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Foi com base "numa avaliação parcial, estática e míope" que o Governo
levou a cabo as recentes medidas de descongestão pontual dos tribunais
cíveis. A apreciação faz parte da s conclusões de um estudo científico
elaborado por investigadores da Faculdade de Economia da Universidade
Nova de Lisboa, sob a coordenação de Nuno Garoupa. No referido
trabalho, que amanhã será tomado público no auditório da Fundação
Luso-Americana, em Lisboa, é ainda criticada a solução encontrada pelo
Executivo para a reforma do mapa judiciário, com base na substituição
das actuais comarcas por uma divisão do País nas chamadas NUTS
(Nomenclaturas de Unidades Territoriais) utilizadas para fins
estatísticos.
O estudo em apreço - "A Justiça Cível em Portugal: Uma Perspectiva
Quantitativa", começa por avaliar as virtudes e defeitos de outros
trabalhos desenvolvidos tendo em vista a reforma do sistema judicial, e
prossegue com uma análise quantitativa aos números da justiça Cível, de
onde o jornal de Negócios recolheu as informações relativas ao tempo
médio necessário para a finalização de processos referentes a falências
e recuperação de empresas, assim como ao nível da acção declarativa e
acção executiva.
Em relação à solução adoptada pelo Governo para a
reforma do mapa judiciário, o estudo elaborado pelos investigadores
Nuno Garoupa, Guilherme Vasconcelos Vilaça e Sofia Amaral, critica o
facto de aquela opção não reconhecer "o efeito muito negativo que a
continuada oferta teve na procura e, por consequência, na actual
congestão" dos tribunais.
No entanto, a apreciação mais negativa
relativamente a este assunto deve-se ao que os autores classificam como
"oportunidade perdida", quando sustentam que, até ao momento, "nenhuma
das reformas operadas pelo Governo com vista à descongestão dos
tribunais cíveis introduziu um sistema de diagnóstico [...] que
permita, no futuro, uma discussão mais rigorosa ou um exercício
adequado de benchmarking". Isto, para que seja possível diagnosticar
problemas e proceder à sua correcção.
Outros factores que suscitam
uma apreciação crítica do estudo em apreço, desenvolvido no âmbito de
uma parceria entre a SEDES e a Associação Jurídica do Porto, prende-se
com o facto de a proposta de reforma assente em NUTS ter por base uma
análise da litigância judicial e a sua projecção para 2015 se sustentar
na evolução da população e das suas características socioeconómicas,
"ignorando o funcionamento das instituições e os incentivos que
transmitem aos agentes". Evidencia ainda o facto de a mesma solução
ignorar "completamente as pendências actuais".
JORNAL DE NEGÓCIOS | 17.01.2008
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