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Cada vez que pensar mandar um piropo na via pública, ou seja onde for, pense
duas vezes antes. É que agora, que está em vigor o novo Código Penal, um
galanteio mais explícito pode constituir aquilo que está definido como um crime
de "importunação sexual", segundo o que está definido no artigo 171.º. Se o alvo
não apreciar muito a piada e decidir avançar com uma queixa, o autor da gracinha
corre o risco de passar uma temporada na cadeia.Reza o artigo que
"importunar uma pessoa, praticando actos de carácter exibicionista ou
constrangendo-a a contacto de carácter sexual" pode conduzir a uma pena de um
ano de cadeia ou multa ate 120 dias. Enquanto anteriormente tal conceito se
aplicava, por exemplo, aos que exibiam os órgãos sexuais em público, neste caso
a coisa pia muito mais fino. E até os juízes acham um exagero."Um acto
censurável e inaceitável socialmente não quer dizer que seja também censurável
criminalmente", diz ao 24horas António Martins, presidente da Associação
Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que critica o âmbito do novo artigo.
Para a ASJP,
está em causa "um alargamento porventura excessivo de uma criminalização que,
como estava, protegia e assegurava a tutela do bem jurídico liberdade sexual".
"Estão a ser criminalizadas situações desagradáveis mas de duvidosa gravidade",
diz António Martins.
Além dos piropos, outras situações estão contempladas no
renovado item do Código Penal. Todas elas relacionadas com abordagens sexuais
contra a vontade de outrem. Os juízes dizem que se forem confrontados com um
processo do género não terão outro remédio senão de o levar em frente. Mas
parecem um pouco contrariados. "A nós compete-nos aplicar as leis, desabafa o
resignado líder da ASJP.
Além dos piropos, outro tipo de comportamentos está implícito no artigo 171 do
novo Código Penal. Tal como apurou o 24horas, alguém que force o contacto
corporal nos transportes públicos ou na via pública pode também ser alvo de uma
queixa-crime do ofendido. Outra situação que configura a possibilidade de ir
parar à cadeia diz respeito aos que apalpem alguém sem consentimento.
Exibicionistas e afins continuam debaixo da alçada da lei, tal como dantes.
24 HORAS | 18.09.2007
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