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A reorganização geográfica dos tribunais está
preocupar os autarcas nas zonas do Interior do País, que temem um maior
isolamento e desertificação. Contestada por muitos, dentro e fora do sector
judicial, a reforma está em marcha e deverá ser aprovada em Setembro.
A Associação Nacional de Municípios Portugueses está a preparar-se para tomar
posição contra a proposta do Governo destinada a uma reorganização geográfica
dos tribunais, no âmbito do novo mapa judiciário, considerando que a reforma em
estudo potencia a desertificação. Num documento analisado ontem pelo conselho
directivo da ANMP os autarcas afirmam que todos têm “direito ao acesso rápido e
fácil a serviços de proximidade que reforcem a coesão territorial e o tecido
social, seja qual for a parcela do País em que vivam”. Segundo a direcção da
ANMP, a proposta de revisão do mapa judiciário constitui mais um factor
determinante para a desertificação de zonas menos populosas”, considerando que
“o que deve ser deslocado não é o povo, mas os agentes judiciais”.Os
municípios defendem a marcação de reuniões de trabalho com a Ordem dos
Advogados, o Sindicato dos Magistrados Judiciais, o Sindicato dos Magistrados do
Ministério Público e o Sindicato dos Funcionários Judiciais. Para a Associação
Sindical dos Juízes Portugueses será mais vantajoso um mapa judiciário assente
nos actuais círculos judiciais do que a opção de reorganizar com base na divisão
territorial com base no modelo dos NUTS. O estudo «Construção do novo mapa dos
tribunais: enraizamento, efectividade e mudança», elaborado pelo Gabinete de
Estudos e Observatório dos Tribunais, critica a proposta de conceber o novo mapa
judiciário com base nas NUTS.
A 17 de Maio último o secretário-geral do PCP
criticou a proposta do Governo e o encerramento de tribunais, por considerar
que, a concretizar-se, ela prejudicará o Interior do País. No fim de um encontro
com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Jerónimo de Sousa destacou a
“identificação de preocupações” no que toca a reorganização judiciária. No mesmo
mês o ministro da Justiça afirmou que terá em consideração as sugestões da ASJP,
frisando que nada estava decidido em definitivo. O bastonário da Ordem dos
Advogados, Rogério Alves, considerou correcta a opção de reestruturação, mas
alertou para a necessidade de boas soluções, sem afastar a justiça dos
cidadãos.
A hipótese de cinco tribunais de primeira instância do Alentejo
poderem fechar portas, sendo reconvertidos em casas da justiça, tal como avança
um estudo técnico, suscitou críticas do Sindicato dos Funcionários Judiciais e
dos autarcas locais. “É mais uma tentativa do Governo de, através de medidas
economicistas, travar o acesso à justiça por parte dos cidadãos”, disse então à
Agência Lusa António Castor, responsável pela delegação do SFJ no círculo
judicial de Évora (de Mação a Faro). O projecto governamental deverá estar
pronto em finais de Julho e a sua aprovação pela Assembleia da República está
prevista para o início de Setembro.
IN O PRIMEIRO DE JANEIRO
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