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O ministro da Justiça, Alberto Costa,
esteve ontem em Aveiro a apresentar o novo sistema de mediação penal,
que já entrou em funcionamento, a título experimental, em Aveiro,
Oliveira do Bairro, Porto e Seixal. Para o titular da pasta da Justiça,
este novo sistema é "um momento importante na evolução dos sistemas de
mediação bem como da justiça penal em Portugal".
Garantindo que o novo sistema, que se
aplica à pequena criminalidade, é "um desafio" para o Ministério
Público e "não é hostil" aos advogados, Alberto Costa referiu que estes
sistemas de medicação "estão a diversificar-se e a implementar-se em
Portugal".
Porque no âmbito do quadro europeu esta implementação
"era necessária", o ministro lembrou as "boas experiências de vários
países europeus onde houve um grande sucesso". Aliás, segundo Alberto
Costa, o novo sistema está "orientado para a abertura de um espaço
restaurativo na justiça penal".
O sistema de mediação penal visa
permitir a resolução por acordo de conflitos relacionados com a pequena
criminalidade. A mediação penal permite que o arguido e o ofendido
sejam auxiliados por um terceiro imparcial o mediador , no sentido de
alcançar um acordo. Acordo
esse que permite pôr fim ao processo
penal sem necessidade de julgamento. Este novo sistema é aplicável
quando estão em causa crimes puníveis com pena de prisão até cinco
anos, desde que sejam crimes particulares ou semi-públicos contra as
pessoas e o património. Ora, para Alberto Costa, com estas soluções
"ganha a vítima, o autor do delito e o Estado". No caso específico da
vítima, esta "ganha muito porque o sistema é orientado para colocar a
vítima no centro das atenções", permitindo que seja subtraída "da
segunda vitimização". E como tudo o que
diminua essa "segunda sequela é muito positivo", Alberto Costa considerou que este sistema "dá um bom contributo".
Realçando
que não se trata de "uma privatização do processo penal" e que este
novo sistema "é público e credenciado", o responsável pela pasta da
justiça sublinhou: "esta é uma nova oferta pública para a pequena
criminalidade". Porque não há privatização, mas antes "uma forma
acrescida de participação", Alberto Costa não esqueceu o "papel
fundamental" do Ministério Público nesta criação. Criação essa que
é uma forma de "resolver problemas que podem ter uma solução social mais positiva".
Embora haja a figura de um mediador, o ministro esdareceu que quer o arguido quer a vítima podem "ter um advogado".
Alberto
Costa lembrou, ainda, que, no final desta primeira experiência, vai-se
caminhar "para outras soluções" noutros pontos do país. Agora, com os
quatro centros em experiência, é "a comunidade que tem a ganhar com
este novo processo", pois o que está em causa "é o interesse da
comunidade".
DIÁRIO DAS BEIRAS | 24.01.2008
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