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Famílias: pior crise doméstica desde 1986 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
01-Abr-2008
As famílias portuguesas parecem não acreditarem na melhoria económica do país e estão entre os mais pessimistas da Zona Euro. Há seis meses consecutivos que relatam uma deterioração da sua situação financeira e já em Março as suas "avaliações" sobre a economia doméstica atingiram o ponto mais negro desde 1986. Os consumidores temem a inflação, o desemprego e não se atrevem a grandes compras, de acordo com dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


Os portugueses não deixam de comer, mas estão a cortar na compra de bens não alimentares e as expectativas sobre a compra de bens duradouros - como carros e electrodomésticos - está próximo dos mínimos históricos. Para os próximos 12 meses, as esperanças em proceder a grandes compras, deterioraram-se. É que a opinião dos consumidores sobre a economia do país nunca foi tão negativa como em Março.

O clima económico melhorou ligeiramente no último mês, mas os industriais parecem estar contagiados com o pessimismo dos consumidores. A confiança no andamento da economia caiu com a indústria - transformadora - a acusar quebras na procura interna e externa. Dentro de fronteiras os consumidores apertam os cordões à bolsa e no estrangeiro o comércio português com os principais parceiros comerciais está a desacelerar, afectando as carteiras de encomendas e as exportações de mercadorias. Espanha, por exemplo, reviu 20% em baixa as suas importações, o que afectará as vendas nacionais.

É a consequência da subida das taxas de juro - após a crise do crédito imobiliário norte-americano, subprime - e da selectividade nos empréstimos (para consumo e investimento) que leva à travagem das economias. Apesar do comércio mundial estar a crescer acima de 6%, a economia europeia está em desaceleração. A Zona Euro está a rever os crescimentos das economias em baixa e o Banco Central Europeu, atemorizado com o andamento dos preços, não baixa as taxas de juro. Ainda ontem, numa primeira estimativa, a Comissão Europeia disse que a inflação subiu 3,5% em Março, em comparação com o mesmo mês de 2007.

Ontem, o INE revelou que as vendas do comércio cresceram 2,9% em Janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2007. A venda de produtos alimentares subiu 7,3% mas, em contrapartida, os portugueses gastaram menos 0,7% na factura com produtos não alimentares, o que sucede pelo terceiro mês consecutivo

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 01.04.2008 

Comentarios (2)add
... : Barracuda
Tenho sérias dúvidas sobre a validade deste pessimismo. Portugal, visto por um habitante da Alemamanha, da França, do Luxemburgo, da Bélgica e de outros países ditos ricos da UE não parece viver em dificuldades. Já o ouvi muitas vezes. O consumo, na sua mais visível manifestação, é desenfreado. A circulação automóvel, incluindo nos meios pequenos é frenética, de noite e de dia e nas grandes cidades simplesmente um pandemónio. Um fim de semana de céu mais aberto e lá vai a debandada estrada fora, para descansar, dizem, pelo contrário, digo eu, para gastarem em combustível e alimentação e regressarem um dia depois ou no mesmo mais mortos que vivos, se não ficarem pelo caminho. Os portugueses são "donos" da "sua casa" em percentagem inatingida nos países ditos ricos, em matéria de telemóvel e seu uso, último grito e milhões de SMS e outras despesas incluindo a compra de musiquinhas, parque automóvel igual ao melhor salvo no número de carros ridículos onde se encaixam 5 pessoas mais bagagem e pé na tábua, as catedrais da bola cheias de fanáticos, os restaurantes, pastelarias e outros estabelecimentos da cultura nocturna cheios e por aqui me fico, deixando muita coisa na gaveta, como por exemplo as férias no estrangeiro, lá para os centros badalados pelos VIP. Que mais querem os portugueses? Mais uma superponte no Tejo para servir Portugal, um TGV ao longo da costa para apreciar a paisagem a 300 kms por hora, um aeroporto e uma cidade nova à sua volta com balcão e mesanine para ver e ouvir os aviões, o maior espectáculo de fogo de artifício do mundo pelo menos uma vez no ano? Organizar todos os campeonatos do mundo, incluindo os olímpicos?Vão ter como vão ter um computador para cada membro da família, incluindo os animais de estimação, plasmas em cada compartimento da casa e o mais que o choque tecnológico permita fornecer. E nem se diga que tudo isto se passa só nos grandes centros. No interior abandonado o frenesi é semelhante e raro é o camponés com meia dúzia de hectares de terra que n tenha um tractor descomunal, outro mais pequeno e todo o equipamento que muitas vezes nem sequer usa. É que se o vizinho tem ele também quer e maior. Não acreditam os da cidade? Vão ver. Os Portugueses vão ter tudo do melhor que não são menos que os outros, pois então, e os senhores do Governo dão o exemplo. O que não vão ter é a noção da realidade e um dia destes vão ser tratados como devem, sem país e sem dignidade, candidatos a emigrantes para finalmente compreenderem que é necessário ter os pés na terra e viver com o que se ganha, sem invejas nem aparências que custam caro e nos fazem um país ridículo. Por mim, enquanto vir o espectáculo que qualquer estrangeiro pode ver entre nós, não acredito nessas lamúrias das famílias, dos industriais e comerciantes, do governo e da oposição faz de conta. Eu sei da minha vida, que não dá para luxos, sem conta a prazo no banco, objectos de uso doméstico que partem só quando inaproveitáveis e nada de bla bla ao telelé para falar do tempo,mas uma andorinha não faz a Primavera, ainda bem neste caso.
08.Abril.2008
... : AMC
Não entendo como Portugal entrou para a Ex-CEE em 1986, actual União Europeia, ainda está numa situação económica dificil. Por vezes penso que o que melhor aconteceu a este País foi ter entrado para a União Europeia, do que o próprio 25 de Abril de 1974.

Como foi possível darmos a independência do Ultramar (ex-colónias), de uma forma tão selvagem e irresponsável, em que erámos os Senhores do deste Mundo, em todos os Países tinham inveja de nós, em que tinhamos a melhor economia do mundo, em que não procisavamos da Ex- CEE para nada, etc., etc., etc.

Como foi possível chegarmos à situação em que estamos, como uma taxa de IVA de 21%, com empresas a falirem, famílias na "miséria", problemas sociais graves, crimes violentos. Será iremos ser a Argentina da Europa, num próximo futuro? Quem são os responsáveis por isto tudo? Os cidadãos ou os políticos que ocurparam o poder ao longo destes 30 nos, pós 25 de Abril?

Fico triste, pondero emigrar para um Páis Terceiro e tentar esquecer o meu "passado", bem como esquecer este País que caiu ou está a cair na miséria europeia, pois somos o País mais probe da União Europeia.

Quem conheceu Malta em 1998, País Terceiro, portanto não Europeu, e que hoje nos ultrapassa ou está quase, porquê?

Penso que é necessário criar uma lei, o mais urgente possível, para levar aos Tribunais nacionais, quem foi irresponsável pela governação de um País que foi o mais rico da europa e do mundo.

Temos a obrigação de sermos melhores que os outros, poís consquistamos um mundo, onde ensinamos a escrever, a cultivar, a produzir, a semear, etc.
09.Abril.2008
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