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A Ordem dos Advogados (OA) nos Açores concluiu que a aplicação do novo
regime do apoio judiciário vai gerar dificuldades acrescidas para os
advogados da região. De tal forma que "praticamente, os obrigará a
trabalhar de graça" na protecção jurídica de pessoas com poucos
recursos, tendo em conta os custos com as passagens aéreas e a estadia
nas ilhas.
A 1 de Março, a portaria aprovada pelo Governo da República, n.º
10/2008, de 3 de Janeiro, entrará plenamente em vigor. Nessa altura, se
for aplicada tal como consta do Diário da República,
significa que os advogados não só verão reduzidos os honorários que
auferem como também terão de suportar as despesas de deslocação e
estadia decorrentes desse trabalho, sem que sejam, como até aqui,
reembolsados pelo Estado.
O artigo 25.º, no seu ponto n.º 8, é claro: "No montante da compensação
estão igualmente compreendidas as despesas em que os profissionais
forenses venham a incorrer em virtude da participação no sistema de
acesso ao direito." Essa passagem deixou a classe "chocada".
Eduardo Vieira, responsável pela OA nos Açores, mostra-se descontente
com a situação que, além de "ofensiva à dignidade" da profissão, é mais
grave na região devido à dispersão geográfica. "Não cabe na cabeça de
ninguém que um advogado fique responsável por um lote de 50 processos -
como prevê a portaria - que levam 2 ou 3 anos a ser resolvidos e receba
durante um ano a remuneração mensal de 300 euros."
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 21.01.2008
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