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Descobrir a mentira pelo polígrafo ? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
11-Jun-2007

Image Um novo modelo para detecção poligráfica da mentira, que evita as falsas acusações e protege os inocentes, está a ser testado no âmbito de um projecto do investigador da Universidade de Aveiro, Carlos Fernandes da Silva. "É muito prematura a sua introdução na investigação criminal, pois só tem dez anos de pesquisa, ainda precisa de ser afinado" sustentou o psicólogo, adiantando que o novo método recorre ao modelo de perguntas segundo a entrevista cognitiva, evitando as limitações do tradicional uso dado ao polígrafo.

Apresentado ontem em Coimbra, no âmbito do I Simpósio de Psicologia e Crime, o teste baseia-se num novo modelo de interrogatório, que ultrapassa a modalidade clássica da pergunta/resposta e visa "proporcionar ao interrogado, a instalação mental no cenário do crime".
"Pede-se ao sujeito para falar livremente sobre o cenário do crime, mesmo de coisas que lhe pareçam irrelevantes e para voltar a relatar os factos de pontos de vista espaciais e temporais diferentes", explicou o professor catedrático da Universidade de Aveiro (UA) à Lusa.
De acordo com Carlos Fernandes da Silva, ao evitar que o esquema gerado pela recordação dos factos controle o depoimento, a entrevista cognitiva aumenta em 35% a eficácia do interrogatório policial clássico.

PERFIL CRIMINAL
No mesmo simpósio, o criminalista Barra da Costa destacou a importância da elaboração do perfil psico-criminal na investigação criminal. "A elaboração do perfil psicológico é uma coisa muito séria, mas contando sempre com o trabalho no terreno, a capacidade de lutar contra o insucesso e de lidar com a pressão", afirmou. Barra da Costa falou no tema ‘Perfis Psico-Criminais no caso dos Homicidas Domésticos’, recorrendo a exemplos de factos actuais como o caso Madeleine e o cabo Costa, o ‘serial killer’ de Santa Comba Dão, tendo elogiado o trabalho da PJ neste último.
Para o criminalista, a investigação deve caracterizar-se por "muita ciência, muita técnica e muita arte", intuição, talento, experiência e humildade. Como elementos para um perfil psico-criminal, destacou os antecedentes de conduta do acusado e a planificação da acção, a cena do crime, as condutas pós-criminais e o estudo da vítima.
Crimes como as violações, fogo posto, a tortura ou sadismo nas agressões sexuais e assassinatos com mutilações ou satânicos são alguns dos que podem ser investigados em termos de perfil criminal.

Violação com cifras negras
A psicóloga Francisca Rebocho, autora de um estudo sobre o perfil do violador português, considerou ontem que as cifras negras da violação "são elevadíssimas", já que muitas mulheres ocultam o crime. "As cifras negras da violação são elevadíssimas. Há uma série de motivações que fazem com que as mulheres não revelem que foram violadas", disse a investigadora. Autora do livro "Caracterização do violador português: um estudo exploratório", Francisca Rebocho adiantou que mulheres que tenham uma relação estável serão levadas a esconder o crime de que foram alvo para evitar causar repulsa sexual no parceiro.

CORREIO DA MANHÃ | 10.06.2007

Comentarios (4)add
... : Alberto Ruço
Tudo o que sirva, dentro da legalidade, para detectar se uma testemunha, assistente, parte cível ou arguido, está ou não a prestar declarações correspondetes a um facto que efectivamente ocorreu, é bem-vindo .
A introdução desta perícia no processo penal é que pode levantar algumas dificuldades devido ao facto de não se tratar por certo de algo que possa ser massificado.
vejamos, pelas estatísticas publicadas pela Ministério da Justiça ( www.gplp.mj.pt ) entraram nos tribunais portugueses, em 2005, 184 183 processos penais e no ano anterior tinham entrado 183 182.
Se todos os arguidos ou quem tenha direito a pedir, solicitar uma perícia deste tipo não me parece que seja praticamente viável.

Se se reservar esta perícia apenas à fase de inquérito, haverá que modificar a lei processual penal, por forma a submeter as declarações em causa a um regime do tipo que vigora hoje para as declarações para memóra futura, por forma a que possam ser aproveitadas mais tarde em audiência.

Depois, cumpre exigir que os passos da perícia e resultados fiquem a constar do processo para que a sua validade científica possa ser verificada em qualquer altura, pois as perícias, em regra, dependem do saber e da experiência de quem as executa.

Quanto custam e quem as paga ?



12.Junho.2007
... : Pedro Orleans
Tenho muitas dúvidas acerca da submissão obrigatória do arguido ao polígrafo, porque sempre colocará em causa o direito essencial de qualquer arguido a não responder a perguntas relacionadas com os factos de que é acusado. Não estamos no âmbito de uma verdadeira perícia com vista a obter um perfil psicológico do arguido e, ainda assim, muitas dúvidas se podem levantar, no campo teórico pelo menos, acerca da legitimidade de coagir o arguido a se submeter a perícias, cujo objecto é a sua própria pessoa.
16.Junho.2007
... : Pedro Orleans
Em aditamento ao comentário anterior, quero referir que, conforme se percebe implicitamente na notícia, a submissão ao polígrafo seria apenas para testemunhas e não para arguidos. Se for esse o caso e se mostrar particularmente eficaz, então claro que é muito bem-vindo.
16.Junho.2007
... : Maria Antonieta
Pois quanto custam e quem as paga! da maneira como vai a nossa justiça "sem dinheiro para mandar cantar um cego".
22.Junho.2007
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