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O Presidente da República, Cavaco Silva, concedeu no último Natal um indulto a um proprietário de discotecas em Évora, ignorando que o homem era procurado pelas autoridades policiais portuguesas e estrangeiras, noticia hoje o semanário Expresso. O ministro da Justiça, Alberto Costa, ordenou hoje à Inspecção-Geral dos Serviços da Justiça uma averiguação à instrução do pedido de indulto apresentado por um familiar de Américo Mendes, um empresário foragido.
De acordo com um comunicado do gabinete de imprensa do Ministério da Justiça, a averiguação deverá realizar-se com carácter de urgência, tendo sido fixado o prazo de 15 dias para a sua conclusão.
Segundo a edição de hoje do "Expresso", no último Natal Cavaco Silva perdoou a pena de seis meses aplicada ao empresário, ignorando que o visado tinha sido também condenado a quatro anos e meio de prisão num outro processo, relativo a burla, abuso de confiança e desvio de cheques.
Presidente desconhecia que empresário se encontra fugido
De acordo com a notícia, o pedido de perdão, visando a reintegração social do condenado, apontava como atenuante o facto de já ter sido paga uma multa de cerca de 25 mil euros, associada à pena de prisão de seis meses.
Citando uma fonte da Presidência da República não identificada, o "Expresso" adianta que a proposta de indulto apresentada pelo ministro da Justiça vinha acompanhada de pareceres favoráveis, incluindo o do Tribunal de Execução de Penas. De acordo com o semanário, o Chefe de Estado concedeu o perdão de uma pena de seis meses de prisão aplicada ao empresário, desconhecendo que o homem já tinha sido condenado, num processo anterior, a quatro anos e meio de cadeia e sobre o qual pendiam vários mandados de captura nacionais e internacionais por ter fugido para o estrangeiro.
Surpresa dos Juízes de Évora
No entanto, fontes judiciais de Évora, adiantaram àquele semanário que o empresário não chegou a cumprir um único dia de prisão por ter fugido para o Brasil e Moçambique, tendo vindo a Portugal clandestinamente algumas vezes.
O Expresso revela ainda que o indulto presidencial surpreendeu os juízes de Évora. Um deles, sob anonimato, disse não compreender "quais as razões para que um indivíduo sem escrúpulos, que se furtou ao cumprimento de qualquer pena, evadindo-se do País, tenha sido beneficiado com uma medida de perdão excepcional".
PUBLICO | 03.02.2001
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