|
O número total de crimes em que as vítimas são crianças menores de
cinco anos tem vindo sempre a aumentar desde 2003 até 2007, num total
de 628 casos registados pela Polícia Judiciária (PJ).
Estes dados constam de um relatório do Grupo de Prevenção do Abuso e do
Comércio Sexual de Crianças institucionalizadas, dirigido pela
procuradora-geral adjunta Maria José Morgado e criado por decisão do
Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, divulgado em Abril deste
ano.
Segundo o documento, os crimes sexuais contra menores triplicaram em
Portugal entre 2003 e 2007, em que por ano foram contabilizados perto
de 1400 casos, sendo que cerca de 3,62% ocorreram com crianças ao
cuidado de instituições.
A PJ indica igualmente que, só de crimes sexuais contra menores, no ano
passado, entraram na Directoria de Lisboa 561 inquéritos, o que
corresponde a mais 23 do que em 2006 e a mais 27 do que em 2005.
O grupo assinala como uma tendência “muito preocupante” a “acentuada
diminuição da idade das vítimas, que em alguns casos de inquéritos no
DIAP [Departamento de Investigação e Acção Penal] de Lisboa se situa
abaixo de um ano de idade”.
Ainda segundo o documento, em cerca de 34,86% dos inquéritos o agressor
e a vítima têm laços familiares, sendo a residência o local do crime em
cerca de 46,14% dos casos.
Outra das conclusões é a de que a ameaça electrónica e da difusão da
pornografia infantil na Internet, ou mesmo da prática de abusos sexuais
a crianças, aumentou.
“Nota-se uma tendência crescente para os casos de aliciamento de
crianças/jovens via Internet através de ‘chats rooms/Messenger’, refere
o relatório, encomendado por Pinto Monteiro, em Novembro.
Em 2007 registaram-se em Lisboa 67 inquéritos tendo por objecto a
pornografia infantil, tendo sido registados nove desaparecimentos de
meninas associados a contactos via net que acabaram por ficar
resolvidos.
Os inquéritos investigados pela PJ
46%
A quase maioria dos cenários de prática de abusos sexuais contra menores é a casa das vítimas
34%
Dos casos que são investigados pela Polícia Judiciária, a vítima e o agressor têm laços familiares
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 04.06.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|