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Os mais devedores do Fisco
21-Abr-2008
Os contribuintes do sector do imobiliário e do sector de serviços de apoio à gestão, como juristas, consultores ou contabilistas, são os principais alvos de uma nova funcionalidade informática da Direcção-Geral de Impostos (DGCI) que tem como objectivo melhorar a operacionalidade e eficiência do sistema de penhoras automáticas. A escolha destes dois sectores fica a dever-se, segundo o fisco, ao facto de serem dos mais representativos entre os contribuintes devedores.

A nova ferramenta entrou em funcionamento no passado dia três de Abril, dia em que a sua disponibilização foi comunicada aos serviços através de uma comunicação interna a que o PÚBLICO teve acesso. "Informam-se V. Exmas. de que foram introduzidas alterações ao ecrã inicial do Sistema informático de Penhoras Automáticas, tendo em vista uma melhor operacionalidade e eficiência. Essas alterações entram em produção hoje", lê-se no referido documento.A partir daqui, o documento descreve as novas funcionalidades e, à cabeça, surge a criação de uma nova categoria de objectivos por actividades. "Passa a haver uma nova categoria de objectivos, designada `objectivos por actividade’, destinada a disponibilizar informação para penhora de devedores em função da actividade económica que desenvolvem". Ora, segundo a DGCI, estes objectivos deverão ser aplicados a todos os sectores de actividade, no entanto, "nesta primeira fase, foram seleccionados (...) tendo em conta a sua representatividade entre os devedores e a sua relevância junto a outros contribuintes", o sector do imobiliário e os serviços de apoio à gestão. Em ambos os sectores, tal como definido no documento, "serão incluídas todas as dívidas cuja proveniência está associada a códigos de actividade relacionados com toda a área do imobiliário (...) e com a área de Serviços de Apoio à Gestão". Para que não restem dúvidas aos funcionários da DGCI, é ainda disponibilizado, em concreto, qual o tipo de contribuintes em cada um destes sectores, quer por código de actividade económica, quer por classificação fiscal.

Os alvos
Ao nível do sector do imobiliário, há 28 categorias diferentes de actividades sujeitas a esta nova prioridade. Promoção imobiliária, construção de edifícios, arrendamento de bens imobiliários, administração de condomínios, instalação de canalização; demolições, ou montagem de trabalhos de carpintaria e de caixilharia são apenas alguns dos 28 sectores apontados.
Já ao nível do sector de serviços de apoio à gestão há apenas três tipos de actividades identificadas: actividades jurídicas e de contabilidade; actividades de contabilidade, auditoria e consultoria fiscal; e actividade de consultoria para os negócios e a gestão. Actividades que, em termos de classificação fiscal, correspondem aos consultores; auditores; consultores fiscais e contabilistas.

Fisco vai abrandar pressão?
As instruções dadas aos serviços anteriormente descritas surgem apenas alguns dias depois de o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, ter assinado um despacho onde dava ordens à DGCI para que cumprisse a lei escrupulosamente de forma a evitar irregularidades.
O despacho, divulgado pelo Diário Económico, foi assinado no dia 27 de Março e vem no seguimento de várias intervenções de Carlos Lobo no sentido de dar uma maior importância às garantias dos contribuintes na sua relação com o fisco e de inúmeras críticas, de diversos quadrantes, sobre abusos da máquina fiscal sobre os contribuintes. No documento assinado pelo secretário de Estado sublinha-se a necessidade de os serviços centrais da DGCI elaborarem e divulgarem aos serviços não só instruções com fins de natureza operacional, mas também de índole técnico-jurídica, de modo a proporcionar uma actuação uniforme e uma efectiva e adequada aplicação da lei, de modo a evitar a prática de actos diversificados e susceptíveis de prejudicar a imagem da administração fiscal".

Acção extraordinária
O departamento de Inspecção Tributária da DGCI vai passar a trabalhar de forma coordenada com os serviços de finanças no âmbito da cobrança coerciva de dívidas fiscais, segundo um despacho assinado no dia 4 de Abril pelo director-geral dos Impostos, José Azevedo Pereira. Numa comunicação interna enviada aos directores de finanças, a que o PÚBLICO teve acesso, dá-se a conhecer que esta nova metodologia "tem em vista articular as competências coercivas dos serviços de finanças com as competências de acesso e recolha de informação através da contabilidade dos devedores, da Inspecção Tributária. Essa acção concertada passará a ser agora sistemática, institucionalizandose, assim, a metodologia de acção extraordinária realizada nas últimas semanas de 2007, com bons resultados". Recorde-se que no ano passado, este plano extraordinário de actuação ficou a dever-se à incerteza que se instalou sobre se a DGCI conseguiria, ou não, alcançar a meta de cobrança de 1600 milhões de euros de dívidas em processos de execução fiscal.
O resultado acabaria por ser ultrapassado em 30 milhões de euros. A generalização desta forma de actuação em 2008 será apresentada e explicada aos serviços através de acções de formação específicas para o efeito.

PÚBLICO | 21.04.2008

Comentarios (1)add
... : NóNó
Os maiores devedores são:
Advogados;
Mediadores Imobiliários;
e,
gestores.
Está tudo dito.
22.Abril.2008
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