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O ministro da Administração Interna
revelou hoje que dezenas de advogados vão trabalhar para o Governo para
instruir processos relativos a contra-ordenações antigas, graças a um
protocolo a celebrar segunda-feira com a Ordem dos Advogados.A
colaboração entre Governo e Ordem dos Advogados vem tentar resolver os
processos relativos às 20 mil coimas de contra-ordenação rodoviária que
poderão prescrever e que se arrastam há dois anos.
Em declarações aos jornalistas no final das cerimónias do Dia da Protecção Civil, Rui Pereira explicou que «o
problema das contra-ordenações é um problema antigo, não é um problema
de hoje e, como é um problema antigo, exige respostas muito rigorosas».
Nesse
sentido, já na segunda-feira, será assinado o protocolo que formalizará
o acordo com a Ordem dos Advogados, graças ao qual «dezenas de
advogados ou advogados estagiários vão instruir esses processos que vêm
do passado para que na realidade o Código da Estrada seja para cumprir,
seja para cumprir por todos e também no domínio das contra-ordenações», explicou o ministro.
Além
desta medida que visa pôr um ponto final nos processos sobre
contra-ordenações antigas, Rui Pereira revelou que o Governo prevê
introduzir alterações no actual Código da Estrada.
«Através
dessa alteração vai poder haver renovação de competências em todos os
técnicos superiores e será o mesmo técnico superior a tratar do
processo do princípio ao fim para haver celeridade. Vai haver uma
simplificação do processo incluindo uma desmaterialização de alguns
dados», adiantou.
Há nove meses que a reorganização da
ex-Direcção-Geral de Viação (DGV) deixou ao abandono milhares de multas
de trânsito nas antigas instalações regionais daquele organismo,
agravando-se o risco de prescrição das contra-ordenações rodoviárias.
Na
Primavera de 2007, o Governo extinguiu a DGV e criou dois novos
organismos: a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (para tratar
das contra-ordenações de trânsito) e o Instituto da Mobilidade e dos
Transportes Terrestres (IMTT), que integra outros organismos do
Ministério das Obras Públicas para tratar da área de veículos e escolas
de condução.
A ANSR funciona só em Lisboa e o instituto ocupou as delegações regionais da antiga DGV.
Há
um número desconhecido de processos de contra-ordenações que ainda não
foram recolhidos pela ANSR e que estão armazenados nas delegações
regionais do IMTT, sem que ninguém lhes possa tocar, já que os
funcionários deixaram de ter essa competência desde Maio de 2007.
Em Lisboa, na sede da ANSR, acumulam-se os processos, existindo o risco de prescreverem 20 mil contra-ordenações de trânsito.
Lusa/SOL | 02.03.2008
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