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No ano passado, os lucros consolidados dos quatro maiores bancos privados a operar em Portugal – detêm uma quota de mercado conjunta de 64 por cento – voltaram a disparar, cifrando-se em quase dois mil milhões de euros (mais 30 por cento do que em 2005).
Uma tendência que surge em contraciclo com o andamento da economia, que se expandiu a um ritmo moderado: o ano passado o PIB deverá ter apresentado um crescimento de 1,2 por cento, enquanto o desemprego terá ficado nos 7,6 por cento.
O Banco Comercial Português (BCP) (quota de mercado de 23 por cento), o Banco Espírito Santo (19 por cento), o Santander Totta (12,3 por cento) e o Banco Português de Investimento (10 por cento) apresentaram, no ano transacto, lucros globais "históricos" de quase 1,934 mil milhões de euros, mais 30 por cento do que o valor registado no ano anterior - a evolução média em 2005 face a 2004 foi de 42 por cento. E o Santander ascendeu à segunda posição em termos nacionais, apresentando lucros de 425,2 milhões de euros (mais 25 por cento que em 2005), gerados em Portugal.
Como é que os bancos prosperaram tanto, se a economia portuguesa cresceu tão pouco? Por uma combinação de factores: algum crescimento do negócio, menores provisões para créditos (crédito vencido a descer), maior dependência da actividade internacional.
Do ponto de vista do negócio, os recursos captados pelas quatro instituições aumentaram 4,2 por cento, atingindo 161 mil milhões de euros, enquanto o crédito concedido disparou 12 por cento, subindo para mais de 157 mil milhões de euros.
Uma fonte de obtenção de receitas relevantes provém das comissões cobradas aos clientes pelos diversos serviços que os bancos prestam, que em 2006 aumentaram 11,6 por cento e totalizaram 1,97 mil milhões de euros.
Outras fontes de rendimento dos bancos
Os bancos possuem ainda outras fontes de rendimento que não dependem da actividade económica doméstica, e, por isso, permitem compensar a eventual perda de negócio: os lucros das operações financeiras.
Actualmente estão a beneficiar de terem aproveitado o período de desaceleração económica (e de quase estagnação dos anos anteriores), para "arrumar a casa". Neste contexto, as instituições bancárias começaram a ajustar a actividades antes dos restantes sectores, alienando activos e reduzindo o seu quadro de trabalhadores, o que começa agora a reflectir-se nas contas dos dois últimos anos (a reestruturação do quadro de pessoal do BCP reflectiu-se numa poupança de 40 milhões de euros em 2006).
Contributo da actividade internacional
Em 2006, os três bancos portugueses, BCP, BES, BPI, lucraram com as suas operações externas 229 milhões de euros, cerca de 12 por cento do resultado consolidado global. A expansão internacional permitiu às três instituições compensar uma procura interna praticamente estagnada (o país tem apresentado fracos crescimentos económicos).
Presente no retalho na Polónia, na Grécia e em Moçambique (prepara-se para começar a trabalhar em Angola), o grupo liderado por Paulo Teixeira Pinto (93,2 milhões de euros de lucros na área internacional) está a beneficiar do amadurecimento destes mercados, designadamente dos europeus.
Já o banco encabeçado por Ricardo Salgado (68,6 milhões de euros) privilegia as áreas de "corporate" e banca de investimento (Reino Unido, Angola, França, Brasil) e está em Espanha, com uma rede agências orientadas para apoiar as PME. O BPI (67,2 milhões de euros) controla o maior banco comercial angolano, BFA. No mercado angolano o PIB cresce a taxas superiores a 20 por cento ao ano.
PUBLICO | 07.02.2007
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