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O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, disse
hoje que a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) "faz
uma jogada de propaganda sindical pura e simples", ao ameaçar
cortar relações consigo. Em declarações
à agência Lusa, António Marinho Pinto desvalorizou o conteúdo da
carta que o presidente da ASJP, António Martins, lhe endereçou na
segunda-feira, considerando que "não são aceitáveis" as
recentes declarações do bastonário dos advogados, no Fórum da Maia. A ASJP admite
"cortar relações" com Marinho Pinto se este continuar a
"manchar a honra" dos juízes. "Podem
cortar as relações que quiserem. Aliás, nem tenho relações nenhumas
com a Associação dos Juízes", afirmou hoje Marinho Pinto.
Na semana passada,
na Maia, o bastonário afirmou, nomeadamente, que "nada mudou dentro
do tribunal desde o tempo do Marquês de Pombal", "as pessoas
têm de se dirigir ao juiz da forma mais submissa, nem com o Presidente
da República é assim", e os "magistrados são temidos, mas
não respeitados".
"É aquilo
que tenho escrito nos meus livros e que ando a dizer há muito tempo.
O problema é que estamos, neste momento, a discutir o mapa judiciário",
declarou hoje à Lusa.
Marinho Pinto
disse que a ASJP "quer pôr os juízes como donos dos tribunais
de grande circunscrição", mas "a Ordem dos Advogados opõe-se
a essa ideia", uma posição que diz que vai reafirmar hoje à
noite, numa sessão em Ermesinde. "O sindicato
dos juízes não aceita a abertura dos tribunais aos cidadãos, enquanto
a Ordem entende que eles existem para servir os cidadãos, que são
os clientes dos advogados", adiantou, preconizando uma "gestão
democrática dos tribunais".
Sublinhando
que os causídicos "são parte essencial à administração da
Justiça", o bastonário da OA defendeu que "os cidadãos
e os advogados não podem ser tratados como intrusos nos tribunais". Reiterou que
a Ordem dos Advogados rejeita que os 39 tribunais de grande circunscrição
venham a ser geridos por um juiz-presidente e por um administrador escolhido
por si. "O administrador
nunca passaria de um assessor desse juiz", acusou.
A Ordem, pelo
contrário, segundo Marinho Pinto, defende que "seja criado um
conselho de gestão dos tribunais", que integre também um magistrado
do Ministério Público e um advogado. O administrador
"devia ser nomeado pelo Ministério da Justiça, que é quem lhe
paga", e não por um juiz, defende o bastonário.
Marinho Pinto
disse que, enquanto a ASJP "existe para defender os interesses
dos associados", a Ordem dos Advogados "existe para defender
o Estado de Direito e as liberdades fundamentais dos cidadãos, além
da dignidade e função social da advocacia".
A proposta
de novo mapa judiciário encontra-se em fase de debate na especialidade
na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades
e Garantias.
LUSA | 26.05.2008
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