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As principais economias mundiais estão atentas e preocupadas. O
ciberterrorismo já mostrou que pode fragilizar qualquer país e Portugal
não está livre de ser atacado. Não há exército ou estratégia militar
que consiga prever ou evitar uma ofensiva ciberterrorista, passando a
solução por minimizar estragos. Uma das maiores lacunas no tecido empresarial português é a falta de
investimento em programas de segurança e formação dos administradores
de sistemas, deixando os servidores ainda mais vulneráveis a ataques de
ciberterroristas.
"É um assunto que diz respeito a todos os países
desenvolvidos. É impossível perceber-se a origem deste tipo de ataques
e ninguém está totalmente protegido. Portugal não é excepção", diz
Paulo Veríssimo, especialista em segurança informática, da Universidade
de Lisboa.
A Estónia, um dos países mais
avançados em tecnologias de informação, foi o primeiro a sofrer na pele
as consequências de três semanas de ataques de hackers (piratas
informáticos), em 2007, com consequências dramáticas.
O
rasto deixado pelos autores é praticamente inexistente e descobri--lo é
um enorme desafio para quem estuda crimes informáticos. "O tempo das
brincadeiras de jovens que se juntam e tentam invadir computadores está
a acabar. Este tipo de ataques está a ficar bastante especializado",
diz Paulo Veríssimo, explicando as dificuldades de quem investiga:"Os
ataques podem ser feitos em qualquer sala de estar, de qualquer pessoa,
em qualquer parte do Mundo. Arranjam forma de se apoderarem dos
computadores de pessoas honestas, colocam um programa que fica
adormecido e, no momento do ataque, se essa pessoa estiver ligada à
internet, ‘colabora’ na ofensiva".
O modus
operandi dos novos terroristas é simples e extremamente eficaz.
Recorrendo ao ‘Ataque de Negação de Serviço’ [Denial-of-service (DoS)]
entopem os servidores das empresas ou instituições previamente
seleccionadas:"Milhares de computadores disparam mensagens/pedidos para
a mesma máquina, até que deixe de funcionar devido a excesso de
trabalho."
Com a progressiva informatização dos
serviços, aumentam as consequências devastadoras de um ataque em massa
a infra-estruturas de água, gás ou electricidade. "As principais
potências mundiais, como os Estados Unidos, estão a olhar para estas
possibilidades, com milhares de máquinas de pessoas honestas que estão
a atacar os serviços de empresas sem que tenham noção disso".
DETALHES
INVESTIR EM SEGURANÇA
Uma
das maiores lacunas no tecido empresarial português é a falta de
investimento em programas de segurança e formação dos administradores
de sistemas, deixando os servidores ainda mais vulneráveis a ataques de
ciberterroristas.
PIRATARIA ABRE PORTAS
Em
Portugal, a maioria do software utilizado pelas empresas continua a ter
origem pirata. Sistemas operativos de origem desconhecida – autoridades
suspeitam que provenham de países asiáticos – já são disponibilizados
com falhas de segurança.
CORREIO DA MANHÃ | 04.05.2008
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