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Tratamento de pedófilos sem garantia de sucesso criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
27-Abr-2008
O abuso sexual de menores é um crime cada vez mais no centro das preocupações da sociedade. Odiados pelo cidadão comum, os pedófilos são também doentes, que chegam a acreditar que estão a fazer bem às crianças. A medicina já oferece tratamentos que, embora não tenham eficácia garantida, ajudam a diminuir a reincidência.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a pedofilia como um desvio da sexualidade caracterizado pela atracção de um adulto por crianças que ainda não atingiram a puberdade.

Manuel Coutinho, do Instituto de Apoio à Crianças (IAC), salienta que nem todos os agressores sexuais de menores são pedófilos e que nem todos os pedófilos cometem crimes. O psicólogo clínico usa o exemplo de um cleptomaníaco, uma pessoa com a obsessão de roubar: "Se nunca chegar a roubar não comete nenhum crime; o mesmo se passa com um pedófilo, se não abusar sexualmente de crianças." O que é criminalizado é o abuso sexual e não a doença, resume.

No entanto, os pedófilos raramente procuram ajuda se não forem levados a isso. Só o fazem quando se sentem pressionados, ou pela família ou porque já foram identificados pelas autoridades. Não procuram tratamento porque têm consciência de que "é um dos crimes mais odiados pela população em geral e a população prisional" e porque "criam mecanismos de auto-ilusão", explica o sexólogo e psiquiatra Afonso de Albuquerque: "Os pedófilos constroem uma auto- -imagem de pessoas que têm uma boa relação com as crianças." Muitos, mesmo depois de serem denunciados e punidos continuam a acreditar que estavam a fazer bem às crianças.

"Sabemos muito pouco sobre estas perturbações", reconhece o sexólogo, antigo director do Serviço de Psicoterapia Comportamental do Hospital Júlio de Matos. Nem se sabe ao certo o porquê, apesar de existirem várias teorias.

Manuel Coutinho salienta que nem todas as crianças abusadas se tornam adultos abusadores, mas que muitos pedófilos foram vítimas de abuso sexual na infância. Uma teoria que, segundo Afonso de Albuquerque, tem vindo a ser refutada porque a maior parte dos casos estudados revela que a percentagem de agressores que foram vítimas não é tão elevada como se pensava anteriormente. No entanto, há casos em que essa ligação parece evidente, como o de Carlos Silvino, conhecido como "Bibi", que é seguido por Afonso de Albuquerque. O psiquiatra alerta ainda para a importância dos percursos individuais e de outros factores, como um desenvolvimento sexual anómalo. "Há também teorias que defendem que o pedófilo já nasce assim", diz o sexólogo. "Não sabemos, é uma área ainda pouco estudada."

Tratamentos

Apesar do conhecimento deficiente sobre como funciona esta perturbação, tem havido desenvolvimentos no capítulo dos tratamentos. A administração de psicofármacos é um deles. Os antidepressivos actuam sobre os traços obsessivos da personalidade do pedófilo - a repetição de ideias de forma sistemática e carácter compulsivo, ajudando a controlar a atracção anómala por crianças, que está presente na mente do pedófilo 24 horas por dia.

Além da abordagem psicofarmacológica, há a castração química: a administração de hormonas que vão inibir a produção da hormona sexual masculina, a testosterona, e suprimir o desejo sexual.

Na abordagem psicoterapêutica tenta-se mudar a preferência sexual por crianças, diz Afonso de Albuquerque. Manuel Coutinho explica que, na psicoterapia, pretende-se que a pessoa compreenda o problema, o processo que a conduziu até ali, que há uma grande diferença entre a sexualidade adulta e a infantil e que compreenda o dano infligido às crianças.

Na experiência do sexólogo, o tratamento tem mais sucesso se as três intervenções forem utilizadas em conjunto. "Mas cada caso é um caso." Os resultados medem-se pela taxa de reincidência. Em estudos em que se comparam dois grupos de presos, um com acompanhamento depois de sair da prisão e outro sem acesso a tratamentos, o segundo grupo registou uma taxa de reincidência superior.

Manuel Coutinho é menos optimista quanto à eficácia dos tratamentos. Considera que a psicoterapia e a psicofarmacologia podem ajudar na contenção social, mas acredita que é quase impossível mudar a preferência sexual de um pedófilo. Para o psicólogo clínico, os Estados deviam desenvolver bases de dados confidenciais, para que as polícias nacionais e internacionais possam seguir os movimentos de pessoas com historial de agressões sexuais a crianças. E defende que as organizações que trabalham com crianças deviam exigir o registo criminal dos trabalhadores.
 
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 27.04.2008 
Comentarios (3)add
... : Shangri-La
«...é quase impossível mudar a preferência sexual de um pedófilo».

Se assim é, o indivíduo condenado por um crime de pedofilia devia ser castrado quimicamente ou, em alternativa, conseguir outra forma de evitar que o mesmo viesse a cometer no futuro outros crimes deste tipo.

Dirão que isto é contra os direitos do homem, que é uma barbaridade, etc.

Efectivamente é, mas se não se proceder assim a sociedade está a condenar uma, duas, três, «n» crianças, que nada fizeram a não ser viver, a padecer dos abusos de um pedófilo.

Acredito que não se seja pedófilo por opção e devemos compreender e ajudar estas pessoas, sem as desculpar, pois sabem bem o que fazem, o que é lícito ou ilícito.

Por isso, um pedófilo ou vence a inclinação ou «capa-se» a si mesmo.

Aliás, se um pedófilo for feito de alguma honra e algum sentimento de compaixão tomará ele mesmo a iniciativa de se castrar.

Nem é um acto de coragem e ninguém tem de lhe ficar em favor.
Trata-se apenas de fazer o que deve ser feito e quem deve fazer o que deve ser feito é quem é origem do problema.

«... as organizações que trabalham com crianças deviam exigir o registo criminal dos trabalhadores».

É óbvio que os pedófilos se infiltram onde podem ter acesso às crianças e possam estar disfarçados ou camuflados de «gente séria e de confiança».
Onde houver criança, aí estarão eles.

29.Abril.2008
... : pisciko
Estou totalmente abalada.... meu Deus me ajude.. meu mundo desmoronou... depois q descobri q meu pai é um pedofilo (minha mãe o pegou com a mão nos genitais da minha sobrinha, e só contou para mim ) Não sei o que fazer...minha mãe entrou em depressão....... gostaria de ajudá-lo, porque sei que ele se sente culpado..percebo isso pelo seu rosto triste....tenho medo dele tentar alguma coisa contra sua própria vida...mais convivo com esse segredo,pois tenho mais medo de falar com ele sobre um tratamento...tenho medo de prejudicá-lo mais ainda..... Por outro lado tenho uma filha de 2 anos e moro na mesma casa que meu pai.... ele nunca relou nela... mais abomino essa ideia.... depois que descobri isso naum fico mais longe da minha filha.... muito menos dexo ela perto dele.... Isso esta acabando com minha vida, estou em um buraco sem fundo, não sei o que fazer. Minha mente esta abalada... tenho medo até de perder a razão....Sofro calada pelo bem estar dos que eu amo tanto....
08.Julho.2008
... : HP
Muito difícil a sua situação, mas vc deveria começar a ensinar a sua filha a medida que ela for crescendo à não deixar ninguém tocar os genitais dela, caso ela não possa evitar diga para ela te contar, nesse caso a confiança de mãe e filha tem que ser perfeite entre vcs.Acredito que seu pai não fará nada para machucar a sua filha, mas naum dê mole.Espero que isso ajude a aliviar nem queseja um pouco do seu sofrimento.
15.Julho.2008
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