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Os impostos dos contribuintes, que já pagam a segurança, a alimentação e a televisão e respectivas fontes de energia, vão passar também a custear a compra de seringas para alimentar a toxicodependência dos reclusos nas prisões em Portugal. Os ministros da Justiça, Alberto
Costa, e da Saúde, Correia de Campos, já regulamentaram a distribuição
de seringas pelos reclusos toxicodependentes. É o último passo para pôr
em prática o Programa Específico de Troca de Seringas (PETS) em Meio
Prisional, disse ao CM fonte do Ministério da Justiça. Segundo o
despacho conjunto, o programa, que entrará em
vigor a partir de Setembro, é aberto a “todos os reclusos, consumidores
de drogas por via endovenosa, que voluntariamente queiram aderir”.
Inicialmente limitado aos
Estabelecimentos Prisionais (EP) de Lisboa e Paços de Ferreira, os
aderentes beneficiam de confidencialidade e “protecção legal dos dados
clínicos”. a entrevista de admissão, é prestada informação sobre outros programas antidroga existentes no EP. ão
excluídos do PETS os presos com “diagnóstico de doença mental grave” e
os que tenham “problemas disciplinares” ou sejam sujeitos a “medidas
especiais de segurança”.
CONSUMO E POSSE ILÍCITA
Integrado
no Plano Nacional de Combate à Propagação de Doenças
Infecto-Contagiosas nas Prisões, o regulamento mantém a proibição da
posse e consumo de estupefacientes, descritos como “actos ilícitos”. O
uso do material de injecção e o consumo de drogas são “exclusiva
responsabilidade” do recluso. O material, entregue pelos serviços
clínicos, é “pessoal e intransmissível” e não pode ser cedido a
terceiros.Este mesmo material deverá ser guardado num espaço
“fixado pelas normas internas do PETS [definidas pelo director
prisional e serviços clínicos]”. Numa busca, rusga ou revista ao
recluso, este deve indicar ao guarda a posse e localização do material
de injecção, sob pena de apreensão. O incumprimento das regras origina
a expulsão. o pessoal prisional é dada formação em higiene, saúde e segurança. programa e a sua continuidade são avaliados ao fim de um ano.
CONTEÚDO DO KIT
- Duas seringas com agulha e invólucro de protecção
- Filtro
- Toalhete desinfectante
- Carica
- Carteira de ácido cítrico (substitui limão, para ‘cozer’ heroína)
- Ampola de água bidestilada
- Preservativo
SAÚDE PÚBLICA JUSTIFICA CONTRADIÇÃO
Num
regulamento que permite a troca de seringas e classifica a “posse e
consumo” como “ilícitos”, o director-geral dos Serviços Prisionais, Sá
Gomes, assume a contradição. “O consumo é ilícito e, se detectado, o
recluso sofre consequências”, explica ao CM, defendendo que “a quem
insiste, a mensagem é ‘não partilhes seringas’”, numa “questão de saúde
pública”.
Face às queixas dos guardas prisionais, Sá Gomes
lembra ter explicado que “nas experiências de outros países não houve
ataques” e que “mais perigosa é a seringa não identificada e infectada
do que as referenciadas em local certo, como no Programa”.
PROMESSA
Ministros
da Saúde e Justiça aceitam seringas nas prisões. Mais de 120 dias após
a lei, assinam Regulamento que deve agora ser publicado no Diário da
República.
SAIBA MAIS
1448 reclusos, nas prisões
de Paços de Ferreira e Lisboa, podem, em teoria, vir a candidatar-se ao
programa de Troca de Seringas. Nas duas cadeias há 424 guardas.
73%
dos quase 8 mil reclusos cumprem pena por crimes relacionados com
droga, segundo o estudo ‘Drogas e Prisões’, de Anália Cardoso.
CONSUMOS
Entre 30 a 60% dos consumidores continua a fazê-lo depois de preso. Nos heroinómanos, 37,1% consome diariamente.
CUSTOS
Os Kits saem à Coordenação VIH/Sida por cerca 30 cêntimos. Assim, os 2 845 111 trocados em 2005 custaram 1 021 962,84 euros.
INJECTÁVEIS
O
consumo por via injectável nas prisões diminui de 63,2% dos que o
faziam em liberdade para 26,8% que injectam em reclusão. Destes, 11%
iniciou o consumo após a prisão.
CORREIO DA MANHÃ | 13.08.2007
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