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Mapa Judiciário: Desconhecimento da reforma criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
01-Abr-2008
A reforma do mapa judiciário já deu entrada no Parlamento e aponta três regiões que vão funcionar como teste à boa execução das novas regras. No Baixo Vouga e na zona de Sintra, duas dessas regiões, o JN falou com dezenas de advogados, magistrados e funcionários, que mostram um desconhecimento quase absoluto sobre as mudanças. Perplexidade e até medo dentro dos tribunais parece contrastar com a convicção generalizada de que alguma coisa terá que mudar


Baixo Vouga lamenta falta de informação e condições


O desconhecimento sobre o modo de funcionamento do que promete ser a futura comarca piloto Baixo Vouga, cujo pólo principal ficará localizado em Aveiro, e cuja entrada em funcionamento se prevê para Janeiro de 2008, está a deixar preocupados os operadores judiciários da região aveirense.

A comarca-piloto do Baixo Vouga vai integrar dez comarcas hoje existentes, como é o caso de Aveiro, Ovar, Estarreja, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Águeda, Ílhavo, Vagos, Oliveira do Bairro e ainda o município da Murtosa.

Certo é que ninguém parece ter noção do que se vai passar. "Não há dados, o Ministério Público não tem qualquer estrutura prevista", diz ao JN João Vidal, procurador distrital. Ana Maria Seiça Neves, presidente da delegação da Ordem dos Advogados, reitera "Não sabemos ainda como isto vai funcionar", adiantou ao JN.

Em Ílhavo, outra advogado admite que a reforma seja necessária. "Temos consciência que alguma coisa tem que mudar, não conseguimos entender é quais são os novos modelos", afirma Paulo Amador. "Ninguém sabe como faremos, por exemplo as escalas dos advogados para as oficiosas", lembrou, sublinhando que as intenções do Governo passam por uma nova gestão geográfica que implicará muitas mudanças no dia-a-dia dos operadores.

"Esperar para ver" é também a opinião do secretário judicial do Tribunal de Aveiro, Júlio Almeida, para quem a nova comarca "vai exigir uma maior especialização dos funcionários". "O Tribunal de Aveiro tem dado uma boa resposta, assente também em muita carolice de muita gente aqui dentro", salientou Júlio Almeida, numa atitude de abertura perante a mudança.

Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, sublinha as dificuldades. A futura comarca do Baixo Vouga "é a mais complicada das três comarcas piloto anunciadas. Abrange ainda muita indústria e comércio para além das características populacionais. Mas ninguém sabe como vai funcionar", lamenta.

As instalações são outras das preocupações levantadas ao JN. "Aveiro, Ílhavo e Albergaria-a-Velha têm instalações um pouco antigas, com poucas condições, provocando dificuldades de eficácia nos actuais serviços, quantos mais com os novos que se anunciam", considera Fernando Jorge, do Sindicato dos Funcionários Judiciais.

Uma situação que, no caso do Ministério Público também foi levantada pelo procurador João Vidal ao lembrar que "há quatro magistrados que têm que partilhar o gabinete com outros colegas, porque não possuem um próprio". "Temos o dobro dos processos do DIAP de Coimbra e dois terços dos processos do Porto, o que daria, se fossemos um DIAP para sermos o segundo ou terceiro do país", frisou o procurador distrital de Aveiro. 


Sintra sem informação sobre medidas a aplicar


Nos tribunais de Sintra e a Amadora, as alterações ao mapa judiciário são já uma certeza, mas sem que alguém saiba como irão ser postas em prática. "Fala-se muito, mas ainda não há nada em concreto", é a frase reinante nas duas comarcas, onde a reestruturação do mapa judiciário será implementada na fase piloto, que deverá arrancar também em Janeiro.

Em Sintra, concelho que vai absorver as comarcas de Amadora e Mafra, há quem já vá falando sobre o que se vai passar. "A Ordem dos Advogados promoveu iniciativas de esclarecimento. Mas, tirando isso, não tem havido qualquer informação", afirma ao JN Cláudia Graça, advogada-estagiária.

Na sala dos advogados, aliás, as dúvidas são ainda muitas. As únicas informações disponíveis estão nos jornais que ficam à vista, como uma cópia de uma notícia do JN, de 16 de Fevereiro. "A adaptação será um pouco complicada. Aqui e na Amadora ainda há transportes - como o comboio, táxis e autocarros -, mas como será em Mafra?", questiona Cristina Aparício, outra advogada. "O tribunal de Sintra já está a rebentar pelas costuras. Não podem querer aumentar o volume de trabalho sem aumentarem os funcionários judiciais", acrescenta Cláudia Graça.

Maria Silva foi apenas assistir a um julgamento e garante desconhecer por completo as alterações. "Desde que o sistema mude para melhor, essas reformas são bem vindas", admite. Esta moradora no Cacém acrescenta que "os tribunais deveriam estar mais próximos das pessoas. Se centralizarem tudo no tribunal de Sintra, o efeito pode ser contrário", alerta.

Lá dentro, uma funcionária pede para não dar a cara na crítica e no medo que mostra "Ouve-se falar de muita coisa, mas não recebemos ainda nenhuma informação oficial", explica ao JN.

Nos corredores do tribunal da Comarca da Amadora, que abrange as 11 freguesias do concelho e onde vivem perto de 200 mil pessoas, a afluência ainda era pouca após as férias judiciais da Páscoa. Mas ali chegam a entrar perto de 7 mil processos por ano. Uma outra funcionária reconhece a alteração em curso do mapa judiciário, mas garante que "ainda não se sabe de nada, ainda não nos chegou nenhum documento escrito". O tribunal, esse, fica localizado perto do bairro de barracas 6 de Maio, num edifício que embora provisório "tem boas condições", adianta um outro funcionário.

Questionado pelo JN, até o secretário do Tribunal da Amadora, Luís Seixas, esclareceu que não tem "nada em concreto". Luís Seixas escusou-se a comentar o facto de faltarem apenas nove meses para que as alterações entrem em vigor nas comarcas de Amadora, Mafra e Sintra, e ainda não estar nada a ser preparado, remetendo qualquer esclarecimento para direcção-geral da Administração da Justiça.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 01.04.2008 

Comentarios (2)add
... : Miguel
E o Litoral Alentejano?
01.Abril.2008
... : descontente
Caro Miguel (se é quem penso ser):
O litoral Alentejano, segundo julgo saber, vai ter um Tribunal do Trabalho em Sines, atento o seu enorme desenvolvimento desde a última LOTJ.
02.Abril.2008
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