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O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, defendeu hoje não ser prioritário que o novo Governo altere a reforma penal de 2007, dizendo que esta foi"uma das melhores dos últimos anos".
"A reforma penal de 2007 foi positiva. Foi uma das melhores feitas nas últimas décadas", afirmou Marinho Pinto à margem de uma conferência de imprensa na Ordem dos Advogados(OA), em Lisboa, onde denunciou a "utilização abusiva" por parte do Estado de bens apreendidos aos arguidos.
No entender do bastonário, as constantes críticas feitas por operadores judiciários à reforma de Setembro de 2007, que já foi objecto de três relatórios do Observatório Permanente da Justiça, deve-se ao facto de ser positiva, sobrevivendo a "pressões e manipulações de pessoas que estão habituadas a terem uma irresponsabilidade sem limites na sua actuação". "Considero que foi das melhores reformas das últimas décadas e talvez por isso tenha sido tão atacada", acrescentou.
Marinho Pinto criticou que as leis mudem "ao sabor de grupos de interesse" e sustentou que "as leis não são as causas dos males da Justiça". No programa do Governo para a área da Justiça é referido que, após a avaliação do impacto da revisão do Código do Processo Penal, "serão apresentadas e discutidas as correcções que se apurem necessárias".
No relatório complementar de monitorização da reforma penal, elaborado pelo Observatório Permanente da Justiça, refere-se como aspectos negativos da nova legislação a restrição da prisão preventiva a crimes com pena mínima de cinco anos, a mudança do segredo de justiça ea impossibilidade de deter suspeitos fora de flagrante delito sem perigo de fuga.
O relatório complementar da monitorização da reforma penal foi solicitado pelo Ministério da Justiça e o documento foi entregue à Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais,Direitos, Liberdades e Garantias, nos termos da lei. A reforma penal alterou o Código Penal e o Código do Processo Penal e entrou em vigor em 15 de Setembro de 2007.
LUSA | 05.11.2009
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