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Os Advogados e o novo mapa judiciário criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
14-Nov-2007

Candidatos a bastonário divididos na contestação ao mapa judiciário: Da mobilização pública à denúncia mensal das consequências negativas do novo mapa judiciário, fica a promessa, qualquer que seja o bastonário, de contestação ao Governo na área da Justiça.

Novo mapa judiciário? Não, obrigado! A resposta é consensual entre os quatro candidatos a bastonário da Ordem dos Advogados (OA). Se neste aspecto estão de acordo, o mesmo não se poderá dizer quanto às formas de contestação que defendem contra esta iniciativa reformadora do Governo. No decorrer de um debate realizado nas instalações do Conselho Distrital de Lisboa da OA, Magalhães e Silva, Marinho Pinto, Menezes Leitão e Garcia Pereira explicaram o que querem fazer neste âmbito, caso ganhem as eleições do próximo dia 30.

Manuel Magalhães e Silva evidencia que a reforma do mapa judiciário era uma necessidade, mas ressalva que, neste quadro, seria de esperar por parte do Governo uma resposta "à necessidade de combater a desertificação do interior do País", mas considera que o novo mapa acentua a litorali7ação da justiça. Por isso, tal como os restantes candidatos, diz estar disposto, caso seja eleito, a afrontar o poder político. "Comunicarei ao senhor ministro da justiça que o processo, no que diz respeito à Ordem, ficará suspenso por dois meses", clarificou.
Porquê por este período de tempo? Porque, segundo diz, será o tempo necessário para, com o apoio das delegações e com a intervenção do Conselho Geral "fazer a reavaliação de todo o processo". Só depois, sustenta, poderá ser aberta "a trincheira de luta que for necessária". Essa "luta", assegura, será feita na praça pública. "Isto, para que os nossos concidadãos saibam o que está a ser feito pelo Governo e pela Ordem em matéria de mapa judiciário", sublinha.

Assembleia dos representantes
António Marinho Pinto sustenta que uma das suas primeiras medidas, caso receba a maioria dos votos a 30 de Novembro, será constituir a assembleia dos representantes dos advogados, onde marrarão presença os presidentes de todas as delegações da Ordem. "Nesta matéria, este órgão será convocado, talvez logo no primeiro mês, para discutir e ver, ao nível e cada comarca, quais as necessidades locais em termos de administração de justiça", revela.
O advogado de Coimbra não pretende limitar a sua auscultação sobre a matéria ao interior da Ordem. Por isso assegura que irá igualmente reunir com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, para saber a posição dos seus dirigentes sobre esta matéria. "Vou procurar suscitar um amplo debate nacional sobre esta questão. Vou fazer uma auscultação das pessoas e propor alternativas ao Governo, mas tendo uma base de apoio constituída pelos advogados representados pelos presidentes de todas as delegações", clarifica Marinho Pinto.

Denúncia mês a mês
As estratégias de Luís Menezes Leitão passam igualmente pela contestação à proposta de reforma que o Governo pretende colocar em marcha. Contudo, enfatiza que "não faz sentido dizer ao Governo que tem de suspender isto ou aquilo", numa posição de claro distanciamento face a Magalhães e Silva. "O Governo neste momento liga zero às nossas ideias de suspensões", considera este candidato a bastonário. Defende antes a denúncia pública da proposta do Executivo. Mas como?
"Quando conseguirmos demonstrar que uma proposta que é feita com base em comparações com os tribunais suecos, franceses ou da Áustria não evidencia o mínimo de conhecimento da realidade portuguesa, aí sim a Ordem fará de facto o seu trabalho. " Mas se mesmo assim não for possível obter resultados, Menezes Leitão está disposto a ir mais longe: "Se não conseguirmos mudanças, então vamos denunciar, se for preciso mensalmente, as consequências negativas que o novo mapa judiciário tiver em certas realidades populacionais."

Até travar a máquina da justiça
António Garcia Pereira sustenta que "é completamente risível, por muitos amigos que tenhamos no Governo, dizermos que o bastonário, qualquer que ele seja, se vire para o ministro da justiça e diga que o processo fica suspenso durante dois meses". Para este candidato a líder da Ordem, o Executivo limitar-se-á a responder, com "pesporrência": "Quero lá saber!"
Por esta razão, Garcia Pereira defende que a contestação ao novo mapa judiciário deverá ser feita com base no pressuposto de que o futuro bastonário irá adoptar "todas as medidas que forem adequadas para combater" a iniciativa do Governo. Ou seja, "o bastonário terá de demonstrar que se predispõe a adoptar mesmo todas as medidas, designadamente que os advogados assumam ma posição conjunta de força que leve, no limite, à impossibilidade de funcionamento da máquina da justiça.
 
“[Defende] uma posição conjunta de força que leve, no limite, à impossibilidade de funcionamento da máquina da justiça.
António Garcia Pereira

Comunicarei ao ministro da Justiça que o processo, no que diz respeito à Ordem, ficará suspenso por dois meses.
Manuel Magalhães e Silva

Vamos denunciar, se preciso mensalmente, as consequências que o novo mapa está a ter em certas realidades populacionais.
Luís Menezes Leitão

Proporei alternativas tendo uma base de apoio dos advogados, representados pelos presidentes de todas as delegações.”
António Marinho Pinto

JORNAL DE NEGÓCIOS | 14.11.2007 

Comentarios (6)add
... : peço justiça
Eles fazem tudo, são muito amigos, então o actual bastonário de demagogo nada tem, tem defendido a advocacia de tal maneira que não tarda muito, os advogados nem competência exclusiva terão para advogar...
Venha o Diabo e escolha...
14.Novembro.2007
... : Artur
Ó ' peço justiça' ganhe juízo e não seja invejoso.Deixe trabalhar quem, com grande sacrificio pessoal,tem em vista unicamente o serviço público.
15.Novembro.2007
... : António
O mAPA JUDICIÁRIO ultrapassa os Advogados
Por isso é irrelevante o que digam. Ponto.
15.Novembro.2007
... : Peço Justiça
Concordo inteiramente com o comentário do "peço JustIça". Nãom percebo porque é que o Artur o manda ter juízo e não ser invejoso! Invejoso de quÊ SE O QUE ELE DISSE É PURA REALIDADE!

15.Novembro.2007
... : PensadorCelta
Mas alguém conhece o MAPA JUDICIÁRIO em concreto ?
Então, como se disse, ultrapassa os advogados. Ponto.
*

17.Novembro.2007
... : Monsieur de Voltaire
No dia em que os advogados se demitirem de emitir opinião sobre os assuntos que lhes tocam directamente, e se limitarem a "ir atrás" do que o Governo lhes manda, poderão depositar as togas no Largo de S. Domingos e ir trabalhar para as obras!
Faz parte dos seus deveres lutarem pelos seus direitos, pelos direitos dos cidadãos que são seus constituintes, e de denunciarem as arbitrariedades.
A não ser que pretendam montar os seus escritórios numas roulottes e seguirem atrás das Nutes...
26.Novembro.2007
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