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Beneficiários da ADSE esperam muito mais tempo por cuidados de saúde do
que clientes particulares ou com seguro. As discrepâncias foram
detectadas em unidades do grupo Mello, mas sobretudo no Hospital da
Luz, da Espírito Santo Saúde, que rejeita haver discriminação de doentes. Mais de seis meses de diferença para consulta à visão.
O Hospital da Luz, da Espírito Santo Saúde (ESS), tem pouco mais de um
ano, mas já tem listas de espera para todas as consultas. A demora é
irrelevante para alguns doentes, mas pode ultrapassar seis meses para
os funcionários públicos. Na clínica CUF de Belém (grupo Mello) a
diferença é menor, mas também existe.
A ADSE refere que os acordos que mantém com os grupos privados "proíbem
qualquer tipo de discriminação no acesso", mas Isabel Vaz,
administradora da ESS, justifica que a procura se multiplicou num ano e
que o futuro incerto deste subsistema, entre outras razões, conduziu à
imposição de quotas para as primeiras consultas.
A oftalmologia é uma das especialidades críticas no Hospital da Luz. Um
beneficiário da ADSE só consegue marcar uma primeira consulta para
2009. Com um seguro de saúde, a operadora conseguiu encontrar um vaga
para terça-feira. Um funcionário do Estado que tentou ainda marcar
consulta para cirurgia vascular, conseguiu vaga em Agosto: "aqui a
espera não é longa", frisaram do outro lado da linha. Com um cartão da
seguradora, teria consulta amanhã.
Ao que o DN apurou, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia e
obstetrícia e ortopedia são especialidades onde a resposta está longe
do ideal. Os doentes do subsistema de saúde falam em discriminação e,
ao que o DN apurou, a Entidade Reguladora terá recebido inúmeras
queixas relacionadas com tratamento desigual no acesso aos cuidados.
A Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da
Administração Pública (ADSE) também admite ter recebido reclamações dos
beneficiários. Ao DN, refere que, "nestas situações, questiona o
prestador porque os acordos contemplam clausulado que proíbe qualquer
tipo de discriminação no acesso". Ainda assim, adverte, "a
administração dos cuidados de saúde é da exclusiva responsabilidade do
prestador, que poderá confirmar se existem ou não quotas para estes
doentes" do subsistema.
Isabel Vaz rejeita a idéia de se estar a discriminar doentes. "Há
espera para todas as consultas e os médicos têm excesso de doentes (200
mil), por isso vamos fazer uma requalificação para aumentar a área
assistencial e já contratámos mais 40 médicos desde Setembro", refere.
Em apenas um ano, a unidade atingiu os objectivos previstos para
quatro. "O objectivo não é perder clientes, que até podem ir a outro
lado".
Além de haver quotas de primeiras consultas, "porque os médicos têm de
seguir outros doentes", diz ao DN que "há quotas a nível global para
cada cliente. Não podemos ter no hospital só doentes da ADSE", que já
representa 20% do negócio. Não podemos ficar dependentes de nenhum
cliente. O estabelecimento de quotas justifica-se sobretudo porque "há
movimentos no sentido de acabar com a ADSE. Temos de zelar pela saúde
financeira do hospital e das 900 famílias que aqui trabalham.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 22.06.2008
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