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Menos 100 mil a descontar criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
25-Fev-2007

Desceu o número de trabalhadores a descontar para a Segurança Social. Segundo os últimos dados do Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, em Outubro do último ano estavam inscritas como pessoas singulares na Segurança Social com remuneração declarada e contribuições pagas 3.418.701. Um valor que representa uma queda de mais de cem mil pessoas face a Janeiro do mesmo ano quando estavam inscritas 3.526.180 pessoas.

A redução coincide com um aumento sem precedentes dos trabalhadores portugueses inscritos na Segurança Social espanhola. Nos últimos 12 meses foi de 35 por cento a taxa de crescimento dos trabalhadores nacionais inscritos em Espanha. Em Janeiro deste ano, estavam registados 72 349, enquanto em Janeiro de 2006 o total era de 53 538. Em Janeiro de 2004, os portugueses inscritos na Segurança Social do país vizinho eram apenas 42 530.

A crise económica e o consequente desemprego surge como principal causa para a descida dos inscritos na Segurança Social nacional. Muitos destes trabalhadores face ao excelente comportamento da economia espanhola decidiram passar a fronteira e encontrar trabalho no outro lado.

O sector da construção civil que mantém um forte crescimento no país vizinho é aquele que mais dá trabalho aos portugueses. A busca de mão-de-obra leva também para Espanha imigrantes brasileiros e dos países do Leste, que, contratados por empreiteiros portugueses, procuram do outro lado da fronteira trabalho face à redução de encomendas na construção civil existente no nosso país.

Oposto é o interesse dos espanhóis que procuram trabalho no nosso país. Segundo dados dos ministério do Trabalho e da Solidariedade Social em Outubro último esse número ascendia apenas a 3872. Valor em queda face aos 4136 registados em Janeiro do último ano.

A legislação aplicada estipula que o trabalhador faz descontos no país onde a empresa para a qual trabalha tem a sua sede.

As últimas estimativas do total de portugueses empregados em Portugal é de 5,1 milhões de pessoas. A diferença face aos 3,4 milhões que fazem descontos para a Segurança Social resulta de vários sectores laborais que possuírem sistemas sociais próprios. O grupo mais representativo integra a maioria dos cerca de 700 mil trabalhadores da função pública que não possuem contrato individual de trabalho.

Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego no 4.º trimestre de 2006 foi de 8,2 por cento. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2005 em 0,2 pontos percentuais.

A subida do desemprego vem de encontro à quebra de pessoas inscritas na Segurança Social de Portugal.

PORTUGAL AO FIM-DE-SEMANA. A mais recente vaga de emigrantes portugueses em Espanha a trabalhar na construção civil opta por deixar a família em Portugal e por vir ao País de origem aos fins-de-semana. Entre sexta-feira e a madrugada de segunda-feira circulam centenas de quilómetros em carrinhas de nove lugares.  O cansaço de uma semana de trabalho e a falta de horas de sono semeiam a tragédia nas estradas. Em Dezembro último, um destes acidentes, perto de Salamanca, resultou na morte de dois homens que trabalhavam na construção civil no País Basco e residiam no concelho de Cinfães, no Vale do Douro. Esta é uma das regiões de onde cada vez mais portugueses saem para procurar melhores condições de vida no país vizinho. Também no concelho de Paredes muitos dos homens ligados à indústria de móveis partiram.

MAIORIA VIVE NA GALIZA. A maior parte dos portugueses que vai trabalhar para Espanha desloca-se para a Galiza. Os 11 100 inscritos na Segurança Social local representam mesmo a maior comunidade estrangeira. Na Galiza, os portugueses trabalham sobretudo na pesca, indústria de móveis e construção. Actividades que ocupam também a maioria dos portugueses a viver no País Basco. São 6253, também a maior comunidade estrangeira na região. Diferente é a ocupação dos que vivem nas regiões de Madrid (10 089) e na Catalunha (9253). Trabalham, sobretudo, no comércio, nas artes e em profissões liberais.  Quarta-feira o jornal ‘La Vanguardia' publicou uma reportagem com o título ‘Dispara a imigração portuguesa em Barcelona'. O cônsul português local, Bernardo Futscher, referiu a inscrição local de 12 500 pessoas. "A maioria são jovens ligados ao desenho, arquitectura ou informática", disse. Diferente é a presença na Andaluzia (5574), ou em Castela-Leon (7214), onde a agricultura, a construção e hotelaria ocupam a maioria.

SONHO DE MIL EUROS. Ganhar mil euros é o sonho pelo qual vale a pena passar a fronteira para muitos milhares de portugueses, na sua maioria jovens do Interior, onde os salários rondam os 450 euros.

PAÍS IDEAL. Com 17 por cento das respostas, a Espanha é o país ideal para trabalhar segundo uma sondagem realizada entre os cidadãos da União Europeia. Em segundo lugar surge o Reino Unido com 15 por cento.

TRABALHO ILEGAL. Empresas portuguesas são acusadas pela Justiça espanhola de participaram em redes que levam brasileiros, guineenses e ucranianos com documentos ilegais para a Espanha.

ECONOMIA DISPARA. A Espanha aumentou o Produto Interno Bruto em 3,9% em 2006. Em Portugal foi de 1,3.

CORREIO DA MANHÃ | 25.02.2007

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