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Os bens essenciais, desde o pão, ao gás, passando pelos transportes,
estão a aumentar muito mais que os salários, esvaziando as bolsas
domésticas. De acordo com o INE, os preços no consumidor subiram 3,1%
em Março, face ao mesmo mês do ano passado, enquanto a inflação média
anual pulou para 2,6%, já muito acima da meta de 2,1% que o Governo
usou para negociar os salários da Função Pública. Os maiores
agravamentos dão-se na cesta base da alimentação, prejudicando,
sobretudo, as classes mais desfavorecidas, onde o peso dos alimentos no
rendimento mensal é mais elevado.
O pão aumentou 9%, o leite, queijo e ovos 13,5% e as frutas 4,9%
enquanto o peixe subiu 5% (a carne está 2,1% mais cara, sob protestos
dos produtores que pretendem preços mais altos). Os produtos
alimentares, no seu conjunto, estão 3,8% mais caros que há um ano.
Mas os preços de outros bens essenciais estão também a evoluir acima da
inflação. Por exemplo, o gás botija aumentou 6,8%, a sofrer o impacto
do aumento internacional dos preços energéticos (petróleo e gás). A
factura com a electricidade doméstica subiu 3,6%. A sofrer com a crise
energética estão, também, os transportes. Este sector acabou por
repercutir para os clientes o acréscimo dos custo com os combustíveis e
aqui está a explicação porque os preços dos passes sociais - em
transportes combinados - cresceram 4,4%.
Os bens que estão abaixo da inflação contam-se pelos dedos de uma só
mão. Os preços do vestuário aumentaram 1,7%, uma evolução que pode ser
explicada pelas campanhas de saldos que antecedem a Primavera. Raro
mesmo é a queda dos preços. Mas ó que está a suceder com os produtos
hortícolas, cujos preços caíram 15,4%.
A meta de inflação do Governo (2,1% em 2008) pode estar comprometida,
tanto mais que a inflação importada da Europa onde a taxa atingiu 3,5%
- deverá manter a pressão sobre os preços. Sindicatos e oposição
reclamam já a reposição do poder de compra perdido pelos trabalhadores
e reformados.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 15.04.2008
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