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A "celeridade não pode ser a primeira
prioridade" na Justiça, porque a urgência pode gerar "riscos de
afectação de direitos". É pelo menos o entendimento do vice-presidente
do Supremo Tribunal de Justiça, António Henriques Gaspar, que vem assim
pôr em causa muitas das críticas apontadas ao sector.
"Relevante será a qualidade das decisões, que não pode ser alcançada se
a cada processo não for consagrado o tempo que exige", diz o
magistrado, para quem a celeridade é "apenas um instrumento de
eficácia". E a resposta da justiça, diz, "tem de ser medida pelo
equilíbrio entre a eficácia, a qualidade e a segurança das decisões".
O juiz conselheiro falava no colóquio "O Tempo e a Qualidade de
Decisão", realizado no auditório do Padrão dos Descobrimentos, em
Lisboa, na presença do vice-presidente do Tribunal de Apelação de Haia.
Observando que a qualidade da Justiça constitui um dos elementos
essenciais da qualidade da democracia, Henriques Gaspar lembrou que,
neste âmbito, as normas de acesso ao tribunal constituem "uma
referência fundamental". "A construção do sistema de acesso, quer
através da previsão e organização de meios processuais, quer pelo nível
dos custos de acesso e pelos meios de auxílio judiciário, constitui um
factor primordial de qualidade".
JORNAL DE NOTÍCIAS | 25.04.2008
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