«Com a criação
destes quatro novos Julgados de Paz, o número de concelhos abrangidos
passa de 32 para 43 e o universo de habitantes servidos pelos Julgados
de Paz aumenta de 2.375.784 para 2.746.448», refere o MJ.
Outra
novidade reside no facto de, a partir de 01 de Janeiro de 2008, os
Julgados de Paz passarem a resolver conflitos até ao valor de cinco mil
euros, quando actualmente a sua competência para apreciar e decidir
acções declarativas cíveis tem como limite o valor de 3.740,98 euros.
Os Julgados de Paz, que funcionam ininterruptamente de Janeiro a Dezembro e alguns mesmo ao sábado de manhã, são «tribunais com características especiais, competentes para resolver algumas causas de natureza cível», visando a «resolução de conflitos de uma forma rápida e a custos reduzidos».
Segundo
dados do MJ, o prazo médio para resolução do conflito é de dois meses e
o custo do processo é sempre inferior a 70 euros.
Entre
as questões que podem ser resolvidas nos Julgados de Paz figuram os
conflitos de condomínio, incumprimento de contratos e obrigações,
arrendamento urbano (exceptuando o despejo), acidentes de viação
(exemplo: acção para pagamento de uma indemnização pelos danos causados
num veículo envolvido no acidente) e direito sobre bens móveis e
imóveis , relacionadas com propriedade, escoamento natural de águas,
abertura de janelas, portas, plantação de árvores e arbustos, entre
outras situações.
Os litígios podem ser resolvidos
por mediação (com a intervenção de um mediador de conflitos), por
conciliação, em momento prévio ao julgamento, realizado por um juiz de
paz ou por julgamento, através de uma sentença de um juiz de paz.
É
possível recorrer da sentença do juiz de paz para um tribunal judicial,
desde que o valor da acção seja superior a 1.870,49 euros. A partir de
1 de Janeiro de 2008 passa a ser possível recorrer quando o valor da
acção seja superior a 2500 euros.
Segundo o MJ, o número de processos entrados nos Julgados de Paz cresceu «significativamente»
desde o início do projecto experimental: 336 em 2002, 697 em 2003,
2.535 em 2004. 3.539 em 2005, 5.066 em 2006 e 2.932 até 30 de Junho de
2007 (crescimento de 15,4 por cento face ao período homólogo).
No total, registaram-se 15 105 processos entrados, segundo também o gabinete do ministro da Justiça, Alberto Costa.
Os Julgados de Paz criados inserem-se no Plano de Desenvolvimento da Rede de Julgados de Paz.
SOL | 04.12.2007