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Findas as férias judiciais, regressa a 1 de Setembro a contagem dos prazos processuais, mas os funcionários judiciais ainda não sabem onde vão trabalhar. O ambiente que se espera aponta para uma enorme confusão e um
provável caos. A duas semanas, o programa de
extinção de varas e juízos de alguns tribunais - apresentado em Abril
como um conjunto de "Medidas Urgentes para Melhorar a Resposta
Judicial" - dificilmente estará pronto em Setembro. Consequência?
Muitos funcionários judiciais não sabem ainda onde vão ser colocados,
ou seja, não sabem o futuro local de emprego. Sabendo-se que são estes
funcionários que tratam da chamada ‘engrenagem’ da justiça,
distribuindo processos e auxiliando os juízes, o panorama é preocupante.
Os
funcionários judiciais das 20 varas que vão ser extintas nos tribunais
de Lisboa, Vila Nova de Gaia e Porto - que são, aliás, os que
concentram o maior número de processos - só na semana passada foram
informados "por ofício" sobre o que lhes iria acontecer: têm de
concorrer para novas varas, disse ao Diário Económico uma fonte do
tribunal da Boa Hora. O Governo conhece o problema e antecipa os
perigos. Exemplo disso é a reunião que vai ter, esta manhã, com o
presidente do Sindicato dos Funcionários judiciais, Fernando Jorge.
"Foram
extintos tribunais mas ainda não se sabe para onde vão os funcionários
dessas varas", explicou esse responsável ao Diário Económico. "E este é um mal geral
em todas as varas extintas: os funcionários não sabem onde serão
colocados e só agora foram obrigados a concorrer, sendo que os
Tribunais abrem em 15 dias" e muitos trabalhadores estão de férias,
aproveitando a paragem no funcionamento dos tribunais. O representante
do sindicato vai ainda mais longe:
"O Governo violou o nosso
Estatuto ao considerar que os funcionários que têm de ser transferidos
serão os que estão ao serviço há menos tempo", pertencendo ou não
especificamente à vara que foi extinta. Assim, pode dar-se o caso de um
funcionário ser transferido, mesmo que a sua secção continue a
funcionar sem alterações. O Secretário de Estado da Justiça, José Conde
Rodrigues, garantiu ao DE estar a par do problema, mas desvalorizou e
disse que, nos próximos dias, os serviços vão indicar aos oficiais de
justiça envolvidos neste processo "a sua recolocação, no âmbito das
regras vigentes".
Novos juízos de Comércio arrancam dentro de 15 dias
Dando seguimento ao "Programa de Medidas Urgentes
para a resposta judicial", anunciado em Junho pelo Governo, Alberto
Costa prepara agora a abertura de novas varas e juízos nas áreas de
Comércio, Família e Menores, Trabalho e um juízo de Execução no
Tribunal de Vila Nova de Gaia. Desta feita, os Tribunais de Família e
Menores de Sintra, Almada, Cascais e Vila Franca de Xira vão contar,
cada um, com um novo juízo. Já na área do Comércio, vão ser os
Tribunais onde se registam maiores pendências na área comercial que vão
contar, também cada um, com novos juízos: Lisboa e Vila Nova de Gaia. É
ainda criado um novo juízo do Tribunal do Trabalho de Vila Franca de
Xira. Este programa inclui, como já foi anunciado, a extinção e a
criação de algumas varas e juízos de vários tribunais de competência
especializada assim como a criação de juízos de execução em Braga,
Coimbra, Matosinhos, Leiria e Vila Nova de Gaia.
DIÁRIO ECONÓMICO | 14.08.2007
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