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Manipulação dos pais pelos filhos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
14-Jan-2008
Divórcios. A frustração e dor da separação levam demasiados pais a programarem os filhos contra o outro pai. O fenómeno, que segundo psicólogos e juízes está a ganhar uma expressão preocupante, chega a extremos como acusações infundadas de abuso sexual. Crianças são vítimas. Os pais também...

"Ou me dás 150 euros ou eu deixo de gostar de ti e tiro-te para sempre da minha lista de amigos no telemóvel!" Dito assim, a cru, o repto de Inês, de seis anos, para o pai, divorciado da sua mãe, poderia parecer apenas um capricho de menina mimada. Mas por detrás da chantagem está um passado repetido de manipulação infligida pela mãe, que se esforça por fazer exigências absurdas, através de Inês, para denegrir a imagem do pai perante a filha, de cada vez que uma exigência não é aceite.

Esta é apenas uma tímida manifestação da síndrome de alienação parental, uma psicopatologia pouco conhecida da opinião pública, mas que, segundo psicólogos e juízes, está a aumentar nos casais divorciados, com sérias implicações para as crianças e pais.

Nos casos mais graves, esta patologia - associada à frustração da rejeição e à incapacidade de superar a dor sem recorrer à vingança, através dos filhos - chega mesmo a originar falsas acusações de abuso sexual, o que é bem mais frequente do que se pensa.

Estima-se que, em cerca de metade dos divórcios problemáticos, há acusações ou insinuações de abuso sexual contra os pais, tal como refere o presidente do Tribunal de Menores do Funchal, Mário Rodrigues da Silva, em entrevista ao DN. Este tipo de acusação predomina quando os filhos são mais pequenos e, por isso, mais manipuláveis, sendo induzidos a confirmar a teoria das mães. E, às vezes, basta uma leve insinuação, assessorada por hábeis advogados, para instalar a dúvida num juiz e restringir as visitas, agora que o tema da pedofilia suscita um alarme social sem precedentes.

Essa é uma das razões pelas quais um número crescente de especialistas tem defendido uma maior especialização dos magistrados que tratam com processos de regulação do poder paternal e o apetrechamento dos tribunais com assessores em psicologia. "Estes processos são, muitas vezes, tratados por pessoas sem qualquer formação para detectar sinais de alienação parental, o que só deveria ser feito por psicólogos clínicos ou psiquiatras experimentados", disse ao DN o professor de Psicopatologia Joaquim dos Vultos. Aquele que foi o primeiro assessor do Tribunal de Menores de Lisboa não hesita em apontar também o dedo aos advogados, que " estão apenas interessados em ganhar a causa".

Na mesma linha, a psicóloga Maria Saldanha Pinto Ribeiro diz que "os advogados sabem que a arma do abuso sexual é poderosa e certeira e não fogem a usá-la, escrevendo relatórios insustentáveis, que atropelam a ética e prejudicam as crianças". A autora do livro Amor de Pai - em que conta a história de dois pais falsamente acusados de abusos sexuais - diz que as mães que fazem este tipo de acusações "geralmente são mulheres que vêem os filhos como um prolongamento delas próprias e são incapazes de os colocar acima da dor, da perda, da rejeição, da raiva".

Embora as crianças manipuladas não conheçam sequer a teoria da alienação parental, são profundamente marcadas por ela. A criança é levada a odiar e a rejeitar um pai que a ama e do qual necessita, sendo que o vínculo com o progenitor pode ficar irremediavelmente destruído. A depressão crónica e a incapacidade de adaptação social podem ser fardos a carregar por toda uma vida.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 14.01.2008
Comentarios (10)add
... : BD
O problema é sério e há algum tempo que foi detectado nos Estados Unidos da América, onde actualmente atinge grandes proporções. Os pais manipulam os filhos não só para denegrirem e humilharem o outro cônjuge (quem é que chamou palhaço a quem ultimamente?) mas também, e isto o texto não refere, para conquistarem os filhos para si (manipulador) e por isso é que se fala em "alienação de afectos" (no texto, como nós temos o hábito da técnica, aparece 'síndrome de alienação parental? - tema que o escritor Michael Crichton alude (a par da nanotecnologia e inteligência distributiva) no seu romance Presas, e foi nesta obra de ficção, uma mistura hábil de ficção científica com suspense, que pela primeira tomei conhecimento do tema. Para mim é um crime novo, como o evidentemente mais grave 'venda de crianças' o é, e para a próxima alteração do Código Penal (atirar com a questão para o Civil é relegar o importante) tem de passar pela cabeça do legislador.
14.Janeiro.2008
... : L.C.
É a chamada técnica ou teoria da "alienação parental", que, também já foi e continua a ser utilizada no chamado "Caso Esmeralda", onde também os detentores da menor já utilizaram o defensivo argumento de alegados "problemas" do PAI relacionados com o abuso sexual de menores.

15.Janeiro.2008
... : Luis Peixoto
O que o vulgar cidadão espera da justiça é que a nuvem não seja tomada por juno e que todos os casos ( mesmo aqueles que o não são ) não deixem de ser considerados como graves e a considerar todas as deligencias no apurar da verdade.
15.Janeiro.2008
... : Barracuda
Quem se casa com a moda cedo fica viúvo, diz o ditado e a abertura de fé em juízo de tudo o que as mulheres afirmam tanto na qualidade de pretensas vítimas assédio sexual como de donas dos filhos sempre que isso lhes convém levou a perversões na chamada sociedade ocidental que dificilmente se erradicarão. Como sempre por imitação dos timoneiros, os USA. A moda pegou e a incompetência, covardia e oportunismo dos responsáveis pela apreciação destas matérias, tanto no plano sociológico como judicial, tem parido monstruosidades, como não há muito em França em que um juiz de instrução não hesitou em mandar para os calabouços todos os residentes que uma mulher apontou como abusadores sexuais dos seus filhos. Entrevistados há dias e independentemente de ter sido reconhecida a sua iniocência, têm a sua vida destruída para sempre, nomeadamente a familiar, já que sem mais foram impedidos de contactar com os seus filhos. Que provas ou indícios sérios tinha o tal "petit juge"? As declarações de uma estúpida que, levada pela moda, fez funcionar a credibilidade de uma sociedade que inventa modas e casa com elas. E ai de quem o não fizer! Corre o risco de ser votado ao ostracismo. Voltando ao exemplo franmcês: o Estado teve que desembolsar muitos milhões, o juiz de meia tijela foi para a rua mas o mal está feito. Será que a estúpida que mereceu tanta credibilidade face à negação de uma dezena de inocentes que gritavam a plenos pulmões a sua inicência está hoje onde devia estar, isto é, na cadeia? Não o sei ao certo, mas o que sei é que as trombetas da chamada comunicação social que tanto denegriram os acusados, julgando-os na praça pública como infelizmente no nosso País é pecha dos mesmos meios, não se fizeram eco de qualquer perseguição judicial contra a acusadora. Sintomático!
Se a magistratura fosse o que pretende tinha que exigir provas ou indícios suficientes da acusação, qualquer que ele fosse e viesse ela de quem viesse, homem ou mulher. Hoje, infelizmente, não é predominante essa exigência. Há medo e covardia. Teme-se o que a opinião pública possa dizer. Vivi o suficiente esta problemática, nomeadamente acusações deste tipo e medidas pedidas com ligeireza a nível judicial. Não foi necessário ir à bruxa para deslindar a verdade. Tínhamos na altura meios humanos suficientemente habilitados para o efeito e temos provavelmente hoje ainda mais. O que não tínhamos era os preconceitos da moda: quem não for militante, seja em que matéria for, não conta. Assim temos hoje feminismos e antiracismos, ecologismos, integrismos, ecomenismos e muitos outros militantismos que acabam por desembocar em fenómenos como o objecto desta nota e envenenar a convivência humana, nomeadamente entre homens e mulheres.
15.Janeiro.2008
«segundo psicólogos e juízes, está a aumentar nos casais divorciados, com sérias implicações para as crianças e pais.»

Se me querem vender o peixe que os nossos juízes estão alerta e informados e, por isso, não pactuam com estas situações, é melhor irem pregar para outra freguesia.
A maior parte dos processos resolve-se com uma passagem de olho pelo nome da mãe - para o escrever, na medida do possível, correctamente (já agora), na sentença de lhe dá o poder paternal.
17.Janeiro.2008
«Estados Unidos da América, onde actualmente atinge grandes proporções.»

Se for sádico e tiver essa possibilidade, passe uma tarde a ver um dos nossos tribunais de família a funcionar.
Aperceber-se-á que os EUA ficam, afinal, aqui tão perto.
17.Janeiro.2008
«não deixem de ser considerados como graves e a considerar todas as deligencias no apurar da verdade»

Concordo. Desde que o Juiz tenha depois a coragem de dar a guarda da criança ao outro progenitor (mesmo quando este seja o pai) se este tiver condições para isso.
Não vejo maior prejuízo para uma crisnça que ser "formatada" por alguém sem carácter. Não briquem, estes casos roçam a sociopatia.
17.Janeiro.2008
... : Observadora
É grave. Regularmente dou uma "vista de olhos" aos temas tratados neste site. Denuncia-se o Governo que temos e as tropelias por si cometidas, o sistema judiciário e outros etcs. Denuncia-se e muito bem. Mas há outra realidade torpe que geralmente é ocultada: aquela que acontece na vida privada. Foi muito bom que se tenha falado neste problema das crianças utilizadas, formatadas pelos pais para serem armas de ataque entre si. Lamentável. Os nossos tribunais deviam estar preparados para desvendar este tipo de casos e, por favor, já agora, seria muito útil a formação de comissões especializadas de fiscalização do poder paterno-maternal, que efectuassem relatóros das condições em que as crianças são (des)educadas em situações problemáticas como a referida; relatórios esses sujeitos a controlo jurisdicional. E, quanto aos advogados que enchem os bolsos com a mentira e a desgraça das famílias, só posso concluir que são um mal que corrói a nossa justiça. Verdade material para quê não é?! Não rende tanto...
Mas há outros problemas que qualquer pessoa atenta pode observar no quotidiano. Há uma inversão do papel dos pais na sociedade actual. Olhando para uma boa parte dos pais, não se compreende o que os levou a terem filhos, uma vez que os negligenciam, talvez não de um modo brutalmente óbvio ou demasiado grave, mas sub-repticiamente. Vejamos: estão constantemente a tentar encontrar modos de ter os filhos longe do seu contacto (e não me refiro aqui á necessidade de os deixar em algum lugar durante o período de trabalho, situação plenamente saudável), seja porque querem ir ás compras, ou porque querem ver um filme que passa na televisão sem serem interrompidos, porque vão passear e querem "liberdade" ou porque lhes apetece dormir e não estão para "aturar" pedidos de atenção das crianças. E outras situações se pode observar: as crianças são mal agasalhadas, não têm uma alimentação correcta (viva a era dos hambúrgueres e pizas, afinal a comida infantil e saudável é cara e sempre tem que haver dinheiro para os cigarros dos papás), os pais não dispendem "tempo de qualidade" com as crianças, não param as suas vidas por duas ou uma hora que seja para ouvirem os seus filhos. Concluindo: têm os filhos para depois viverem como se não os tivessem. Tudo por um momento de silêncio ao fim de um dia de trabalho...Depois é o que se vê: as crianças estão cada vez mais mal-educadas, irritadiças e indisciplinadas. É natural, é a sua tentativa de dizerem "estou aqui". Claro que não são todos os pais assim, mas a parte que o é podia prestar mais atenção aos bons exemplos...Como se costuma dizer, as crianças são o nosso futuro, mas não nos preocupamos com a sociedade que estamos a construir. Não percebo porquê...
18.Janeiro.2008
... : Dora
Bom dia,
Eu precisava mais de uma ajuda...
O meu namorado tem uma filha com quase 3 aninhos, quando se separou da mãe da Bia a pequenina tinha 2 anos, ele a ia buscar de 15 em 15 dias sem qualquer problema a Bia vinha bastante contente sem sequer qusetionar pela mãe em qualquer situação. Neste momento eu e o meu namorado por motivos nossos estamos separados e o Pedro tem partilhado comigo a tristeza da Bia sempre que a vai buscar nos ultimos tempos chora sempre no primeiro dia chamando bastante pela mãe. Neste periodo da nossa separação as visitas do Pedro tornaram-se mais regulares pois a ex mulher permite que ele já a visite fora desses 15 dias na casa onde está a viver que é a dos avós maternos da pequenina...
Não queria deixar de ter um conselho a dar a ele dessa forma gostaria de perceber um pouco melhor este comportamento da Bia.
Agradeço desde já atenção dispensada.

Cumps,
Dora

21.Janeiro.2008
... : vera
smilies/grin.gif gostei mtmtmtmtmtgmtmtmtmtmgmgttntgnhymjumym.
28.Janeiro.2008
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