header image
Início seta Direito e Sociedade seta Quando o Director PJ gostava de blogues
Quando o Director PJ gostava de blogues criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
18-Jan-2007

Era uma vez um conjunto de magistrados do Ministério Público com dores de alma. Todos juntos fizeram um blogue que em apenas meia dúzia de meses provocou brigas sem fim. Chamava-se Os Cordoeiros e nele escreveram, entre outros, o actual procurador distrital do Porto, Pinto Nogueira, e o director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro.


Texto integral, publicado na Revista Sábado, p.60
(prima no botão direito do rato, seleccionando guardar como...)

    Image 

Era uma vez um conjunto de magistrados do Ministério Público com dores de alma. Todos juntos fizeram um blogue que em apenas meia dúzia de meses provocou brigas sem fim. Chamava-se Os Cordoeiros e nele escreveram, entre outros, o actual procurador distrital do Porto, Pinto Nogueira, e o director nacional da Polícia judiciária (PJ), Alípio Ribeiro.

Este último era um dos mais sarcásticos do grupo, tendo chegado a brincar por diversas vezes com as eventuais consequências que o seu vínculo ao blogue lhe poderia causar. "Não é só a minha eventual candidatura à graduação para o Supremo Tribunal de justiça que poderá estar em risco. A própria ideia que as minhas filhas fazem de mim pode ser abalada, pondo em causa o equilíbrio familiar", escreveu, em Janeiro de 2004, numa altura em que o blogue se encontrava no auge da turbulência, com críticas ferozes, brigas de bastidores e muita ironia. Por exemplo, Alípio Ribeiro, que primava pelo estilo por vezes desconcertaste, escreveu: "Sou magistrado. Tenho família e ambições profissionais." E referiu o facto de ter sido interpelado por um colega, "daqueles que têm o sorriso sardónico de quem não sabe inglês", com palmadinhas nas costas pela participação no blogue - que entretanto fechou e recentemente deixou de ter os arquivos na Internet.

APESAR DA IRONIA, o procurador era um assíduo frequentador de Os Cordoeiros. "Pode não parecer, mas tenho sentido de humor", confirmou à SÁBADO. E assim foi até nas máximas de vida que por lá deixou. "Fingir que se finge é uma boa actividade social. Ninguém nos leva a sério, mas também ninguém nos cobra o que quer que seja", escreveu a 28 de Janeiro de 2004.

No blogue, Alípio Ribeiro insistiu em tocar num conjunto de pontos sensíveis, sobretudo na área da justiça. Criticou juízes e procuradores, as ‘coboiadas' da Autoridade da Concorrência por causa de uma busca à Portugal Telecom, questionou escutas e exigiu demissões. No meio de tudo isto, elogiou a PS e a GNR, em comparação com a perda d importância da PJ, ainda que tivesse reparos a fazer ao trabalho das polícias. "A verdade policial nem sempre coincide com verdade judicial. As razões, que levam a polícia, naqueles comunicados sem regra que por aí pululam, a anunciar que descobriu o autor da autoria, não são idênticas às que irão ditar a condenação, em tribunal, do alegado autor", referiu a 13 de Fevereiro. Uns anos depois passou tutelar os comunicados das relações públicas da PJ.

"Foram meses rocambolescos, que acabaram quase à pancada", refere à SÁBADO uma fonte judicial, que sublinha o facto de Os Cordoeiros terem incomodado muita gente, inclusivamente os procuradores do Ministério Público participantes. Além de Alípio, lá estavam João Rato, Lemos da Costa, José Forte e o contundente Pinto Nogueira, que não poupava nos adjectivos. Como se percebe quando comentou a intervenção do presidente do Fórum justiça e Liberdades, o advogado Teixeira da Mota: "Do pico da sua ventriloquência, o S. Pança arrota bojardices, com ar catedrático, como se estivesse alapado, num cadeirão, rodeado de meninas fúteis..."

Comentarios (0)add
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem