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"Não tenho solução nenhuma para o segredo de justiça porque creio que será sempre violado”, admitiu ontem o procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais sobre a reforma do Código Penal. Referindo a dificuldade em punir este crime, afirmando mesmo que “toda a gente é culpada”, Pinto Monteiro acabou por dizer que uma das soluções é encurtar o tempo de sigilo dos processos.
“Continua tudo na mesma, vai permanecer a guerra que tem sido até agora”, disse o PGR, lembrando que, após várias propostas, “o segredo mantém-se na mesma”. Considerando que “não há nenhuma receita mágica para acabar com as violações do segredo de justiça”, Pinto Monteiro acabou por dizer que uma das soluções é encurtar o tempo de sigilo dos processos, manifestando-se em sintonia com o deputado do PSD e ex-ministro da Justiça Aguiar Branco.
O procurador sublinhou ainda a dificuldade em punir este crime, afirmando mesmo que “toda a gente é culpada”, mas só os jornalistas é que são apanhados porque são os únicos que o assumem, ao publicar as notícias: “Não há ninguém inocente no segredo de justiça. Um processo passa por muitas mãos.” Pinto Monteiro apelou, por isso, a uma maior “sensibilização” para este ilícito.
Durante duas horas, o PGR fez uma análise detalhada de alguns dos artigos da proposta de revisão do Código Penal que lhe suscitaram mais dúvidas, mas manifestou maiores reservas em relação à proposta de mediação penal: “Só poderá ter sucesso se houver uma sensibilização do povo português, que está habituado a uma justiça tradicional, com a figura do juiz.” Admitindo que a mediação só surge por “incapacidade da justiça tradicional”, Pinto Monteiro revelou estar preocupado com a questão da formação dos mediadores, lembrando que Portugal não tem experiência nesta matéria.
Pinto Monteiro, que disse não ser um “adepto de grandes reformas”, acabou por aplaudir as medidas de protecção das minorias previstas no novo Código Penal.
ALTERAÇÕES SUGERIDAS PELO PGR
BURLA. Pinto Monteiro não entende por que o crime de burla não foi previsto na responsabilização das pessoas colectivas. “É um dos crimes que mais vulgarmente pode ser cometidos por pessoas colectivas”, afirmou face aos deputados.
VIOLÊNCIA. No caso da violência doméstica, o PGR criticou o facto de a Lei exigir a co-habitação, dando o exemplo de um filho que não viva com os pais, mas que estes dependam economicamente dele e que sejam maltratados pelo mesmo.
PRISÃO. O procurador entende que a substituição da pena de prisão pela proibição do exercício de funções, no caso de crime punível com pena não superior a três anos, prevista no artigo 43, pode ser “susceptível de criar grandes desigualdades”.
CORREIO DA MANHÃ | 17.01.2007
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