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Início seta Direito e Sociedade seta Breves: Quinta, 12 Julho 2007
Breves: Quinta, 12 Julho 2007 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
12-Jul-2007
NOVO ESTATUTO DO JORNALISTA
O Estatuto dos Jornalistas está já a caminho da Presidência da República, depois de, na passada quarta-feira, ter sido ultimado em sede de comissão na Assembleia da República. "O estatuto está em trânsito para Belém", disse ao DN o deputado Osvaldo de Castro, presidente da primeira comissão parlamentar. A partir do momento em que receber o diploma, Cavaco Silva tem 20 dias para o promulgar ou vetar. Mas tem oito dias para o enviar para o Tribunal Constitucional caso tenha dúvidas sobre a constitucionalidade de alguma regra.E dúvidas e críticas em relação ao novo Estatuto, aprovado na Assembleia da República apenas com os votos do PS, têm sido as principais reacções não só da classe jornalística (ver artigos de opinião em baixo), como também de advogados. Um grupo de jornalistas, que inclui directores de jornais, rádios e revistas, juntou-se mesmo num movimento para sensibilizar Cavaco Silva para a não promulgação do diploma, que dizem ser atentatório da liberdade de imprensa e dos direitos da classe. Estes jornalistas dizem que está em curso o "mais violento ataque à liberdade de imprensa em 33 anos", referindo-se não só ao Estatuto dos Jornalistas, mas também à nova Lei da Televisão (que dá mais poderes à Entidade Reguladora) e à lei da concentração nos media.Mas, para já, a prioridade do movimento é o Estatuto, por estar prestes a ser avaliado por Cavaco. "Já temos mais de 500 assinaturas e para a semana mandamos o abaixo-assinado ao Presidente, juntamente com um memorando de juristas"; disse ao DN Mário Bettencourt Resendes, porta-voz do movimento, que se opõe aos poderes dados à Comissão da Carteira para sancionar jornalistas e se diz disposto a encontrar formas de auto-regulação.Bettencourt Resendes, provedor dos Leitores do DN, entende que o novo Estatuto leva à "degradação das condições da liberdade de imprensa em Portugal". Porque, salienta o ex-director do Diário de Notícias, ao mexer no sigilo profissional, "expõe o jornalista a uma multiplicidade de situações" que pode "atemorizar as fontes" de informação.
A alteração do sigilo profissional é, aliás, o que está a suscitar maior polémica e preocupação. O novo artigo do Estatuto dos Jornalistas estabelece que a revelação das fontes pode ser exigida aos jornalistas pelo juiz quando tal for necessário para a investigação de crimes graves contra as pessoas. O que inclui a ofensa à integridade física ou a criminalidade organizada e sempre que tal seja "fundamental para a descoberta da verdade" e se comprove "que as informações "muito dificilmente" poderiam ser obtidas de outra forma. Ora, os jornalistas e advogados dizem que tal formulação permite quase tudo.
"Isto é abrir a discricionariedade do juiz, abarca até o crime de tráfico de estupefacientes, ou seja, alarga-se o leque de casos em que o juiz pode exigir a revelação da fonte. A coisa [o Estatuto] é perigosa", avisou André Fontinha Raposo, advogado do DN. O causídico sustenta que as novas regras "colocam em causa" o jornalismo de investigação "e limitam claramente os direitos dos jornalistas".
Francisco Teixeira da Mota, advogado do Público, considera igualmente que a nova formulação "não é satisfatória" e questiona: "Até onde pode ir essa verdade?", referindo-se ao requisito de que o juiz pode exigir a revelação da fonte se isso for necessário à descoberta da verdade. Para o advogado, o novo estatuto aumenta mesmo o poder discricionário dos juízes.
Uma profissão e as leis que a regem
É nítida acrescente vocação do Estado - perdão: do Governo; melhor dizendo: dos dois principais partidos políticos (PS e PSD, porque é bom não esquecer o que se passou na última fase do ciclo político anterior) -, para "disciplinar" a actividade jornalística. O processo Casa Pia, queira ou não reconhecer-se, foi de facto o ponto de partida para este assalto à liberdade de imprensa que está à vista no edifício legislativo construído nos últimos anos.O leitor talvez não saiba, mas esta profissão começou por se auto-regular com dois códigos éticos (o Deontológico e o de Honra). Tem, como todas, o dever de obediência às leis gerais do País que emanam da Constituição da República. Para além disso, está sujeita a lei específica (a de Imprensa) e a um estatuto (o de Jornalista). E, como não chega, foi sujeita a variada regulação imposta de cima para baixo (ERC e Comissão da Carteira). E ainda está aí prometido o lugar de vigilante, e garante, do segredo de justiça, no âmbito do pacto entre PS e PSD.
Os jornalistas, ao contrário do que se pretende fazer crer, não lutam por um estatuto acima da lei. Antes pelo contrário: estão dispostos a arcarem com a incomodidade inerente a um exercício corajoso da profissão. A democracia com certeza agradece. Mas parece que o(utro) Governo não gosta.
Diário de Notícias

PARLAMENTO VOTA LEIS PENAIS NO DIA 19
Os códigos Penal e de Processo Penal, a Lei de Política Criminal e a Lei contra a Corrupção Desportiva vão ser todos votados no plenário do próximo dia 19. As leis entrarão em vigor também em simultâneo, no dia 15 de Setembro. A Comissão de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias já apreciou os diplomas na especialidade, com excepção do Código de Processo Penal, cuja votação deverá ocorrer no dia 17.
Ontem, a Comissão ouviu a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) sobre esta última proposta governamental. Ajuíza Fátima Mata Mouros criticou a iniciativa legislativa na medida em que "não dá orientações" aos juízes. Estabelece prazos para as escutas telefónicas, mas não diz, por exemplo, em que casos devem ser ordenadas. Estabelece que as escutas devem ser imediatamente eliminadas quando violem direitos fundamentais, mas não define as situações.
Os juízes criticaram ainda o artigo relativo à localização celular. A proposta do Governo define que esta só pode ser ordenada em caso de perigo para a vida ou ofensa à integridade física. Esta redacção, segundo lembrou o juiz António Martins, deixa de fora crimes como o tráfico de droga ou a corrupção. Por outro lado, a proposta permite que a polícia possa pedir directamente à operadora a localização do suspeito o que, no entender da ASJP configura "uma flagrante inconstitucionalidade". O socialista Osvaldo Castro, que preside à Comissão, mostrou-se sensível aos argumentos.
Jornal de Notícias

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