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O Bastonário da Ordem dos Advogados (OA) é
da opinião que a figura do corrupto deveria ser alvo de
"descriminalização penal". A achega foi deixada entre outras
alfinetadas dirigidas à Polícia Judiciária e aos políticos num debate
sobre corrupção, que decorreu anteontem à noite na Figueira da Foz e
contou com a participação do jurista Saldanha Sanches e do autor do
livro "O corrupto e o Diabo", Paulo Morgado.
António Marinho Pinto defende a sua teoria com o argumento de que quem
paga para obter um acto ilícito "é, muitas vezes, a primeira vítima da
corrupção".
Além de críticas à investigação - uma condenação por corrupção só com
confissão, diz -, o bastonário dos advogados acusa a Polícia Judiciária
de estar mais na dependência do Governo do que do Ministério Público.
"A PJ não está na dependência do Ministério Público. Isso é só no
papel. Depende do Governo. É o Governo que financia e fiscaliza a PJ. É
um órgão do Ministério da Justiça que nomeia as hierarquias".
Declarações prontamente classificadas como "disparatadas" pelo
presidente da Associação Sindical da PJ, Carlos Anjos, por revelarem
"um desconhecimento absoluto da forma como funcionam a PJ e o
Ministério Público".
"É um facto que é o Governo quem nomeia as hierarquias da PJ, mas não
tem nem nunca teve qualquer interferência nos processos. Se fosse
noutro país, provavelmente já se teria pedido ao bastonário
responsabilidades pelas afirmações que fez. Em Portugal ninguém fez
nada", lamentou Carlos Anjos, criticando os "ataques sistemáticos" de
Marinho Pinto à PJ.
Marinho Pinto apelou ainda a um "sobressalto cívico" dos cidadãos para
com os detentores de cargos públicos, exigindo que estes "justifiquem
publicamente" o património que possuem. E manifestou dúvidas quanto a
pessoas que passam de ministros a dirigentes de empresas.
Uma declaração a que o porta-voz do PS, Vitalino Canas, reagiu
lembrando que o património de titulares de cargos públicos "pode ser
consultado" nas declarações de rendimentos entregues no Tribunal
Constitucional.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 08.03.2009
Proposta Irrelevante
Os agentes judiciários
desvalorizaram a proposta de Marinho Pinto para que o corruptor seja
descriminalizado penalmente, considerando mesmo que "não tem
relevância". O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), que admitiu num
debate na Figueira da Foz que a sua proposta parece escandalosa, justificou a
mesma com o facto de que, "quem paga, para obter um acto ilícito é, muitas
vezes, a primeira vítima da corrupção". "Há pessoas que têm poder de
levar empresas à falência, isto é uma realidade que se tem generalizado e e uma
a completa distorção das regras de relacionamento entre empresas", disse
Marinho Pinto.
Uma proposta que foi de todo
desvalorizada pelo ministro da Justiça, pelo Sindicato do Ministério Público e
pela Associação Sindical dos Juízes. "O ministro da Justiça não faz
qualquer comentário às declarações do bastonário", disse fonte do gabinete
de Alberto Costa.
Contactados pelo DN, a Associação
Sindical dos Juízes e dos Magistrados do Ministério Público recusaram
alongar-se em comentários sobre a proposta do bastonário dos advogados. "Não quero dar importância
ao que não tem. Não vou dar importância ao show off do bastonário", reagiu
António Francisco Martins, presidente da associação que representa os
magistrados judiciais portugueses.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 11.03.2008
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