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300 euros à hora criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
26-Nov-2007

ImageEscritórios facturam milhões. As maiores sociedades de advogados portuguesas – as oito principais – têm uma facturação anual entre os 10 e os 35 milhões de euros, adiantou um sócio de uma destas firmas. Os advogados sócios dessas sociedades de advogados podem cobrar 300 euros de honorários por hora. Os lucros não são repartidos por igual.

Este valor é dividido pelos mais de 100 advogados das maiores firmas (como a PLMJ, do ex-bastonário José Miguel Júdice; a Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados, onde António Vitorino, ex-ministro do PS é sócio; e a Morais Leitão, Galvão Telles & Associados), ou cerca de metade noutras menores (como a Rui Pena, Arnaut & Associados).
Os lucros, porém, não são repartidos por igual. Um sócio pode ganhar de 13 mil a 150 mil euros mensais. Já um estagiário (inscrito na Ordem) não passa dos 750 a 1500 euros mensais, enquanto os associados ganham de 2000 a 3500 euros/mês.
Variáveis são também os honorários. Um sócio pode cobrar entre 250 a 300 euros/hora ou ficar-se pela metade (125 a 150 euros), conforme a gravidade do caso.
A vantagem das sociedades face aos advogados individuais é a da “especialização e organização”, explica a fonte contactada pelo CM, adiantando que se alguém quiser comprar uma empresa, por exemplo, “tem toda a vantagem em contratar uma sociedade”, dadas as diferentes áreas disponíveis: Direito do Trabalho, para os contratos laborais; Direito Fiscal, para perceber relação com o Fisco, e até Direito do Ambiente, se a empresa está localizada em área protegida”.
Por contraponto, lembra que “mesmo que uma pessoa trabalhe 14 horas/dia não consegue abarcar todas as áreas”, aí residindo “a competitividade das sociedades”.
Não é de estranhar, por isso, que os negócios mais lucrativos estejam nas mãos das firmas. Estas representam, por exemplo, empresas de construção ou consórcios nos negócios com o Estado. Talvez por isso, o advogado comente: “A maioria das sociedades tem um fundador ligado ao PS e outro ao PSD”.
O problema actual destas sociedades parece ser o de crescimento. É que para manter a facturação é preciso aumentar a base da pirâmide e contratar estagiários ou associados, aumentando as despesas fixas. Para ultrapassar esta dificuldade, as sociedades nacionais apostam nos PALOP, especialmente Angola, onde se prevêem grandes investimentos estatais em infra-estruturas.

VANTAGENS
Trabalhar em sociedade permite uma melhor organização do tempo e maior especialização. Por comparação com os advogados individuais, as firmas permitem um melhor acompanhamento dos processos mais complexos e mais rentáveis.

PIRÂMIDE
Apesar de ser grande o volume de facturação, na casa das dezenas de milhões de euros, a distribuição de lucros é muito desigual. Se os sócios de topo podem ter vencimentos na casa dos 100 mil euros/mês, os estagiários e associados têm ordenados entre os 1000 e os 3500 euros mensais.

A pergunta: Que medidas defende para os jovens advogados?

Garcia Pereira
Para além das medidas de combate à “desjudicialização”, à desvalorização do papel e intervenção dos advogados e à procuradoria ilícita, deverão ser adoptadas outras que destaco: Luta intransigente contra a caloteirice estatal em matéria de pagamento das defesas oficiosas; graduação do montante das quotas em função do número de anos de actividade; concessão de incentivos à constituição e equipamento de Sociedades por colegas mais jovens.

Magalhães e Silva
Criação do Instituto dos Jovens Advogados, para que tenham um lugar próprio de tratamento do que lhes é específico; um advogado em cada esquadra 24h/24h; estatuto fiscal bonificado nos primeiros cinco anos e, no mesmo período, gradualização das quotas e contribuições para a Ordem e, para a advogada mãe, suspensão da instância por dois meses e seguro de grupo com subsídio de maternidade.

António Marinho
Chamar os jovens para a liderança da Ordem e para a primeira linha dos grandes combates que a Ordem irá travar. Na minha lista tenho cinco advogado(a)s com menos de 35 anos. Pugnarei por que o patrocínio oficioso só possa ser exercido por advogado(a)s e já não por pessoas que ainda não tenham concluído a sua formação profissional. Lutar com todas as forças, sem recorrer à greve, para que o Estado cumpra, atempadamente, as obrigações do apoio judiciário. 

Menezes Leitão
Um "pacote económico" com incentivos para a inserção c progressão na carreira (linhas especiais de financiamento para criação de novos escritórios e discriminação positiva nas contribuições para a Ordem), a garantia de que o "acesso ao direito" alargado a todas as fases da actividade policial e judicial, é preferencialmente atribuído aos jovens advogados, e o pagamento automático (ou com juros) das oficiosas, cobrando imediatamente todas as dívidas em atraso.

CORREIO DA MANHÃ | 26.11.2007 

Comentarios (11)add
... : Oficioso-de-Marrazes
O discurso do Dr. Marinho é o mais cativante. Vago e impreciso. Vago, porque olhando para o umbigo diz que tem uns quantos na lista, que interessa caso seja eleito....?
Chamar os jovens para a liderança da Ordem ...e demite-se como bastonário ?
Lutar com todas as forças, sem recorrer à greve, para que o Estado cumpra, atempadamente, as obrigações do apoio judiciário. Isto é, o guito a tempo e horas.
*
Meu caro, e a FORMAçÂO ? O garfo para petiscar ? A cana de pesca? Não é chinesice.
Pois, não há capacidade nem vontade no mercado enxameado...e dar conhecimentos torna-se a curto prazo perigoso...
*
E este País continua cantando e rindo por palavras ocas...


26.Novembro.2007
... : Socrália
A grande vantagem das sociedades de Advogados, consiste na especialização "mediática" e, na especialização no dominio dos lobys e da influência estratégica.
Veja-se que as ditas sociedades famosas, estão todas sediadas na Capital, bem perto do Poder e com gente ligada, no passado e no presente ao Poder. Só assim se compreende a facturação ( para alguns).
27.Novembro.2007
... : triste estagiario
O problema não é das sociedades de advogados é da sociedade portuguesa. Quer se goste, ou não, somos, não ao nível da Itália, uma sociedade corrupta e onde o trafico de influencias é rei. O problema da ordem é outro. Quer se goste ou não o mercado não faz a triagem pretendida, logo, ela tem de ser feita pela instituição. Acontece que a instituição, diga-se elementos que gravitam dentro das estruturas da ordem, o que querem é manter fontes de rendimento e protagonismo para eles próprios ( não esqueço que também à pessoas para quem esta descrição é injusta ) e os estagiários na sua maioria prefere este sistema porque é mais fácil comprar o estagio, ver se o patrono consegue saber o que sai no exame e por ai fora, do que submeter-se a uma exame rigoroso e limpo, no final de um ano de formação e a partir dai acabar, ou com o sonho ou saber que, se não se baldar a entregar uma tese final rigorosa, já entrou na profissão. O estigma que tem ser estagiário nesta área e as limitações ao exercício da profissão são lamentáveis e impedem que jovens no inicio de carreira, ( hoje o inicio dura praticamente entre 5 a 10 anos ) se submetam a um regime assalariado sem hipótese de competir com quem esta, porque, certo certo só as despesas no fim do mês. A juntar a isso estamos sujeitos a pérolas, como as das comissões de avaliação da ordem, que chumbam trapaceiramente pessoas ao fim de 2 anos de pratica sem o minimo de pudor, apenas porque não querem alterar o estado da coisa. Ou será que alguem tem um justificação inteligente e digna para o comunicado de uma dessas comissões feito a proposito dos exames de agregação em que é dito que apesar dos esforços não foi possível uniformizar os critérios de correcção da prova ao nível dos diferente conselhos distritais. Hora o exame era igual, a grelha era igual qual é a uniformização que faltava? Era a da coragem de dizer que o que vale são outros critérios que variam de conselho para conselho e não os conhecimentos. O estagio tem de ser mais Curto, intenso e rigoroso e abrir uma vez por ano ( e não valem as desculpas habituais porque o que esta em causa, mais uma vez não é nenhum critério valido )
28.Novembro.2007
... : IURIS
Essa das sociedades estarem mais aptas a resolver os problemas, em virtude das especializações é muito boa!!!!!...Como se as soluções para cada problema tivessem de ser dadas ao minuto. Pois! É bom que se diga que qualquer advogado que se preze e que utilize aquela velha máxima "estudar um caso de cada vez como se fosse o único" dará tão bem conta do recado como se de uma uma Gigante sociedade se tratasse..........A única vantagem para o cliente é ter o gosto de pagar avultadas somas de dinheiro e claro está a vantagem do próprio estado (deputados com os pés dentro e fora das sociedades!!!!!!!!!!) em pagar às ditas sociedades pareceres que já foram analisados por distintos colegas na própria na A. R.
28.Novembro.2007
... : LOOOL
KE ABUSO smilies/grin.gif
29.Novembro.2007
... : Credor do Estado...
Esta notícia não consegue deixar de me parecer como uma forma de publicitar aqueles que já tanto recebem...
29.Novembro.2007
... : ADVOGADO PEQUENO E QUASE ISOLADO : http://ADVOGADO
ESSA DAS GRANDES SOCIEDADES FAZEREM MELHOR QUE AS PEQUENAS OU OS ADVOGADOS EM PRÁTICA ISOLADA....SÓ DÁ VONTADE DE RIR E CHEIRA A MARKETING PAROLO!!! TENHO VISTO COLEGAS DE "GRANDES" SOCIEDADES A LHAREM COM INVEJA PARA O TRABALHO DOS MAIS PEQUENOS E A FICAREM SURPRESOS COM A ABRANGÊNCIA DOS CONHECIMENTOS DESTES!ACONTECE...E DEPOIS NEM 200 NEM 300 Á HORA! COBRA-SE O JUSTO E O ADEQUADO E AINDA SE TEM ACOMPANHAMENTO PERSONALIZADO. QUEM QUER BOA ADVOCACIA SABE A QUE PORTAS BATER...
30.Novembro.2007
... : CL
Deixemo-nos de sofismas. Trabalho sozinho - em prática isolada como alguns lhe chamam - e não tenho dúvidas nenhumas que numa sociedade o advogado consegue adquirir um grau de conhecimento e experiência em determinada área do Direito que sózinho não conseguiria. Estou até convencido que daqui a uns anos veremos a Advocacia muito mais especializada, à semelhança do que acontece com a Medicina. Quem me dera poder dedicar-me apenas a um ou dois ramos da ciência jurídica sem me dispersar pelos demais. Não me venham dizer que um advogado generalista de uma comarca pequena consegue estudar em detalhe e num prazo razoável questões variadas, v.g. preços de trânsferência (IRC), fazer planeamento fiscal a uma empresa mesmo de pequena dimensão, interpor uma acção no TJCE ou impugnar matéria administrativa em Direito do Urbanismo e Ambiente, só para dar alguns exemplos. Temos de ser intelectualmente sérios e não há estados de alma que justifiquem o sofisma.
30.Novembro.2007
Pois, CL, tem toda a razão. Mas quando se fala nos honorários dos advogados até parece que ganhamos todos o mesmo e que os advogados vivem todos muito bem... O que é a realidade das sociedades de advogados não é a realidade da advocacia "tradicional". Quantos colegas nossos conheci eu que nem sequer conseguem pagar as quotas da CPA? E quantos mais vivem em condições complicadíssimas, na angústia permanente de não saberem como será o seu amanhã. Quando olhamos para uma determinada realidade, há que saber dissecá-la no seu todo, vê-la na globalidade e não apenas olhar para o ângulo que nos apetece...
02.Dezembro.2007
... : :(
O que me entristece verdadeiramente, é o facto de ter-mos uma ordem cujo principal objectivo é cobrar quotas...e que altas que elas são...não se preocupando com o verdadeiro estado dos advogados nos dias que correm...e que maus que são...
04.Dezembro.2007
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