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Os devedores portugueses vão ver os
seus nomes publicados numa nova lista na internet já no próximo ano.
Isto depois de o Governo ter aprovado ontem em Conselho de Ministros
uma proposta de lei que prevê a criação de uma lista pública de
execuções frustradas.
Actualmente, as acções executivas
pendentes no sistema judicial representam por ano 700 milhões de euros,
de acordo com um documento oficial a que o CM teve acesso.
Em
causa estão as acções executivas que terminaram sem êxito devido à
inexistência de bens penhoráveis. Só em 2006, foram 952 206 as acções
executivas pendentes, o que corresponde a 59,8 por cento de todas as
acções judiciais pendentes. Este problema das dívidas incobráveis
prejudica gravemente a economia. Estima--se que entrem por ano nos
tribunais acções executivas no valor de 2,3 mil milhões de euros e
findam apenas 1,6 mil milhões. Ou seja, ficam por cobrar 700 milhões de
euros.
Para “criar um forte elemento dissuasor do incumprimento
de obrigações” e “evitar processos judiciais sem viabilidade”, o
Governo decidiu avançar com a publicação dos nomes dos devedores na
internet. O secretário de Estado da Justiça, Tiago Silveira, garantiu
porém que “esta lista se destina a devedores relapsos e não a pessoas
que tiveram um problema na sua vida e, como tal, precisam de o
resolver”.
Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, está
previsto que um “executado em situação de sobreendividamento ou com
múltiplas dívidas possa recorrer aos serviços de entidades para
resolução desses problemas” e que a “adesão a um plano de pagamentos e
o seu cumprimento pode permitir a suspensão dos registos da lista
pública de execuções”.
Nas acções executivas estão em causa, na
sua maioria, dívidas relativas a telemóveis e multas de trânsito e, em
menor escala, dívidas de electricidade, água e gás. Já a maioria dos
exequentes são empresas e os executados pessoas singulares.
O
Governo assegurou que a lista foi criada com “especiais cautelas” e,
por isso, foi introduzido um mecanismo de reabilitação, que prevê a
“exclusão de registos com mais de cinco anos”. Além de ter sido criado
um sistema de reclamações rápido destinado a corrigir incorrecções ou
erros da lista, estabelecendo-se o prazo de um dia útil para a sua
apreciação. Caso a decisão não seja transmitida dentro do prazo, o nome
da pessoa visada é retirado da lista. E, caso se verifique a existência
de um erro na inclusão de um nome na lista de devedores, poderá haver
um pedido de desculpas público.
MALPARADO NÃO PÁRA DE SUBIR
Apesar
de todas as dificuldades, os portugueses devem cada vez mais dinheiro
aos bancos e têm mais dificuldades para pagar os empréstimos. Segundo
os dados do Banco de Portugal, no passado mês de Outubro, o crédito
malparado estava nos 2,23 mil milhões de euros, quando no primeiro mês
do ano se fixava nos 1,9 mil milhões de euros. Já o crédito total
concedido pelas instituições financeiras estava nos 125,03 mil milhões
de euros, um significativo aumento face aos 115,7 mil milhões de euros
em dívida em Janeiro. O crédito que mais tem subido é o da habitação,
que é também aquele que tem a mais baixa percentagem de incumprimento.
ADVOGADOS
A
proposta ontem aprovada pelo Governo para a reforma da acção executiva
prevê que os advogados possam assumir funções de agente de execução e
que este agente possa ser substituído por vontade de quem move a
execução, sem necessidade de uma decisão judicial.
JUÍZES
Com
a reforma da acção executiva, os juízes deixarão de receber e analisar
todos os relatórios dos agentes de execução sobre as suas diligências.
“Será reservada a intervenção do juiz de execução para os casos em que
exista efectivamente litígio e não em casos meramente burocráticos, que
caberão ao agente de execução”, segundo adiantou o secretário de
Estado, Tiago Silveira.
NÚMEROS DA ACÇÃO EXECUTIVA
955 206 acções executivas estavam pendentes em 2006, o que correspondia a 59,8% do total da acções judiciais pendentes.
2300 milhões de euros é o valor total estimado das acções executivas que entram por ano nos tribunais.
700 milhões de euros é o valor das acções executivas que ficam pendentes no sistema judicial.
140
mil acções entram por ano nos tribunais (valor do ano de 2006). Os
centros de arbitragem têm um potencial para resolver 50% dos processos.
125 mil processos que se encontravam nas secretarias de injunção de Lisboa e do Porto estavam por autuar.
90 por cento dos exequentes refere-se, na sua maioria, a pessoas colectivas (empresas).
CORREIO DA MANHÃ | 21.12.2007
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