O
candidato a bastonário diz que, na eventualidade de ser eleito
bastonário, pretender auferir a mesma remuneração do presidente do
Supremo Tribunal de justiça e do procurador-geral da República. "Por
uma questão de dignidade", disse na semana passada, durante mais um
debate conjunto entre os candidatos a bastonário, que decorreu no
Majestic, em plena baixa do Porto.
Nas sessões anteriores, Marinho
Pinto já tinha referido que pretende usufruir de remuneração e que visa
exercer o cargo de bastonário a tempo inteiro, salvo eventuais
incursões pelo "pro bono". Mas, ao longo das últimas semanas, estava
por desvendar a natureza do montante. Agora, a curiosidade foi
correspondida, num debate essencialmente agitado pelos argumentos em
torno da exclusividade e da remuneração.
"A Ordem recebe 12 milhões
de euros em quotizações. O que peço - igual ao procurador-geral e ao
presidente do Supremo - é por uma questão de dignidade. Paguei 24 mil
euros em IVA, que é muito superior ao que aufere o presidente do
Supremo", justificou Marinho Pinto, antes de recorrer à ironia. "Mas é
muito inferior às despesas de cartão de crédito de dirigentes da
Ordem", completou.
Menezes teme candidaturas a pensar na remuneração
O
tema da remuneração é fracturante, ainda que haja apenas duas posições:
Marinho Pinto é o único candidato a assumir a pretensão de ter um
vencimento - a concretizar-se, será a primeira vez que um bastonário
recorre a esta figura -, enquanto os outros candidatos rejeitam
liminarmente a hipótese.
Menezes Leitão foi dos mais críticos. "A
partir do momento em que o bastonário começar a usufruir de
remuneração, abre-se um precedente - é que todos os dirigentes da Ordem
podem querer fazer o mesmo", começou por criticar o candidato. "Isto
vai resultar em quotas multiplicadas até ao infinito e vamos passar a
ter pessoas a concorrer à Ordem só para ter remuneração. Esta situação
não é aceitável", acrescentou. "Um bastonário remunerado será um
bastonário no qual os advogados ainda se vão rever menos do que agora",
rematou Menezes Leitão.
Garcia Pereira contra bastonário que não exerce advocacia
Numa
linha semelhante, Garcia Pereira criticou Marinho Pinto, não só por
pretender ser remunerado, mas também por desejar exercer o cargo em
exclusividade.
"A Ordem tem que ter à sua frente um advogado e um
advogado é alguém que exerce advocacia. Estou contra a exclusividade e
a ideia de um bastonário que é alguém afastado do exercício da
profissão. E estou absolutamente contra a remuneração", defendeu o
candidato.
Garcia Pereira reforçou ainda a tese, ao dizer que "a
Ordem é uma instituição de pares e o bastonário deve ser o primeiro
desses pares". Insistiu que "o bastonário não pode perder o contacto
com a profissão" e que "a dedicação decorre das causas que se defende".
Magalhães e Silva também contra
À semelhança de
Garcia Pereira e de Menezes Leitão, Magalhães e Silva também diz que
"não deve ser paga remuneração ao bastonário".
Entre os três
candidatos que se opuseram à pretensão de Marinho Pinto, Magalhães e
Silva acabou por ser o que menos se alongou relativamente a esta
matéria.
Em relação à questão da exclusividade, o candidato a
bastonário reafirmou que não vai exercer o cargo a tempo inteiro, mas
admite um abrandamento de ritmo. "Se for eleito, diminuirei a minha
actividade, para corresponder às exigências do cargo", esclareceu.
Marinho Pinto incomodado
Marinho Pinto mostrou
algum desagrado pelos argumentos que foi ouvindo. Na sua intervenção
final, e em antevisão aos debates que faltam até às eleições de 30 de
Novembro, soltou um pedido.
"Não quero que se diga em próximos
debates que, se tiver o meu salário de bastonário, estou a marimbar-me
para os outros. Quero seriedade", terminou, numa noite agitada pelo
tema da remuneração.
JORNAL DE NEGÓCIOS | 21.11.2007
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