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Um quarto da população portuguesa sofre de depressão. Contas redondas, são mais
de 2,5 milhões de pessoas. A prevalência da doença tem vindo a aumentar no País
e, diz Adriano Vaz Serra, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e
Saúde Mental (SPPSM), continua a haver falhas do Sistema Nacional de Saúde na
detecção precoce dos casos. Além disso, explicou ontem este especialista, no dia
em que se assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental, os tratamentos ainda são
feitos de forma muito lenta.
O aumento de problemas de depressão não são exclusivos de Portugal. Em todo o
mundo ocidental têm vindo a aumentar os casos deste distúrbio mental e em vários
outros países - como o Brasil, onde a doença é um dos fardos mais importante na
população - "as taxas de pessoas afectadas são superiores às que temos para
Portugal", explica ainda Adriano Vaz Serra.Grandes oscilações sociais - "há,
por exemplo, 170 milhões de pessoas no mundo a viver fora do seu país",
exemplifica - e difíceis condições de vida podem justificar o aumento de casos.
Mas a maior longevidade das populações também tem culpa. "As pessoas vivem mais,
o que significa mais casos da doença e maior número de crises durante o tempo de
vida", adianta o presidente da SPPSM.
As consequências da doença são já
conhecidas: a depressão "é altamente incapacitante" e as pessoas afectadas
vêem-se "comprometidas na execução da sua vida normal a todos os níveis, desde
pessoal a profissional, passando igualmente pelos relacionamentos familiares".
Por outro lado, esta é ainda uma patologia que se prolonga no tempo, havendo
quem permaneça três anos com depressão, por não se submeter a tratamento. Em
famílias onde há muitos casos ou em situações pessoais de grande reincidência,
as crises tendem a aumentar de gravidade e duração e os intervalos entre as
manifestações da doença a diminuir.
E quadro clínico destes casos, alerta õ
presidente da SPPSM, não se_ resume a um simples estado de alma ou mera
tristeza, mas sim de uma condição psiquiátrica que precisa de apoio médico e
medicação. "Não é apenas estar triste e as pessoas não recuperam por si
próprias", reforça. Apesar de acreditar que continuam a haver situações que
passam desapercebidas, o especialista considera que "as pessoas estão hoje mais
alertas para os sintomas desta doença e por isso as depressões são muito mais
diagnosticadas". Ainda assim, continua a haver falhas por parte do Sistema
Nacional de Saúde, sobretudo na rede de cuidados primários, à qual compete -
defende este responsável - a detecção das situações de depressão numa primeira
fase. Diagnósticos tardios e tratamentos lentos são algumas lacunas de
acompanhamento médico a que os doentes podem estar sujeitos.
Por tudo isto,
conclui Adriano Vaz Serra, é necessária uma intervenção precoce e eficaz, porque
uma das consequências da doença não diagnosticada ou mal tratada é o
aparecimento ou intensificação de ideias de suicídio, motivadas pelo "desespero"
em que muitos doentes se vêem. "É que cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio
todos os anos no mundo. E os distúrbios mentais são uma das principais causas."
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 11.10.2007
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