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10-Dez-2007
A engenharia financeira ou a contabilidade criativa não são "dons" exclusivos das empresas. Para quem recebe subsídio de desemprego, há expedientes simples que possibilitam esconder a real situação dos beneficiários. Actualmente, uma das práticas fraudulentas mais em voga, detectadas pelo próprio JN, são cartas vazias em resposta a anúncios de emprego.

Muitos beneficiários de subsídio de desemprego estão a enviar cartas de resposta aos anúncios de emprego inseridos nos jornais, recorrendo à expedição com aviso de recepção. Contudo, o envelope está vazio - nem mesmo um currículo é colocado na missiva - e a resposta ao anúncio não tem seguimento, fazendo com que o remetente não seja um candidato efectivo ao emprego em questão.

Mas, como os serviços postais dão ao emissor um comprovativo de recepção da carta, esse documento é depois apresentado, nos centros de emprego, como meio de prova de que o indivíduo em causa fez um esforço para tentar arranjar emprego. Esta é uma das condições estabelecidas por lei para que se possa manter o subsídio de desemprego, de acordo com as regras que começaram a vigorar no início do ano.

Apesar de simples, este esquema tem dupla eficácia não só o beneficiário em causa assegura a manutenção da prestação social, sem grande esforço, como assegura que não será chamado para colmatar a vaga no emprego em questão.

Fonte oficial do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social admitiu a possibilidade de haver beneficiários a utilizar esta prática, mas realçou que as formas de verificar se houve uma resposta efectiva aos anúncios não se esgotam no comprovativo dos correios.

A mesma fonte garante que fraudes desta natureza são alvo de acompanhamento e salienta que, desde o início do ano, altura em que as regras e o sistema de gestão do subsídio de desemprego foram mudadas, há novas ferramentas de combate à fraude, e mais eficazes. Até à mudança do sistema, por exemplo, um dos métodos de burla mais usados era a inscrição em mais do que um centro de emprego, recebendo também mais do que um subsídio. Esta prática foi praticamente erradicada, com a introdução do novo sistema, afirmou a mesma fonte.

Falsas moradas
Outro método simples era o das falsas moradas. Inúmeras vezes os serviços se depararam com um endereço inexistente ou incorrecto, no momento de chamar os beneficiários quando havia uma proposta de trabalho. O que continua bastante generalizado, por ser de controlo mais difícil por parte dos serviços da Segurança Social, é o da não declaração de rendimentos de trabalho que resultariam no fim do pagamento do subsídio. Tal pode passar pelos famosos "biscates", em que não há qualquer comprovativo do pagamento, ou, caso haja registo da jorna, passar recibos verdes em nome de outra pessoa.

Face à capacidade criativa revelada por alguns beneficiários, a máquina do Estado tem vindo também a ganhar eficiência. A já referida mudança no subsídio de desemprego trouxe uma maior exigência. Apesar de ainda não haver dados do combate à fraude relativos a este ano, é certo que as regras estão mais apertadas.

Já no ano passado, os serviços da Segurança Social haviam registado melhorias de eficiência consideradas significativas. As acções de fiscalização ao subsídio de desemprego realizadas durante 2006 resultaram na cessação e suspensão de mais de 56 mil prestações sociais. No ano anterior, a fiscalização havia levado ao cancelamento de apenas mil subsídios de desemprego.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 10.12.2007
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