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Multas financiam prémios e reformas criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
31-Jul-2007

Vinte por cento do total das multas reverte para os oficiais da Marinha ao serviço das capitais – e para todo o pessoal da Polícia Marítima. A verba forma uma espécie de bolo, que depois é dividido – em partes diferentes – por capitães de porto, polícias marítimos e até funcionários de limpeza. Segundo fontes da Armada, alguns capitães de porto chegam a receber mais de cinco mil euros por mês, fora o salário, verba que depois conta para efeitos de reforma.

Segundo o Correio da Manhã apurou, o Estado está a pagar uma verdadeira fortuna a oficiais que se encontram na reserva e que passaram por uma das 18 capitanias existentes no País. Quando por ali passam, os capitães dos portos têm interesse em que a Polícia Marítima, às suas ordens, multe – porque quanto mais cobrar em multas mais ganham, tanto no salário como mais tarde na reforma.
Alguns dos capitães de porto, segundo Jorge Veloso, chegam a reformar-se com ordenados cinco a seis vezes superiores do que os atribuídos a militares exactamente com o mesmo posto e o mesmo tempo de serviço.

Vinte por cento do total das multas reverte para os oficiais da Marinha ao serviço das capitais – e para todo o pessoal da Polícia Marítima. A verba forma uma espécie de bolo, que depois é dividido – em partes diferentes – por capitães de porto, polícias marítimos e até funcionários de limpeza.

A multa mais baixa, que é aplicada a qualquer pessoa que não cumpra as regras, como por exemplo não ter a licença de navegação, um extintor a bordo ou não possuir licença de pesca desportiva, nunca é inferior a 250 euros.

“Em capitanias com muito movimento, como é o caso de Lisboa, Setúbal, Portimão, Funchal e Ponta Delgada, o bolo mensal pode ultrapassar os 30 mil euros. O dinheiro é repartido da seguinte forma: o capitão do porto recebe seis partes da verba, os agentes da Polícia Marítima duas partes e o restante pessoal, afecto às secretarias e aos serviços de limpeza, uma parte e meia. “Todos lucram com as autuações feitas pelos polícias marítimos”, disse ao CM uma fonte militar.

A mesma fonte acrescentou: “Enquanto na PSP e GNR quem faz serviços gratificados sabe que vai receber uma determinada verba, quem faz a segurança marítima anda à deriva. Nunca sabe quanto é que vai receber. Depende das multas. O capitão do porto é que faz as partilhas. Nós não sabemos se a verba em causa é ou não real, porque, que se saiba, não há qualquer controlo.”

Segundo fontes da Armada, alguns capitães de porto chegam a receber mais de cinco mil euros por mês, fora o salário, verba que depois conta para efeitos de reforma.

“Os agentes facturam em média, nas capitanias, entre 500 a mil euros. Só que, ao contrário da maioria dos capitães de porto, que apenas passam dois anos na Polícia Marítima, trabalham uma vida inteira para terem esse dinheiro na reforma”, rematou Jorge Veloso.

CAÇA À MULTA
A vontade de multar quem anda no mar chega ao ponto, revelou um agente da Polícia Marítima, de “serem empenhados mais de 200 elementos, entre militares e agentes, apenas para se fiscalizar uma traineira”. “Encontra-se sempre uma infracção e isso dá dinheiro a toda a gente”, confessou.

EXPLICAÇÕES NÃO SURGEM
O Correio da Manhã confrontou a Marinha com as denúncias efectuadas por vários militares da Armada e dirigentes das Associações Sindicais. Apesar das questões terem sido colocadas na passada terça-feira e dos diversos contactos com o respectivo gabinete de Relações Públicas, a resposta obtida foi, até ao final do dia de ontem, o silêncio.

CORREIO DA MANHÃ | 30.07 

Comentarios (8)add
... : Pedro de Fronteira
Essa história das multas reverterem em parte para quem aplica é sempre pernicioso. Pois a entidade administrativa assumirá jamais qualquer erro, por ser parte interessada na aplicação da multa. É assim com a Polícia Marítima, com a Guarda Fiscal, com as Cãmaras Municipais, com a ex-DGV, etc. etc. Muitas vezes (a maioria) os cidadãos não recorrem para os tribunais e o saque continua.

A história dos emolumentos é semelhante. Os cidadão não sabem que grande parte do dinheiro que pagam pelos registos prediais, comerciais, certidões e escrituras é de emolumento. Valor que é dividido entre os funcionários de cada repartição. Conheci funcionários (simples escriturários) de Notários que levavam para casa só de emolumentos 3.000 euros mensais. Sem incidência de impostos. Quanto levaria o notário para casa ? Mais de 30.000 euros. Hoje com os notários privados a situação é um pouco diferente, mas os emolumentos continuam a existir. Mas os conservadores mantêm essa mesma benece do Estado.

Há que perguntar: É justo que um juiz, com total exclusividade, sem poder exercer qualquer outra actividade, tenha um vencimento mensal líquido entre 1500 a 2000 euros mensais, quando um simples funcionário marítimo ou da conservatória do registo, sem a responsabilidade nem s conhecimentos de um juiz, leve para casa além do seu vencimento (500 a 1200 euros mensais) mais 2.000, 3.000 ou 5.000 euros, totalmente isento de impostos ? Depois os juízes é que ganham principescamente, neste país, claro... É tempo de dizer basta e de esclarecer os cidadãos desta monstruosidade.
31.Julho.2007
... : Menino Carlinhos
No país das «cunhas», é de estranhar «esquemas»? smilies/cheesy.gif
31.Julho.2007
... : tru
coitados dos juizes...
31.Julho.2007
... : Barracuda
Meritíssimos,

Como se sentem quando aplicam a lei destes senhores que nos desgovernam? Conseguem dormir?
Eu não conseguiria.
Não ouviram falar de um senhor PM que invoca o fim dos "privilégios" e dos "subsistemas" (ele adora estes palavrões técnicos) para vos colocar na bicha do hospital público da vossa comarca?
Para quando a VOSSA participação nas coimas e outras penas pecuniárias que cada um aplicar?
Será que iria dar uma aceleradela ao andamento dos processos?
Estado de Direito? Igualdade perante e lei?


31.Julho.2007
... : silva
País do terceiro mundo...
01.Agosto.2007
... : Miguel Ferreira
Sem comentários.....
01.Agosto.2007
... : LG
Antes deste governo «socialista» o ser, todo o contribuinte, até prova em contrário, era tido como uma pessoa de bem, prevelacia o princípio constitucional da presunção da inocência; agora, «socialisticamente», passamos todos a suspeitos de «malfeitores», em que, se se ousar, simplesmente, reclamar duma liquidação indevida de imposto por parte do Estado, atenção, «bandidos», pensem duas vezes antes de o fazerem, que vai-se vasculhar todas as vossas contas bancárias! Mas, «embrigados» que andamos com coisas mil, dos futebóis às telenovelas (sobretudo de baixa política), parece aque não damos por esta inversão de valores e talvez que um dia destes, «grão a grão». tenhamos perdido, completamente, a «cidadania» e os direitos a ela inerentes! Depois, choremos «lágrimas de crocodilo»!
01.Agosto.2007
... : grumete
A aplicação de qualquer coima só pode ter fundamento legal. Se assim não é o visado pode e deve impugnar para o tribunal (que alías é o que faz hoje em dia qualquer patrão marítimo). Tudo o mais é conversa de meninas
05.Agosto.2007
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