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As famílias portuguesas parecem não acreditarem na melhoria económica
do país e estão entre os mais pessimistas da Zona Euro. Há seis meses
consecutivos que relatam uma deterioração da sua situação financeira e
já em Março as suas "avaliações" sobre a economia doméstica atingiram o
ponto mais negro desde 1986. Os consumidores temem a inflação, o
desemprego e não se atrevem a grandes compras, de acordo com dados
ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os portugueses não deixam de comer, mas estão a cortar na compra de
bens não alimentares e as expectativas sobre a compra de bens
duradouros - como carros e electrodomésticos - está próximo dos mínimos
históricos. Para os próximos 12 meses, as esperanças em proceder a
grandes compras, deterioraram-se. É que a opinião dos consumidores
sobre a economia do país nunca foi tão negativa como em Março.
O clima económico melhorou ligeiramente no último mês, mas os
industriais parecem estar contagiados com o pessimismo dos
consumidores. A confiança no andamento da economia caiu com a indústria
- transformadora - a acusar quebras na procura interna e externa.
Dentro de fronteiras os consumidores apertam os cordões à bolsa e no
estrangeiro o comércio português com os principais parceiros comerciais
está a desacelerar, afectando as carteiras de encomendas e as
exportações de mercadorias. Espanha, por exemplo, reviu 20% em baixa as
suas importações, o que afectará as vendas nacionais.
É a consequência da subida das taxas de juro - após a crise do crédito imobiliário norte-americano, subprime
- e da selectividade nos empréstimos (para consumo e investimento) que
leva à travagem das economias. Apesar do comércio mundial estar a
crescer acima de 6%, a economia europeia está em desaceleração. A Zona
Euro está a rever os crescimentos das economias em baixa e o Banco
Central Europeu, atemorizado com o andamento dos preços, não baixa as
taxas de juro. Ainda ontem, numa primeira estimativa, a Comissão
Europeia disse que a inflação subiu 3,5% em Março, em comparação com o
mesmo mês de 2007.
Ontem, o INE revelou que as vendas do comércio cresceram 2,9% em
Janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2007. A venda de produtos
alimentares subiu 7,3% mas, em contrapartida, os portugueses gastaram
menos 0,7% na factura com produtos não alimentares, o que sucede pelo
terceiro mês consecutivo
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 01.04.2008
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