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Defesas oficiosas pagas a dois anos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
21-Nov-2007

Image Estado deve 30 milhões aos jovens advogados, muitos dos quais vivem com dificuldades. Um inquérito lançado aos jovens advogados, a nove dias das eleições para bastonário, revela que a classe está insatisfeita com o atraso no pagamento das defesas oficiosas, que em média demora um a dois anos. A difícil entrada no mercado de trabalho é outra crítica apontada.

"São cerca de 1220 euros por ano que deveria receber de oficiosas mas que só me são dados, em média, um a dois anos depois." Este testemunho, dado por um advogado contactado pelo DN, reflecte uma realidade que já há muito vem sendo a preocupação do sector e dos dirigentes da sua instituição. Mas, aparentemente, nada mudou.São cerca de 30 milhões os valores que o Estado deve à classe, devido a pagamentos atrasados por prestação do serviço de patrocínio judiciário. Ou seja, os advogados que estão "de escala" nos vários tribunais, de forma a garantirem que os direitos fundamentais dos interrogados sejam respeitados. E os números comprovam que a classe subscreve esta preocupação.
O atraso no pagamento das defesas oficiosas é, para a maioria dos advogados entre os 25 a 35 anos, uma das maiores críticas que são feitas à actual estrutura da Ordem dos Advogados. Segundo dados a que o DN teve acesso, integrados num inquérito divulgado ontem pelo Fórum dos Jovens Advogados (ver caixa), quase 50% dos advogados inquiridos consideram que é neste capítulo que a Ordem não cumpriu a sua missão.
Em média falamos de montantes que rondam os 1000 euros anuais - uma quota que aparentemente é baixa mas que ajuda muitos jovens advogados a sobreviverem num mercado competitivo - mas que são pagos com um atraso de um a dois anos.
Num universo de 1670 advogados que responderam ao inquérito, o DN apurou que são mais de 600 os jovens juristas que classificam este sistema de patrocínio oficioso como "mau". E 314 (perto de um quinto) que o definem como "muito mau". Um panorama que não parece muito positivo e que reflecte a insatisfação da classe face à Ordem, a nove dias dos 25 600 advogados elegerem o sucessor de Rogério Alves, bastonário até 30 de Novembro.
Estes dados são tidos em conta nos programas dos candidatos à Ordem. Para Marinho Pinto, Magalhães e Silva, Garcia Pereira e Menezes Leitão, o tema do atraso das defesas oficiosas é central.
Magalhães e Silva e António Marinho Pinto assumem, inclusivamente, que a serem eleitos vão exigir o pagamento das defesas oficiosas ao Governo.
Bastou ao DN fazer alguns contactos a advogados dessa faixa etária para perceber que o testemunho apresentado não é único. As escalas que muitas vezes obrigam os advogados a estarem horas e horas sentados à espera que as diligências comecem são "pagas tarde e a más horas", conforme o DN ouviu de vários advogados.
"Não se entende como é que uma quantia que nem é assim tanto no Orçamento de Estado da Justiça e mesmo no orçamento geral do País", garante Magalhães e Silva, "demore tanto tempo a ser paga". O candidato vai ainda mais longe a avisa que, a ser eleito, dá um prazo de dois meses ao Governo para repor o montante em dívida.
A mesma linha é seguida pelo candidato Marinho Pinto que, já em 2004, quando foi candidato ao mesmo lugar (derrotado), fazia desta questão uma das bandeiras da sua campanha.
"Os atrasos nos pagamentos são constantes", alerta a advogada Filipa Castro Barroso, que ontem fez um protesto público sobre este assunto.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 21.11.2007 

Comentarios (7)add
... : Grande Manitu
Mas ainda alguém se surpreende com o Estado na sua veste de mau pagador?
Neste caso, a situação assume maior gravidade, pois está em causa a sobrevivência ou o bem estar de centenas de jovens advogados.
Está situação só teria solução com uma posição de força patrocinada pela OA - greve às oficiosas até integral pagamento das quantias em atraso. Mas não me parece que exista coragem para isso.
Começo a dar razão ao cara de bruxa da branca de neve, quando defende que as dívidas do Estado também deviam ser publicadas na internet.
Sugestão: coloquem o Estado em tribunal e penhorem as viaturas recentemente adquiridas pelo ministério da justiça.
21.Novembro.2007
... : Maria Antonieta
Pois é meus caros colegas, pode ser que agora que o presidente do IGFIE, tem um "carrinho" novo, fique mãos largas, e nos pague os vários milhões de euros em atraso, como prenda de natal smilies/smiley.gif.
Vamos acreditar no Pai Natal.
21.Novembro.2007
... : Anónimo
Já pagou...
21.Novembro.2007
... : Mário Rama da Silva
A máquina do Estado, em todos os ministéros, está hoje dedicada às cobranças e não aos pagamentos.
A moralidade do Estado, nesta matéria, ou a falta dela, limita-se a reflectir a moralidade de quem o dirige, ou a falta dela.
22.Novembro.2007
... : Maria Antonieta
Caro Anónimo,
Tem a certeza que todos os nossos colegas receberam? e receberam já tudo?

26.Novembro.2007
... : descontente
Dois anos?
Colegas, cuidado com o prazo do 317º do Cód. Civil!
Interpelem o Estado!
30.Novembro.2007
... : fada sininho
Mas também qual é o problema?! Uma licenciatura de 5 anos um estágio de 24/30 meses não remunerado segundo a prática comum e o Estado que demora a pagar as oficiosas?? Ora meus Senhores estão-se a esquecer que este é um país em que a população nacional vive em francas condições de riqueza, sendo a Justiça e a Educação (já para não falar da ´saúde porque somos todos ricos e saudáveis) as principais preocupações do Estado...

Quem se preocupa com o atraso das migalhas pagas pelo Estado???...só porque são a sua única fonte de rendimento...Francamente


30.Novembro.2007
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