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Um novo modelo para detecção poligráfica da mentira, que evita
as falsas acusações e protege os inocentes, está a ser testado no âmbito de um
projecto do investigador da Universidade de Aveiro, Carlos Fernandes da
Silva. "É muito prematura a sua introdução na investigação criminal, pois só
tem dez anos de pesquisa, ainda precisa de ser afinado" sustentou o psicólogo,
adiantando que o novo método recorre ao modelo de perguntas segundo a entrevista
cognitiva, evitando as limitações do tradicional uso dado ao polígrafo.
Apresentado ontem em Coimbra, no âmbito do I Simpósio de Psicologia e Crime, o
teste baseia-se num novo modelo de interrogatório, que ultrapassa a modalidade
clássica da pergunta/resposta e visa "proporcionar ao interrogado, a instalação
mental no cenário do crime".
"Pede-se ao sujeito para falar livremente sobre
o cenário do crime, mesmo de coisas que lhe pareçam irrelevantes e para voltar a
relatar os factos de pontos de vista espaciais e temporais diferentes", explicou
o professor catedrático da Universidade de Aveiro (UA) à Lusa.
De acordo com
Carlos Fernandes da Silva, ao evitar que o esquema gerado pela recordação dos
factos controle o depoimento, a entrevista cognitiva aumenta em 35% a eficácia
do interrogatório policial clássico.
PERFIL CRIMINAL
No mesmo simpósio, o criminalista Barra da
Costa destacou a importância da elaboração do perfil psico-criminal na
investigação criminal. "A elaboração do perfil psicológico é uma coisa muito
séria, mas contando sempre com o trabalho no terreno, a capacidade de lutar
contra o insucesso e de lidar com a pressão", afirmou. Barra da Costa falou no
tema ‘Perfis Psico-Criminais no caso dos Homicidas Domésticos’, recorrendo a
exemplos de factos actuais como o caso Madeleine e o cabo Costa, o ‘serial
killer’ de Santa Comba Dão, tendo elogiado o trabalho da PJ neste
último.
Para o criminalista, a investigação deve caracterizar-se por "muita
ciência, muita técnica e muita arte", intuição, talento, experiência e
humildade. Como elementos para um perfil psico-criminal, destacou os
antecedentes de conduta do acusado e a planificação da acção, a cena do crime,
as condutas pós-criminais e o estudo da vítima.
Crimes como as violações,
fogo posto, a tortura ou sadismo nas agressões sexuais e assassinatos com
mutilações ou satânicos são alguns dos que podem ser investigados em termos de
perfil criminal.
Violação com cifras negras
A psicóloga Francisca Rebocho, autora de um estudo sobre o
perfil do violador português, considerou ontem que as cifras negras da violação
"são elevadíssimas", já que muitas mulheres ocultam o crime. "As cifras negras
da violação são elevadíssimas. Há uma série de motivações que fazem com que as
mulheres não revelem que foram violadas", disse a investigadora. Autora do livro
"Caracterização do violador português: um estudo exploratório", Francisca
Rebocho adiantou que mulheres que tenham uma relação estável serão levadas a
esconder o crime de que foram alvo para evitar causar repulsa sexual no
parceiro.
CORREIO DA MANHÃ | 10.06.2007
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